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As festas do magusto, de todos os santos e do “halloween”. Seu significado e antecedntes e influência nelas exercida pela calendarização do tempo (parte 1)


Categorias: Região quarta, 14 novembro 2018

a) O Magusto e os seus antecedentes históricos

A palavra Magusto deriva do étimo latino “Magnus Ustus”, que significa “grande fogueira” ou então de “Magnum Ustum”, cujo significado é “mago ou feiticeiro queimado”, querendo falar, possivelmente, de uma fogueira onde os magos faziam as suas queimadas ou de fogueiras para queimar magos. Daqui derivou a palavra “Magusto” herdada do termo galego “Magosto”. Este é, atualmente, uma festa popular celebrada praticamente em todo o País. As formas da sua celebração divergem, no entanto, conforme as tradições regionais. No essencial, consubstancia-se no seguinte: Grupos de amigos ou de famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam castanhas que se comem juntamente com o chouriço assado, que vem da tradição galega, acompanhadas do consumo de jeropiga, água-pé ou vinho novo. Ao mesmo tempo, fazem-se brincadeiras em que as pessoas se enfarruscam umas às outras com as cinzas da fogueira e entoam cantigas. O Magusto realiza-se hoje, normalmente, em datas festivas pré-determinadas, tais como: no dia de São Simão (dia 28 de outubro), no dia de Todos-os-Santos (dia 1 de novembro) ou no dia de São Martinho (dia 11 de novembro) ou em qualquer outro dia dessa época do ano que as pessoas escolherem para a sua efetivação, como é frequente suceder a nível das escolas ou das associações sem fins lucrativos. Grande número de celebrações é efetuado não só em Portugal inteiro, mas também na Galiza e nas Astúrias, em Espanha.

Mas para podermos perceber cabalmente o significado desta festa, convém sabermos em que tradição ou tradições entronca, uma vez que ela foi importada da Galiza e depois dispersa para as Astúrias, também em Espanha, ou para os países anglo-saxónicos, embora aqui deturpada e com outra designação, como hoje sucede com o “Halloween”, com o significado de o “Dia das Bruxas”, que é um evento tradicional e cultural com relevo nos Estados Unidos da América, Canadá, Irlanda e Reino Unido, realizado no dia 31 de outubro, a que nos referiremos mais à frente, com mais pormenor.

Segundo a tradição galega, o Magusto provém do Samhain celta.

Os territórios hoje ocupados por Portugal e Galiza e ainda pelas Ilhas da Grã-Bretanha e por parte de França foram povoados, a partir dos sécs.VIII ou VII a. C., com a migração dos povos indo-europeus para esta região do Globo, principalmente dos Celtas e Lígures, que fizeram a mineração do cobre nos territórios hoje do Alentejo e Algarve, e dos mediterrânicos e marítimos Fenícios, Gregos e, mais tarde, dos Cartagineses, que fizeram o percurso até aqui pelos oceanos. Já, nessa altura, havia comunidades locais no nosso território, designadamente no nosso concelho. Os Fenícios e Gregos exerceram influência no sul. Ao norte chegaram os Celtas, com os Túrdulos, estes ficando no litoral, na zona entre o Douro e o Vouga, e os Celtas foram para o norte do Douro e Galiza, onde criaram uma cultura castreja ou castrense.

Assim, quando, no séc. II a. C., os Romanos chegaram ao território hoje ocupado por Portugal e Galiza, encontraram os seguintes povos: a norte do Douro e Galiza, os Galaicos, que era o povo que continuou a cultura castreja, de lugares fortificados, deixados pelos Celtas; a sul do Douro até ao Vouga, os velhos Túrdulos, junto ao litoral, e os Pescreves, no interior; do Vouga até à bacia do Tejo, os Lusitanos, que eram povos indígenas celtizados e, assim, com influência continental indo-europeia, de organização tribal, e que se dedicavam ao pastoreio e à guerra. Abarcavam um conjunto diversificado de povos ou comunidades, aparentemente independentes uns dos outros, mas com o mesmo substrato étnico. A Lusitânia, mesmo assim, era composta por duas: a do litoral, de influência das populações meridionais, com habitação e comércio, que nada tinha a ver com o mundo indo-europeu e, a do interior, de índole guerreira e vivendo da pastorícia; na bacia do Guadiana, existiam os Celtas e, no sul, os Conni ou Cónios.

De todos estes povos os mais importantes eram os Galaicos e os Lusitanos, que eram os povos indígenas celtizados. Todavia, ainda hoje se sabe muito pouco sobre os Lusitanos, sendo parte do que nos é transmitido muito deturpado.

Pelo que fica dito, os Celtas exerceram, assim, grande influência no povoamento da Bacia do Guadiana e nos territórios situados a norte do rio Douro, Galiza e ainda nas Ilhas da Grã-bretanha.

Para os Celtas, o primeiro de novembro marcava a data do fim do ano e a passagem do verão para o inverno, ou seja, da época em a que a vida se realizava no exterior em contraposição com a época em que a vida se fazia no interior da residência, junto ao lume da lareira.