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Mealhada
Mealhada - Senhora foi mordida por uma cadela enquanto caminhava, no Parque da Cidade

Em meados do passado mês de Outubro, uma munícipe, que fazia a sua caminhada habitual, ao final da tarde, no Parque da Cidade da Mealhada, foi mordida por uma cadela, que teria sido “mãe” recentemente, e que tudo indica que seja abandonada. Apesar de a senhora não ter apresentado queixa na Guarda Nacional Republicana da Mealhada, deu conhecimento da situação aos agentes. Também funcionários da Câmara Municipal da Mealhada foram informados e tentaram apanhar o animal, mas essa pretensão não foi bem sucedida e a cadela continua a ser vista nos antigos Viveiros Florestais.
“Eram cerca de 17 horas, fui passear como fazia diariamente e não sei de onde saiu a cadela, de cor castanha e preta, que me atacou por trás, mordendo-me numa perna. Chorei imenso com tanta dor”, explicou a senhora, com quem a repórter do Jornal da Mealhada falou, que ainda acrescentou: “Já não sai do local onde estava e apenas telefonei ao meu marido para me ir buscar e levar para o hospital”.
“Fui ao posto da Mealhada da GNR, onde me disseram que iriam verificar se a cadela tinha um chip. Não sei se o fizeram ou não, apenas sei que, passado uns dias, vi um carro da Câmara da Mealhada que deveria ter vindo para apanhar a cadela, mas apenas levaram os cãezinhos que teve, porque ainda ontem – 12 de Novembro - vi o animal”, disse a queixosa, que vive perto do Parque da Cidade.
A munícipe ainda lamentou: “Estou há um mês a tentar tratar esta ferida e a médica já me garantiu que vai ter que ser com muita calma porque o hematoma é enorme. Ainda estou para ver quais as consequências futuras desta mordidela, já para não falar no dinheiro que tenho gasto nos tratamentos”. “Não seria necessário haver segurança no Parque para evitar situações destas? Tenho visto pessoas a passear com paus na mão. Será que é para se protegerem de alguma coisa, de algum cão?”, questionou ainda.
José Calhoa, vereador dos Parques e Jardins da Câmara Municipal da Mealhada, declarou: “O senhor engenheiro Pita disse-me que os funcionários da Câmara foram lá para tentar buscar a cadela, mas que não a viram. Sabemos que estava prenha e acabou por ter os cães lá no Parque, numa espécie de túnel que serve para o escoamento das águas pluviais. A cadela andaria mais exaltada porque havia pessoas a tentarem levar ou mesmo a levarem os cãezinhos”.

Lei é clara: Animal tem que ser recolhido pela Câmara Municipal

A repórter do Jornal da Mealhada consultou o Decreto-Lei número 312/2003, de 17 de Dezembro, estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, onde o artigo 10.º incide sobre qual o “Procedimento em caso de agressão” nestas situações dos cães abandonados.
“O animal que tenha causado ofensa ao corpo ou à saúde de uma pessoa é obrigatoriamente recolhido, pela autoridade competente, para centro de recolha oficial (…)”, pode ler-se no artigo, que ainda garante que “as ofensas causadas por animal ao corpo ou à saúde de pessoas de que tenham conhecimento médicos veterinários, autoridades judiciais, administrativas ou policiais, centros de saúde e hospitais, são imediatamente notificadas à autoridade competente para que esta proceda à recolha do animal”.
“Nesta caso concreto, e sendo a cadela abandonada, tem que ser a Câmara Municipal a proceder à sua recolha. Se o veterinário municipal entender que o animal causa perigo para a sociedade pode proceder ao seu abate”, explicou o Guarda Resende, da Equipa de Protecção da Natureza e do Ambiente de Anadia da GNR”, que acrescentou: “Nestes casos, o lesado não tem qualquer remuneração sobre os gastos de saúde que teve”.
Quando uma pessoa é mordida por um cão deve formalizar queixa num posto da GNR? “Sim e poderá ser feito durante cento e oitenta dias a contar do dia do sucedido”, respondeu o Guarda Resende.

“Ninguém fala de quem abandona os animais e isso sim é que está errado!”

A Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, que garantiu desconhecer a situação, perguntámos se a solução passaria pela “criação” de um canil municipal, que pudesse albergar todos os animais vadios. “Saberão as pessoas os custos que isso tem nos impostos de cada munícipe? Ninguém fala de quem abandona os animais e isso sim é que está errado!”, respondeu.

Mónica Sofia Lopes


Data Publicação: 2009-11-17
Autor: JM

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