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CONHECER PORTUGAL: Salinas da Fonte da Bica de Rio Maior (Parte 1)
05 Set 2018, 00:00
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As Salinas Naturais de Rio Maior, mais conhecidas por Salinas da Fonte da Bica, que hoje iremos visitar, estão situadas, em Portugal, no sopé da Serra dos Candeeiros, a três quilómetros de Rio Maior e a 30 km do mar, e inseridas no Parque Natural da Serra d’Aire e dos Candeeiros.

Assentam numa grande jazida de sal-gema, existente no local, originada pelo processo de sedimentação do cloreto de sódio, de potássio e de magnésio, ocorrido há mais de 250 milhões de anos, em zonas litorais de lagunas e planícies de inundação de marés pouco profundas, num clima quente e seco, muito propício à rápida evaporação.

Estas lagunas e planícies eram alimentadas por águas marinhas, dando, assim, lugar a alternâncias de argilas salgadas e sal-gema, sendo, hoje em dia, estas argilas que separam o filão de sal-gema da superfície, servindo-lhe de proteção. Isto comprova que a Região de Rio Maior, por essas alturas, esteve coberta pelo mar, que, entretanto, recuou mais de 30 Km. Esta enorme jazida estende-se pela área da Estremadura portuguesa.

O que torna peculiar esta jazida em relação a outra grande jazida da mesma natureza existente em Portugal, que é a de Loulé, e de quase todas as outras jazidas existentes na Europa (v.g. Polónia), advém do facto de o solo da Serra dos Candeeiros ser de natureza calcária, com muitas grutas, algumas já celebres na região, e com muitas falhas na rocha. Deste modo, as águas da chuva que sobre ela caem entranham-se no seu solo, formando cursos de água doce subterrâneos, de tal forma intensos, que constituem autênticos rios. É um destes rios que atravessa essa grande jazida de sal-gema de Rio Maior e depois vai desaguar e alimentar o poço central da salina, com 9 metros de profundidade e 3,75 m de diâmetro. Esta água, que é doce antes de atravessar a jazida, torna-se depois salgada, 7 vezes mais salgada que a água do mar.

A água deste poço, que era inicialmente retirada com uma “picota ou cegonha” e um balde, é atualmente bombeada, por um motor, a partir desse poço, que pertence a vários proprietários.

Na época estival essa água salgada é encaminhada por “regueiras” que vão alimentar cerca de 400 compartimentos ou piscinas, feitos de cimento ou de pedra, de tamanho variado e pouco fundos, a que se dá o nome de “talhos” e 70 “esgoteiros”, que são talhos de maior profundidade, que armazenam temporariamente a água salgada para abastecer as salinas. Aqui a água é evaporada nos “talhos”, entre 3 e 6 dias, exatamente de acordo com o processo tradicional usado na extração do sal marinho, nosso conhecido das salinas do nosso distrito de Aveiro. Depois, o sal é rapado e vai secar numa eira, durante cerca de 60 horas. Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação da água obtêm-se o sal, depositado no fundo dos talhos e que depois é colocado em montes, em forma de pirâmides, para secar melhor, até ser recolhido.

O sal, assim obtido, no fim da evaporação, fica sal puro, com cerca de 97,94% de cloreto de sódio. Não leva qualquer tratamento químico, sendo, assim, totalmente biológico. Depois disto, fica nos “talhos” e é depois retirado e levado, pelos “salineiros ou marinheiros”, até aos armazéns da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Sal de Rio Maior, à qual pertencem os proprietários das salinas: Estes armazéns são construídos em madeira, incluindo a própria fechadura das suas portas e as suas chaves, para evitar a corrosão provocada pelo sal. Por ano, são recolhidas cerca de 1 000 a 2 000 toneladas, sendo que um litro de água equivale a 220 gramas de sal. Este sal, antes de embalado e comercializado para toda a Europa, é escolhido grão a grão por funcionários, para satisfazer até os clientes mais exigentes.

Devido ao exposto fenómeno da infiltração da água da Serra dos Candeeiros, a extração do sal aqui permite a utilização da técnica que é utilizada na extração do sal marinho, através da evaporação da água nas salinas. Na jazida de Loulé, a extração do sal das minas é diferente, porque ali não existe água e a sua extração é feita diretamente a partir da jazida. Então, começou por ser feita, desde o seu início, que remonta há apenas cerca de 50 anos, através da explosão de dinamite, hoje totalmente abandonada e com o uso de picaretas e martelos. Na atualidade, a extração é feita através do uso de uma máquina de perfuração, a que os salineiros chamam de “roçadora”. Depois as pedras de sal são transportadas em camiões, subterraneamente, onde são colocadas numa máquina trituradora, sendo daí transportadas, através de um poço, até à superfície.

Desta diferenciação de extração, com água ou sem água, resulta uma outra consequência importante: é que o sal de Rio Maior pode ser utilizado na cozinha para tempero dos alimentos ou, antigamente, para conservação das carnes, mas o de Loulé, não, devido ao seu alto grau de concentração de cloreto de sódio, na sua composição.

Tags: Nuno Salgado, Opinião
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