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“Mais do que formar profissionais, o importante é formar pessoas”- Manuela Alves
30 Mai 2018, 00:00
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Manuela Alves trabalha na Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL) praticamente desde a sua fundação. Há duas décadas que desempenha a função de diretora pedagógica e confessa que o trabalho que desenvolve continua a ser desafiante. Numa altura em que o presente ano letivo está a entrar na sua reta final e o próximo está já a ser preparado com afinco, o Jornal da Mealhada foi conhecer melhor a realidade daquele estabelecimento de ensino profissional, de onde continuam a sair, ano após ano, jovens altamente qualificados e prontos a integrar o mercado de trabalho.

 

Quais os objetivos estratégicos da EPVL para o próximo ano letivo?

O objetivo principal é que consigamos abrir as turmas a que nos candidatámos e efetivamente preencher essas turmas que temos aprovadas pelo Ministério da Educação. São, portanto, os cursos de Mecatrónica, de Eletrónica, Automação e Computadores, de Gestão, de Design Gráfico e depois as áreas de Cozinha e Pastelaria e de Restaurante/Bar. Depois, queremos continuar a formar bons profissionais, para que tenham sucesso, quer no mercado de trabalho, quer também no prosseguimento de estudos, que alguns com certeza irão fazer. Aliás, posso-lhe dizer que nas defesas das Provas de Aptidão Profissional, tivemos professores do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, que ficaram muito surpreendidos com a qualidade técnica dos trabalhos e projetos que os nossos alunos mostraram. Inclusivamente referiram que as provas estavam ao nível de uma licenciatura, não só pelos projetos em si, mas também por toda a apresentação de suporte e pela confiança com que estavam a apresentar.

 

Quais as principais diferenças na oferta de cursos para o próximo ano letivo?

No ano passado, apresentámos turmas em três áreas novas, nomeadamente Informática de Sistemas; Eletrónica, Automação e Computadores, que abrimos o ano passado pela primeira vez; e o curso de Padaria e Pastelaria, que por falta de candidatos não pudemos abrir. Este ano, não apostámos em nenhum curso novo e optámos por manter os cursos que já temos em carteira. Lamentavelmente, um dos cursos que existe desde o início da formação da escola, que era Informática de Gestão, não foi autorizado por indicações superiores da ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional). O que nos foi dito é que não era uma área relevante em termos de mercado de trabalho futuro, mediante um estudo feito pela ANQEP. Claro que ficámos admirados porque há muitos estudos que apontam que a área das novas tecnologias é um mercado de futuro. Ainda protestámos, mas não houve forma de voltarem atrás com a decisão.

 

Neste momento, já é possível fazer a pré-inscrição para o ano letivo de 2018/2019. Como tem decorrido este processo?

O público alvo dos cursos profissionais será sempre alunos a partir do nono ano e neste momento as aulas ainda não acabaram. Este é sempre um período em que vamos aceitando as inscrições, que serão avaliadas, e depois será feita uma entrevista para analisar o registo biográfico dos alunos, para então constituirmos as turmas. Só a partir de julho, é que todo esse processo entra em funcionamento. Não posso precisar qual o número de pré-inscrições que temos tido, mas está a decorrer de uma forma normal. Claro que o problema que todas as escolas têm neste momento, com a redução do número de crianças e jovens, acaba por se refletir no número de alunos por turma, que tem de ser no mínimo de 24. Sabemos que não conseguimos estabilizar as turmas logo em julho porque há sempre mudanças de curso e de escola até lá. Felizmente temos conseguido preencher as turmas e temos vindo a crescer gradualmente no número de alunos. Neste momento, temos na escola 302 alunos.

 

A elevada empregabilidade dos cursos da EPVL continua a ser um dos pontos fortes na atração de novos alunos?

Continuamos constantemente a receber pedidos de empresas que querem colocar alunos nossos, com o curso concluído. Agora, estamos a entrar numa fase em que os alunos do terceiro ano já estão a realizar a formação em contexto de trabalho e as empresas já dizem que aceitam o aluno com probabilidades de ficar a trabalhar após o estágio. Posso adiantar que temos alunos a estagiar na TAP, outros que foram estagiar para a EFACEC, temos empresas de renome que nos solicitam alunos para estágio. Neste momento, as empresas são seletivas e, se acolhem os nossos alunos, é porque efetivamente eles têm algum valor. Acho que temos de nos orgulhar desse trabalho. Daí que as expetativas têm sido muito boas em termos de empregabilidade. A área da Eletrónica apresenta um nível de empregabilidade excelente, assim como a área da Restauração, que efetivamente tem muita procura.

 

Sente que os professores estão satisfeitos com o trabalho que desenvolvem aqui na escola?

