Diretor: 
João Pega
Periodicidade: 
Diária

Associação Quatro Patas e Focinhos dedica-se há 10 anos a garantir o bem-estar dos animais


tags: Solidariedade, Anadia, Mealhada Categorias: Especial quarta, 23 março 2022

Há 10 anos que a Associação Quatro Patas e Focinhos abraça aquela que é a sua missão: garantir o maior bem-estar aos animais que recolhem das ruas para, posteriormente, serem adotados. A associação, que atua na Mealhada e em Anadia, assinalou dia 14 de março o seu 10º aniversário.

São 365 dias por ano de um trabalho que chega a dez horas por dia e que recai sobre os cerca de 15 voluntários e uma direção composta por nove pessoas, também elas voluntárias. Além de outros voluntários em eventos mais pontuais, toda a ajuda é bem-vinda, já que a associação acolhe perto de 100 cães, distribuídos pela Mealhada - cerca de 65 - e Anadia - cerca de 25 -, dado que são números variáveis.

Salomé Dias, presidente da direção, partilhou com o nosso jornal como foi o início de toda esta caminhada. “Um grupo de pessoas soube da existência de um espaço na Mealhada, onde eram colocados os animais recolhidos pelo município, grupo esse que começou a intervir e a ajudar nos passeios, na dinamização e na divulgação dos animais para adoção. Naturalmente, uma pessoa foi chamando outra e o grupo começou a crescer. A verdade é que já fazemos este trabalho há 16 anos. Porém, há 10 anos atrás, sentimos a necessidade de sermos mais autónomos e trabalharmos sozinhos e, a partir daí, criámos oficialmente a associação com o nosso nome”, disse.

A exigência diária é transversal às outras associações pelo mundo fora e é a cuidar destes cães que a força e vontade permanece. “Temos animais em abrigo, em que basicamente recolhemos animais errantes ou em situações de maus tratos e negligenciados. Cuidamos deles diariamente no que toca aos passeios, limpeza, higiene, alimentação, e todos os cuidados veterinários que eles precisem como a esterilização ou as vacinas. Fazemos ainda várias campanhas de sensibilização em escolas e instituições, bem como campanhas de alimentos em supermercados ou feiras, e também parcerias. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para sanar as nossas necessidades, quer em termos de alimentação, como despesas monetárias”, referiu Salomé Dias.

Anualmente associação dá para adoção cerca de 100 cães

Por ano, a Associação Quatro Patas e Focinhos tem conseguido dar para adoção cerca de 100 a 120 cães. Ainda assim, os canis estão sempre lotados. “O que não nos falta são cães para recolher e temos uma lista de espera. Mas nós só conseguimos recolher um animal quando outro é adotado. E nem sempre é assim. Depende do animal que está para vir, se se encaixa nos animais que temos, se é sociável com outros cães… Não é tão linear. O importante é que as pessoas entendam que sem adoções não conseguimos recolher animais”, sublinhou Salomé Dias. A presidente da associação conta ainda que em 2020, com os primeiros confinamentos face à pandemia, houve menos adoções – cerca de 70 - uma vez que as mesmas foram suspensas. “Nos primeiros confinamentos decidimos suspender as adoções porque percebemos que as pessoas que estavam interessadas em adotar não estavam a fazer escolhas conscientes. Era apenas porque estavam em casa e estavam aborrecidas”, esclareceu.

Para adotar um animal existem critérios de modo a proporcionar qualidade de vida quer ao animal que vai ser adotado, quer à família que pretende adotar. Por esse motivo, Salomé Dias explica que há “requisitos mínimos”. “Os animais não são adotados para serem acorrentados e tentamos procurar sempre o animal certo para a família certa, porque isso existe. Se a família está muitas horas fora de casa, se calhar não faz sentido um cão que seja extremamente enérgico, que precise de correr 3 horas por dia, por exemplo. Também depende do tipo de casa, se tem crianças ou se tem outros animais. E o nosso objetivo é procurar sempre o bem-estar – não somos fundamentalistas nem extremistas –, mas porque sabemos que se o cão certo não estiver na família certa, se calhar a convivência cão-família não vai ser adequada. E corremos o risco de passado um ano ou um mês a família dizer que quer devolver o animal porque não correu bem. Já temos várias experiências e, por isso, acreditamos e confiamos”, avançou.

Mas é precisamente sobre a adoção que surge o grande desafio cujas associações têm de enfrentar diariamente: o desafio de encontrar as famílias certas para todos os animais. “Famílias há muitas, só não são as certas. E nós não estamos cá para contribuir para o problema, mas para contribuir para a solução. Acho que as políticas que têm sido feitas pelo governo ou pelas autoridades não são suficientes. Há pouca aposta na informação, na educação, na sensibilização e ainda menos na fiscalização, que é a grande falha neste momento. Por outro lado, também se assiste a uma disparidade muito grande: há uma geração de jovens adultos cada vez mais preocupada com este assunto, que não passa apenas por ter pena dos cães, mas sim porque é um problema de saúde e de segurança pública; e vê-se também uma geração mais antiga que ainda olha para os animais como objetos e que não consegue perceber que o respeito deve ser entre todas as espécies. As gerações estão a mudar e espero que daqui a 20 ou 30 anos vejamos as coisas de outra forma”, esclareceu.

Ainda que seja duro, a presidente da Associação Quatro Patas e Focinhos acredita que tem a maior das recompensas, o que encoraja toda a equipa a continuar. Recompensas que passam pelos animais que são adotados e pelas fotografias que chegam dos animais em suas casas. “E é isto que nos move todos os dias. Só isto. Porque nós sabemos que não estamos cá para mudar o mundo, nem nós nem ninguém. No entanto, encaramos isto com muita responsabilidade e muito amor à camisola. Além de uma família, somos uma equipa que trabalha em prol do mesmo objetivo”, findou.

 

Associação considera importante sensibilizar e criar medidas para diminuir abandono de animais

Segundo Salomé Dias, os objetivos para a associação passam por continuar o trabalho que tem sido feito até então, com profissionalismo, seriedade e responsabilidade. Por outro lado, também pretendem chegar a mais pessoas, através da sensibilização e da educação. “Eu penso que este trabalho tem de começar a ser feito de raiz. Porque o que nós temos feito ultimamente é alimentar o ciclo, isto é, nós recolhemos animais, damos e assim sucessivamente. Mas acaba por ser um trabalho cansativo para todas as associações e um gasto de dinheiro que nem sequer é possível contabilizar. Se não se começar a pensar na raiz do problema, isto é um ciclo sem fim”, evidenciou, acrescentando que “os animais não vão parar de aparecer e, por isso, espera-se que nos próximos tempos haja outros apoios a famílias carenciadas, mas também haja mais fiscalização pois há animais que não estão devidamente legalizados, mas também fiscalização aos casos de maus tratos que as autoridades viram a cara para o lado”.

 

Ajude a associação a continuar a ajudar

Para ajudar a Associação Quatro Patas e Focinhos é possível fazê-lo de diferentes formas. Para se tornar voluntário basta enviar e-mail para quatropatasefocinhos@gmail.com. Para ajudar através de um contributo monetário, tenham em consideração o IBAN: PT50 0033 0000 4548 0442 0900 5