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“Será um prazer muito grande estar com as pessoas da Mealhada” – Fernando Tordo
04 Abr 2018, 00:00
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É já no próximo sábado, 7 de abril, que o cantor e compositor Fernando Tordo se vai apresentar na Mealhada para um concerto imperdível no Cineteatro Messias, pelas 21h30. Neste espetáculo, que conta com a participação especial da Filarmónica Pampilhosense, Fernando Tordo revisita alguns dos temas que criou juntamente com José Carlos Ary dos Santos.

Na memória, guardamos temas como “Estrela da Tarde”, “Tourada” ou “Cavalo à Solta”. Canções de uma intemporalidade impressionante, de luminosidade sublime, que de modo desassombrado ousaram moldar os tempos. Construído em torno de algumas das histórias que resultaram das vivências entre Fernando Tordo e Ary dos Santos, este concerto sugere um mergulho naqueles anos ímpares da cultura portuguesa.

Neste momento especial para o compositor, que comemora 70 anos de vida e 50 anos de composição de canções, o Jornal da Mealhada quis saber quais as expetativas de Fernando Tordo para o espetáculo no Cineteatro Messias e o que representa para um “veterano” da música portuguesa poder continuar a brindar o público com brilhantes atuações ao vivo.

 

Vem atuar à Mealhada com 70 anos de vida e 50 de canções, marcos de extrema importância na sua carreira. Qual a sensação de poder vir partilhar a sua música, ao vivo, aqui no Cineteatro Messias?

O primeiro concerto que faço, depois de completar 70 anos, é de facto na Mealhada e ainda bem que surgiu esta oportunidade. É uma situação muito interessante para mim, porque terá também a participação de uma banda filarmónica, o que me satisfaz muito. Estarei amanhã, dia 5, na Mealhada a preparar o concerto e depois voltarei no sábado, dia 7, para fazer o concerto para vocês. Para mim, é uma etapa muito interessante, uma vez que o Cineteatro é um local onde, que eu me lembre, nunca fui cantar.

 

Além de, obviamente, vir apresentar os seus maiores êxitos de sempre, terá alguns temas mais “surpreendentes” reservados para este espetáculo?

Na parte que farei apenas com os meus violões e outros instrumentos, relativamente à estadia no Brasil durante quatro anos, trouxe muito reportório novo e com certeza que algumas coisas irão acontecer, inclusivamente com viola caipira que aprendi a tocar no Brasil. Um dos discos que lá gravei foi premiado em Portugal como melhor disco da língua portuguesa pela Sociedade Portuguesa de Autores, que é o mais importante galardão atribuído à música no nosso país. Portanto, será também uma satisfação grande poder apresentar alguns temas desse trabalho.

 

A poesia de José Carlos Ary dos Santos estará presente ao longo de todo o concerto. Pretende também homenagear de alguma forma o seu “companheiro de canções”?

Como pode imaginar, para mim é sempre uma saudação porque foram longos anos de trabalho e amizade. Mas mesmo que assim não fosse, seria indispensável que o cantor e compositor que mais trabalhou com o José Carlos Ary dos Santos tenha de cantar reportório que compôs com ele. Isso é inevitável e vão haver várias canções com textos dele. Claro que o Ary dos Santos estará sempre presente na minha música e nas minhas apresentações.

 

O evento terá a participação especial de uma banda local, a Filarmónica Pampilhosense. Qual a expetativa para esta colaboração inédita?

Penso que será importante também para ajudar à divulgação das bandas filarmónicas. Hoje em dia, no nosso país, há uma quantidade de jovens que aderiram à música e que aprenderam a tocar nessas bandas. Acredito que, daqui a uns anos, vamos ter muitas bandas e orquestras deste género a acompanhar vários artistas por esse país fora. Ao fim destes anos todos, eu que já toquei e gravei com grandes orquestras em toda a parte felizmente, é muito agradável ver o que se está a passar no nosso país, em termos de paixão e amor pela música. Estar em Portugal e poder cantar, como já fiz, com várias bandas filarmónicas e ver aqueles miúdos, alguns deles com idade para serem meus netos, é muito agradável. E esta vai com certeza ser uma experiência interessantíssima.

