Entrar  |   Registe-se  |   Ajuda
25 Maio 2018
sexta-feira


Apresentação
Estatuto editorial
Ficha técnica
Newsletter
Publicidade
Contactos
Onde Estou? Página Inicial » Frontal.com » Entrevista
Pesquisar
Beatriz Cortesão em entrevista
10 Jan 2018, 00:00
Galerias Relacionadas:
  0 video(s)
  0 som(s)
  0 documentos(s)
Visualizações: 2374
Acessibilidade:

É uma artista da terra e tem progredido a olhos vistos no panorama da música clássica internacional. Beatriz Cortesão, de apenas 19 anos, é uma harpista oriunda de Barcouço, na Mealhada, e estuda atualmente em Itália, na Civica Scuola di Musica Claudio Abbado de Milão. A jovem mealhadense apresentou-se recentemente em concerto no Cineteatro Messias, com a Orquestra Filarmonia das Beiras, e o Jornal da Mealhada aproveitou a oportunidade para conversar com ela.

 

No concerto do passado dia 4, o público presente acolheu a sua atuação com entusiasmo. O “feedback” das pessoas foi positivo?

O “feedback” das pessoas foi bastante positivo! No fim do concerto, formou-se até uma fila para me darem os parabéns e para expressarem o seu entusiasmo e orgulho pela minha atuação. Senti-me muito feliz logo após ter terminado a minha atuação, pois sentia que tinha tido uma boa prestação, e senti-me ainda mais contente após ter ouvido todas as palavras carinhosas do público.

Considera que o facto de ter apenas 19 anos mas demonstrar já uma vasta experiência na harpa é uma das razões pelas quais as pessoas que a ouvem mais se surpreendem?

Sim, o facto de me sentir já tão "à vontade" com a harpa, tendo ainda 19 anos, é motivo de surpresa por parte das pessoas. Mas penso que só o facto de ver e escutar alguém a tocar um instrumento tão fora do vulgar surpreende logo. Penso que a junção destes dois fatores é o que encanta rapidamente o público.

Quando despertou o interesse pela música e como se iniciou a sua carreira como harpista?

O interesse pela música surgiu efetivamente quando entrei para o conservatório, com 7 anos, quando comecei a ter aulas de harpa, coro e formação musical, todas as semanas. A partir daí, nunca mais deixei de estudar música. Tem sido parte do meu dia-a-dia até hoje.

Com o objetivo de aprofundar o estudo do instrumento, perseguindo o sonho de tornar-se harpista profissional, lançou no ano passado uma campanha de angariação de fundos para poder financiar os seus estudos. Como surgiu a ideia da campanha?

A ideia da organização de uma campanha de angariação de fundos foi sugerida por uma senhora amiga, cuja filha também tinha feito uma campanha para conseguir financiar os seus estudos no estrangeiro. Esta opção avançou efetivamente após ter contactado várias empresas com o propósito de encontrar patrocínios para o meu projeto, e a resposta ter sido sempre negativa. Felizmente, angariei o total de 6.000 euros do meu “crowdfunding” dentro do tempo previsto, e agradeço a todas as pessoas que me ajudaram a concretizar este meu projeto.

Como tem sido o seu dia-a-dia em Milão? Teve dificuldades na adaptação à cidade e à escola que frequenta?

O meu dia-a-dia em Milão tem sido estudar, estudar e estudar harpa. Tenho andado muito motivada por estudar com esta professora excelente. Não tive qualquer dificuldade em adaptar-me ao estilo de vida de Milão, até porque não difere muito do de cá. A única grande diferença é o facto das pessoas comerem massa todos os dias! Mas não senti que constituísse um grande problema, pois por mim só comia massa. Em relação à escola, gosto do ambiente. Tanto os colegas como os professores são muito simpáticos, e contribuem para que me sinta bem lá. O facto das aulas serem dadas em italiano foi um pouco estranho para mim ao início, mas nas primeiras semanas foi uma fase de adaptação. Agora já é fácil seguir a matéria.

