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Intervenção psicoterapêutica em idosos - Sandra Martins
30 Mai 2018, 00:00
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A sociedade atual encontra-se organizada com diferentes estratos etários, e se há alguns anos a população era composta maioritariamente por crianças, jovens e adultos, neste momento, observa-se uma mudança, pois devido a um decréscimo de nascimentos e a uma prática e evolução clínica que aumenta a esperança de vida, o número de pessoas de idade adulta avançada aumentou exponencialmente.

Esta nova realidade social leva-nos a olhar para a terceira idade com outros olhos, sendo fundamental, criar redes de suporte e estratégias de intervenção sociais e psicológicas, que têm como objetivo a promoção da saúde mental e física desta geração.

Pensar sobre a velhice é tarefa complicada, pois está associada à última fase da vida do ser humano. De um modo geral, destaca-se a finitude, o fim de um ciclo, em suma, a morte.

Esta visão mais sombria leva a que a sociedade atual, que se move num ritmo avassalador, onde não há tempo nem espaço para se cultivar défices de qualquer espécie, em que a juventude e a beleza são mote para a felicidade, rejeitando imperfeições físicas e intelectuais, e em que a palavra “velho” causa angústia, sendo vista sempre como uma perda, faz com que se olhe para os mais velhos com estigma negativo.

O envelhecimento incomoda pois não vai ao encontro dos novos “ideais” da sociedade moderna.

Esta última fase da vida é sem dúvida um processo de declínio da capacidade funcional do organismo, em que existem diversas mudanças físicas, psicológicas e sociais, contudo, não tem de ser visto unicamente como um período de perdas, mas sim como uma fase específica da vida, como as demais (o crescimento e o desenvolvimento).

Envelhecer não é igual para todos, é um processo biopsicossocial, ou seja, é influenciado por características biológicas, psicológicas e sociais. Deste modo, a idade cronológica não está diretamente relacionada com características estanques que definem o envelhecimento.

A idade biológica está associada ao envelhecimento orgânico, mas este declínio é mais acentuado ou menos evidente pelo curriculum clínico do indivíduo ao longo do seu desenvolvimento.

A idade social é influenciada pela cultura e pela história do indivíduo, refere-se ao estatuto, aos hábitos e ao espaço onde a pessoa foi educada. A idade psicológica relaciona-se com as competências cognitivas e comportamentais (inteligência, memória, motivação, personalidade).

São estes fatores psicológicos, biológicos e sociais que contribuem para uma retração ou aceleração dos sinais e sintomas da idade adulta avançada.

Compreender o envelhecimento de cada pessoa, passa pelo conhecimento de toda a sua história de vida. E é neste grande mundo de vivências que a intervenção da psicologia clínica e a psicoterapia assumem uma função extremamente importante, não só no apoio psicológico ao idoso, mas também no apoio às redes sociais que trabalham com ele (lares e equipas de apoio) e aos seus cuidadores e familiares.

A psicoterapia em idosos, é uma área relativamente recente, pois durante muito tempo, o idoso era visto como alguém que não tinha competências cognitivas e emocionais para evoluir.

Claro que existe, sem dúvida, um declínio progressivo, principalmente das funções físicas, mas não tem de ser visto como um período de perdas irreversíveis, pois não o são, na maior parte da população idosa. Existe sim, uma lentificação dos processos cognitivos e físicos, e nem sempre um declínio grave das suas funções, que o levem a um estado amorfo ou inerte.

O envelhecimento não está diretamente relacionado com demências, inutilidade, fragilidade ou dependência.

Torna-se fundamental, para uma intervenção psicoterapêutica adequada, a avaliação neuropsicológica da pessoa adulta em idade avançada.

A avaliação do estado cognitivo e emocional da pessoa idosa permite ao psicoterapeuta adaptar estratégias e programas, no sentido de estimular, promover e compensar possíveis défices emergentes.

A avaliação neuropsicológica permite perceber no paciente idoso, quais as funções cerebrais afetadas e quais estão preservadas, bem como, permite uma avaliação do funcionamento afetivo e da personalidade, respeitando as características, mudanças ou limitações em que a pessoa se encontra.

O trabalho a nível cognitivo passa pelo desenvolvimento de programas de estimulação das competências intelectuais e executivas.

A nível psicológico, o acompanhamento em psicoterapia individual, familiar ou de grupo visa trabalhar quer questões emocionais passadas, quer situações presentes (isolamento, desvalorização pessoal, depressão, ansiedade…).

O diálogo dinâmico entre paciente-terapeuta tem como finalidade reorganizar e criar no paciente ferramentas psicológicas de suporte para viver a idade adulta madura com mais serenidade.

Existem diferentes abordagens psicoterapêuticas na idade adulta avançada, desde os modelos cognitivo-comportamentais, psicoterapias breves, passando pelas perspetivas psicodinâmicas (psicoterapias de inspiração psicanalítica) ou psicoterapias de grupo, mas todas têm sempre o mesmo objetivo: uma intervenção que ajude o adulto sénior na adaptação às exigências e situações que marcam esta fase de desenvolvimento.

Na história de cada paciente idoso, há que respeitar o seu tempo e o seu espaço. Aceitar e acolher os temas que querem verbalizar, com o objetivo de reforçar a sua estabilidade e autonomia.

Da minha experiência clínica, os temas mais frequentes trazidos pelos idosos passam por uma aceitação de experiências e decisões que tomaram no seu passado, por conflitos relacionados com alterações da dinâmica familiar, perda de papéis na família (menos autonomia nas decisões, menos ação no meio familiar e social), luto (perda de familiares e amigos), perda de capacidades e medo da dependência, mudança de meio (abandono do seu espaço, da sua casa) e declínio cognitivo e físico.

É fundamental para a diminuição do sofrimento emocional do idoso, a valorização e a ressonância dos seus sentimentos, pois, ser velho, não é estar desprovido de afetos e sensações, pelo contrário, é a desvalorização que se faz da pessoa sénior, a falta de contingência emocional e rutura de vínculos afetivos, que a levam a situações de sofrimento emocional intenso.

A intervenção psicoterapêutica valoriza os aspetos positivos do envelhecimento, como a maturidade, a capacidade de ponderação e a experiência, permitindo uma revisão da história de vida e das reminiscências do idoso, bem como, contribui para a promoção de um envelhecimento ativo, que visa um aumento da qualidade de vida, quer física, mental e social, apontando estratégias e alternativas para lidar com as mudanças que surgem neste ciclo de vida.

Tal como dizia Roberto Carlos num dos seus êxitos: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.

Sandra Martins, psicóloga no HMM

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