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Minimercado Capela é passado presente com futuro incerto


tags: Mealhada, Mealhada, Mealhada, Mealhada, Mealhada, Mealhada, Mealhada, Mealhada Categorias: Região quarta, 07 agosto 2019

Situado no Largo dos Chafarizes, na Mealhada, o Minimercado Capela foi no passado uma taberna. Maria dos Santos Capela, proprietária da casa, diz que o negócio “deve ter perto de 200 anos” mas não consegue apresentar dados relativos ao século XIX. A memória alcança apenas as gerações que conheceu no século XX.

A loja pertencia ao pai de Maria Luísa de Carvalho que casou com um tio-avô de Maria Capela, Antonino dos Santos Sousa. A filha deste casal, Maria Antonina Carvalho dos Santos, herdou o negócio onde já se vendia mercearia, roupa e tecidos. Por morte destes, o estabelecimento passou para as mãos dos pais de Maria Capela – José dos Santos e Emília de Almeida Martins – que, por terem outra ocupação laboral, não se dedicaram ao espaço. Alugaram-no mas “não deu certo e a loja acabou por ficar algum tempo fechada”. Reabriu pelas mãos de Maria Capela – já casada com Álvaro dos Santos Capela e com uma filha, Maria Clara – a 9 de abril de 1953, estando de portas abertas até hoje. O marido, que trabalhava na padaria e mercearia de família Capela & Irmãos, situada na atual Rua Capitão Cabral, na Mealhada, ensinou-a a gerir o negócio e, mais tarde, juntou-se à esposa: o espaço que geria com os irmãos fechou por causa de um “grande incêndio”.

Com esta geração, a loja cresceu. A casa ficava situada em frente a uma estrada principal, onde “passava muita gente”, e clientela não faltava, apesar da concorrência. Inicialmente havia venda a granel. Os produtos eram expostos em tulhas atrás de um longo balcão, onde estava também a medidora do azeite. “Nessa altura, a vida era complicada. Comprava-se mais em gramas do que em quilos”, explica Maria Capela. Também se vendia roupa e tecido a metro, entre “de tudo um pouco”. Quando a venda avulso foi proibida, a disposição do espaço mudou para se adaptar aos novos produtos. Neste tempo, a loja abria às 9h e fechava às 19h, de segunda a sábado. À hora de almoço, marido e mulher “comiam à vez” para que a loja não fechasse. Neste período, vendiam-se muitas sandes feitas de pão da Mealhada – “à vontade, umas 150 por dia” – e sumos. “Havia menos restaurantes e as pessoas acabavam por almoçar aqui”. Depois – lastima – “também proibiram as sandes”.

Maria Capela tinha jeito para vender porque era “simpática” e também porque “empurrava muito” – “leve já e paga depois”. Confiava nas pessoas, era “uma mãos-largas”. Esta atitude, perante conhecidos e desconhecidos, também a fez acumular “calotes” – “envergonhei algumas pessoas publicamente mas não adiantou de nada. Nunca pagaram o que deviam”. Os livros de fiados comprovam os “milhares de contos e de euros” perdidos.

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