Tem sentido o carinho e o apoio dos mealhadenses em relação ao seu trabalho? Reconhece que é um estímulo representar o concelho na cena musical internacional?

Sim, tenho sentido muito o carinho das pessoas do meu concelho. Muitas vão estando presentes nos meus concertos, e mostram o orgulho que têm em mim. E muitos também me ajudaram no meu “crowdfunding”, o que me faz muito feliz, saber que o meu concelho me apoia! Representar Mealhada em Itália, e nos vários países onde tenho a oportunidade de tocar como, por exemplo, na Suíça, onde participo na HarpMasters Summer Academy, é sem dúvida um estímulo para continuar a estudar com tanto empenho, e para esforçar-me para me apresentar sempre com um bom nível.

Quais os planos para o futuro, a nível pessoal e profissional? Onde se vê daqui a 10 anos?

Apesar de estar apenas há três meses em Milão, começo a aperceber-me que serei feliz em Portugal, perto da minha família e amigos, pelo que quero, sem dúvida, voltar para cá. Espero poder ensinar, tocar a solo e fazer parte de uma orquestra. Se não for possível realizar tudo isto em conjunto, primeiro iniciar uma carreira a solo, e, posteriormente, trabalhar em orquestra e no ensino.

Que mensagem gostaria de deixar aos jovens da Mealhada, e não só, que a consideram um exemplo a seguir?

Empenhem-se em tudo o que façam e trabalhem para um futuro mais longe do que o amanhã. Vão semeando ao longo do vosso percurso, pois apesar de hoje e amanhã não verem resultados, mais tarde verão como o que vocês semearam irá crescer e dar frutos.

 

Perfil

Beatriz Cortesão é uma jovem de 19 anos, natural de Barcouço, Mealhada, cujo objetivo é vir a ser harpista profissional. Iniciou o seu percurso aos 7 anos de idade, no Conservatório de Música de Coimbra, tendo terminado recentemente os estudos do Conservatório e o Curso Secundário de Música, no instrumento Harpa, com nota máxima nas provas de Aptidão Artística e de Instrumento.

Ao longo do seu percurso, Beatriz Cortesão participou em múltiplas audições como solista, algumas de cariz beneficente, e outras no âmbito da formação em orquestra. Participou em vários estágios e concertos com a Jovem Orquestra Portuguesa, desde 2014, sob direção do Maestro Pedro Carneiro, nomeadamente no Ciclo de Concertos inseridos na III Internacionalização e Estágio de Verão de 2016 (concertos em Sinaia e Bucareste, Roménia) e no Festival “Young Euro Classic 2017”, que se realizou na Konzerthaus, em Berlim, onde atuou a solo com a orquestra. Teve ainda a oportunidade de colaborar com algumas orquestras profissionais, nomeadamente com a Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Vigo 430, entre outras.

Ao nível da formação complementar, Beatriz Cortesão frequentou várias “masterclasses” de harpa com artistas de renome como Mário Falcão, Stéphanie Manzo, Lisetta Rossi, entre outros, e frequentou cursos intensivos deste instrumento, nomeadamente a “International Summer Harp Academy” em 2015, 2016 e 2017. No último ano, foi admitida na Civica Scuola di Musica Claudio Abbado, em Milão, Itália, onde é aluna da conceituada professora de harpa, Irina Zingg, com quem quer prosseguir estudos.

 

Fotografia: José Moura

Tags:
Documentos para Download
Notícias Relacionadas
Classifique esta notícia:  Sem classificação
0 Comentário(s)
Videos
Mais comentadas
Mais lidas
Pesquisa de imóveis »
 
Moradia Geminada T4
Venda - Usado
Aveiro
Oliveira do Bairro, Oliveira do Bairro
Consultar Imóvel »
Terreno Rústico
Venda -
Aveiro
Aveiro, Aradas
Consultar Imóvel »
Quartos   
© 2011 Jornal da Mealhada. Todos os direitos reservados. Política de privacidade Desenvolvido por  Marques Associados Digital Lda.