 

Considera que o concerto da Mealhada o vai deixar bem preparado para os espetáculos em Lisboa e no Porto, que dará ainda durante este mês de abril?

Cada vez que pisamos um palco, estamos a viver uma experiência nova. Claro que é mais um passo absolutamente indispensável. Aliás, este concerto na Mealhada acontece onze dias antes do espetáculo no Teatro Tivoli em Lisboa. O importante agora é este espetáculo na Mealhada, que vamos fazer da melhor maneira possível e tentar agradar ao público, isso é fundamental. Mas claro que é também já um lançamento para os espetáculos maiores do Tivoli e da Casa da Música, no Porto.

 

Recorda-se de outras ocasiões em que teve oportunidade de atuar para o público mealhadense?

Sinceramente, não tenho ideia de já ter atuado na Mealhada. Até gostava que aparecesse alguém que, em contacto com esta nossa entrevista, se lembrasse de alguma passagem por aí. Guardo apenas uma memória de infância que era passar sempre muito perto do Cineteatro Messias, quando ia em viagem com os meus pais de carro na Estrada Nacional 1. Se eu atuei na Mealhada noutra situação qualquer, só agradeço que me lembrem porque eu sinceramente não recordo.

 

No entanto, já veio com certeza visitar a região. Que memórias tem da cidade e o que mais gosta daqui?

A Mealhada é conhecida naturalmente pelos grandes restaurantes de leitão. E isso também é uma memória de infância. Lembro-me que o restaurante onde os meus pais me levavam sempre era o Pedro dos Leitões, passando a publicidade. Claro que já fui a outros restaurantes, mas é o nome que está sistematicamente presente na memória. No fundo, o leitão da Bairrada é um prato que só deve ser consumido aí na região. É uma tradição muito especial com condições muito especiais. Há muitos restaurantes aqui em Lisboa a “apregoar” o leitão, mas não há como aí. Além da gastronomia, lembro-me que já fiquei no Palace Hotel do Bussaco, que é sempre um local a visitar no nosso país, porque é de uma beleza transcendente. E no sábado à tarde, terei oportunidade de plantar uma árvore na Mata do Bussaco, que é algo que farei com uma enorme satisfação.

 

Que mensagem gostaria de deixar às pessoas que já asseguraram o seu lugar no Cineteatro Messias e que apelo faz aos que ainda não o fizeram?

Será um prazer muito grande estar com as pessoas da Mealhada e ir aí ver-vos. Sabe que a primeira coisa que faço quando subo ao palco, é imediatamente encurtar o espaço entre o palco e o público, seja a primeira fila muito perto ou muito longe. O que mais me preocupa é quebrar essa espécie de “barreira”, que mesmo sem que ninguém queira, ela está lá. E quem tem a obrigação de a resolver é o artista e não é fácil. Quero tentar fazer uma festa e não um espetáculo chato, em que está o público do lado e o artista do outro, o que acontece muitas vezes. O que se pretende é que a sala esteja cheia porque vai valer a pena, não tenham dúvidas sobre isso.

 

Perfil

Fernando Travassos Tordo nasceu a 29 de março de 1948, em Lisboa. É, desde outubro de 2003, Comendador da Ordem do Mérito, grau honorífico que lhe foi atribuído pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. Compôs algumas das canções mais emblemáticas do cancioneiro da língua portuguesa e é um dos pioneiros da música de intervenção em Portugal e, mais tarde, da música ligeira. É, também, considerado um dos maiores renovadores do fado, pelo trabalho musical desenvolvido desde os anos 60 e até hoje nessa área musical.

Destaca-se a sua colaboração como compositor de poemas de José Carlos Ary dos Santos, entre eles "Tourada", "Estrela da Tarde", "Lisboa Menina e Moça", "Cavalo à Solta", "Balada para os Nossos Filhos", "O Amigo que eu canto", "Meu Corpo" ou "Novo Fado Alegre". Os seus temas são cantados por intérpretes como Carlos do Carmo, Mariza, Carminho, Amor Electro, Simone de Oliveira, Beatriz da Conceição, Ana Moura, António Zambujo, Ivan Lins e Dulce Pontes, entre outros. Enquanto intérprete venceu duas vezes o Festival RTP da Canção — em 1973 com "Tourada" e em 1977 com "Portugal no Coração".

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