Acho que as pessoas gostam de estar cá, uma das marcas que identifica esta escola é a estabilidade do corpo docente. Procuramos manter o corpo docente enquanto tivermos oferta formativa que se enquadre nas competências dos professores. São 35 neste momento e a maior parte deles já tem mais de dez anos nesta escola, por isso penso que os professores estão satisfeitos por estarem cá. Somos uma escola democrática, temos um conselho geral de professores, onde todos têm assento e podem manifestar a sua opinião, podem ou não concordar com as decisões tomadas pela direção, mas as pessoas são efetivamente ouvidas.

 

As boas condições do espaço físico da escola são um fator diferenciador?

Sem sombra de dúvida. Acho que oferecemos um espaço com boas condições, essencialmente para os alunos. Comparativamente com outras escolas, e de acordo com professores que vieram de outras escolas, este edifício é uma mais-valia. Em termos dos espaços que disponibilizamos, poucas escolas oferecem estas condições. Temos até o caso do curso de Desporto, que abrimos no presente ano letivo, em que os alunos podem usufruir da piscina, dos pavilhões e dos campos de futebol e de ténis que estão perto da escola. Tudo isto é uma mais-valia na zona em que estamos implementados.

 

A qualidade das refeições servidas na EPVL continua a ser um dos destaques deste estabelecimento?

Sim, temos um refeitório onde são servidas, em média, cerca de 340 refeições diariamente, que são confecionadas por funcionários da escola, três pessoas que se encontram a trabalhar todos os dias na cozinha. Temos uma ementa que é feita por uma nutricionista, seguimos todas as normas de higiene e segurança alimentar, e temos o facto de fazermos uma comida muito caseira, parecida com aquela que comemos em casa. Os alunos gostam, a qualidade da comida é o que eles mais referem e de vez em quando fazemos aqueles pratos que eles gostam mais. Procuramos, claro, ter um equilíbrio nutricional nas refeições, alternando entre prato de carne e prato de peixe. Este ano, introduzimos um prato vegetariano, para corresponder às preferências de alguns alunos.

 

Que tipo de atividades ou projetos é que a escola tem vindo a promover, também em colaboração com outras entidades?

Temos colaborado com entidades concelhias, especialmente com a área da restauração, com os nossos alunos a prestarem serviços, fazendo aquilo que efetivamente aprenderam aqui a fazer. Agora, em julho, iremos participar no APTIPRO em Oliveira do Bairro, onde os alunos irão apresentar as suas Provas de Aptidão Profissional. Temos tido uma estreita colaboração com o Centro de Interpretação Ambiental da Mealhada, nomeadamente através do projeto “Eco Escolas” e com a participação de alguns alunos na elaboração de inquéritos. Este ano, por exemplo, levámos os alunos de Design à ARCO a Madrid (feira internacional de arte contemporânea), levámos alunos a fazer o Roteiro Queirosiano, em Sintra, e levámos outros à Barragem da Aguieira. Recentemente, tivemos um projeto no âmbito do Design Gráfico, que foi o “Dia D”, tivemos também as Jornadas da Restauração, vamos participar também num concurso a nível nacional de escolas que têm a área de Gestão, que é o “Young Business Talents”, em que uma equipa de alunos foi apurada para a final. No fundo, procuramos dinamizar os alunos, assim eles tenham vontade de absorver conhecimentos.

 

Há quanto tempo trabalha na EPVL e desde quando ocupa a função de diretora pedagógica? Quais são as principais responsabilidades deste cargo?

Assumi a função de diretora pedagógica em novembro de 1998, anteriormente estive como professora desde 1992, fui também diretora de turma e, em 1998, o eng. João Pega, na altura diretor da escola, convidou-me para assumir a direção pedagógica. Nos primeiros tempos, ainda conciliei estar na direção e dar aulas. Mas depois, pelo aumento de trabalho, acabava por ser complicado gerir as situações e acabei por ficar só mesmo na direção pedagógica. Essencialmente, sou responsável por tudo o que tem a ver com a formação. Desde a análise dos planos curriculares, ao cumprimento dos planos anuais por parte das turmas, à elaboração das candidaturas, assim como assegurar a qualidade da formação. Tudo o que tenha a ver estritamente com os cursos e com os alunos, sou eu no fundo que tenho de dar resposta.

 

Acredita que a escola tem vindo a fazer a diferença na vida de muitos jovens que por aqui passam?

É gratificante saber que alguns alunos, se não fosse esta escola, com certeza não teriam seguido o mesmo caminho. Temos cá alunos que são filhos de antigos alunos, porque de alguma forma a escola os marcou e, segundo aquilo que nos transmitem, dizem que foram bons anos, que se sentiram apoiados, ajudados e que valeu a pena. No fundo, não encaminhamos um filho para um sítio onde não fomos felizes, por isso acho que é uma marca. Continuamos a fazer a diferença na vida dos miúdos e eles sentem que nos importamos. Mais do que formar profissionais, o importante é formar pessoas. Pessoas com valores, com ética e que sabem dar valor ao que lhes é transmitido. Gratificante é saber que fizemos a diferença na vida do aluno, na forma como ele olhou para o futuro, isso é essencial.

Tags: escolaprofissional, ManuelaAlves, formarprofissionais
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