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Estudo realizado no Hospital Misericórdia da Mealhada prestes a ser publicado em revista científica do Japão
16 Mai 2018, 00:00
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Um estudo realizado por Luís Ventura, fisioterapeuta e osteopata do Hospital Misericórdia da Mealhada (HMM), vai fazer parte da próxima edição do “Journal of Physical Therapy Science”, publicado mensalmente pela Sociedade Científica de Fisioterapia, do Japão. “Os efeitos de um treino de endurance da musculatura flexora profunda da cervical em cervicalgia e cefaleias do tipo tensão” é o nome do estudo, que ganha agora projeção internacional com esta publicação.

Há doze anos a trabalhar no HMM, Luís Ventura aproveitou a oportunidade de realizar um estudo em ambiente hospitalar, em meados de 2013, enquanto tirava a licenciatura em Fisioterapia na Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. A cervicalgia, ou dor cervical, foi o mote para esta investigação, um problema que tem vindo a aumentar de forma significativa nas duas últimas décadas e que se mostra dispendioso para o Serviço Nacional de Saúde, com baixas e incapacidades que representam milhões de euros de despesa.

O fisioterapeuta esclarece que “a dor cervical surge essencialmente pela alteração do controlo motor nessa zona. Os músculos profundos suportam o esqueleto e os músculos superficiais movimentam o esqueleto. Muitas das pessoas que estudei não conseguiam ativar a musculatura profunda. Então, se os profundos não trabalham, os superficiais vão ter que trabalhar e entram mais rapidamente em fadiga. A partir daí, criam-se espasmos, contraturas que podem fazer pressão contra determinadas artérias e vão gerar uma dor de cabeça, a tal cefaleia do tipo tensão”.

Através deste raciocínio, Luís Ventura percebeu que se conseguisse ativar os músculos profundos da cervical conseguiria uma alteração no movimento do pescoço, levando a uma redução do espasmo e da compressão contra a artéria, assim como um maior alívio da dor cervical. Foi a partir desta constatação que o fisioterapeuta do HMM resolveu elaborar um estudo em que se propunha testar um treino de fortalecimento muscular, como complemento a um tratamento base de fisioterapia para a dor cervical, prescrito normalmente por um médico fisiatra.

A investigação foi realizada com trinta utentes do serviço de medicina física e de reabilitação do HMM, referenciados por um médico fisiatra, que tivessem sintomas de dor cervical, além de cefaleia do tipo tensão associada. Luís Ventura explica que “os participantes foram divididos em dois grupos, um grupo de controlo e um grupo de teste. Ambos iriam realizar o tratamento base, que inclui massagem de relaxamento, termoterapia, ultrassom e tração cervical manual. Ao grupo de teste, foi acrescentado um protocolo de fortalecimento muscular”.

Este protocolo, identificado no estudo como “treino de endurance da musculatura flexora profunda da cervical”, baseou-se na utilização de um dispositivo de “biofeedback”, conhecido como “Stabilizer”. Uma bolsa de ar ligada a um esfigmomanómetro em que, através da ativação dos músculos, se consegue monitorizar a pressão que é esperada que se faça para ativar aquele grupo muscular. “Nos músculos profundos da cervical eu não consigo tocar, apenas os consigo influenciar. Com este treino e usando este dispositivo posso indicar à pessoa os músculos que deve contrair e saber em tempo real qual a pressão exercida e se está a realizar corretamente o exercício pedido”.

Todos os participantes do estudo realizaram quinze sessões de fisioterapia (uma por dia durante quinze dias) com uma duração aproximada de 60 minutos e foram feitas avaliações da dor cervical em três momentos distintos: antes do início das sessões, após quinze dias de tratamento e quinze dias depois do final das sessões. Foram utilizadas três escalas diferentes para avaliar a dor cervical em cada doente. Primeiro, a Escala Numérica de Dor, em que o doente classifica de 0 a 10 a intensidade da dor; também o “Neck Disability Index”, um questionário que determina como é que as dores no pescoço afetam a habilidade de uma pessoa para realizar as suas atividades diárias: e finalmente, o “Headache Impact Test”, que mede o impacto que as dores de cabeça têm no dia-a-dia.

Luís Ventura clarifica que “todas as escalas estão completamente validadas para a população portuguesa e utilizei todas estas variáveis para conseguir obter resultados mais concretos”. Um objetivo que, na perspetiva do fisioterapeuta e osteopata do HMM, foi alcançado com resultados interessantes e positivos para os doentes. “Apesar do tratamento base realizado em todos os participantes ter promovido melhorias significativas na dor cervical e na cefaleia, a associação do treino de endurance produziu resultados mais duradouros. Os doentes do grupo de teste apresentaram melhorias a nível da dor e da função, que se prolongaram durante mais tempo e com um poder de recidiva muito menor, ou seja, de reaparecimento de sintomas. Esta foi a grande conquista e evidenciada principalmente quinze dias depois do término das sessões”.

De acordo com o autor da investigação, o fator que diferencia este estudo de outros semelhantes já realizados é “o facto de ter sido feito em ambiente hospitalar, com doentes referenciados por um médico fisiatra”. Noutros estudos, diz Luís Ventura, “mesmo com maior número de participantes ou a utilização de métodos e instrumentos mais avançados, pode não estar presente esta amostra de doentes reais”.

O fisioterapeuta admite que há ainda espaço para melhorar a investigação neste aspeto e olha para este estudo como um passo na direção de uma mudança de mentalidade em relação à especialidade. “A expetativa sobre a fisioterapia não tem a ver com exercício na cabeça das pessoas, tem a ver com massagens e tratamento de calor. É por isso que a educação para a saúde é importantíssima. A fisioterapia trabalha com todo o movimento humano e, se for vista assim, terá uma grande evolução na perspetiva daquilo que nos pode vir a oferecer”, conclui.

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