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Uma Mulher Agressiva Que Precisa De Ser Amada!
03 Out 2018, 00:00
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A irmã tinha ido à igreja dar-me o recado para passar a visitá-la. Logo que me foi possível, assim o fiz.

Quando cheguei, percebi que ela não estava só. Entro e a sua expressão foi de uma alegria acolhedora. Ao contrário da companhia que, num tom ríspido e agressivo, perguntou:

- Ó mãe, quem é este homem?

A mãe lá lhe respondeu:

- Ó filha, então não conheces o novo padre? Este senhor é que celebra missa na Mealhada!

A filha não deu tempo para a mãe, idosa e doente, dizer mais alguma coisa.

- Eu não quero nada com padres! Não acredito neles, nem nos disparates que eles ensinam. Isso de Deus é tudo mentira. É para gente com o espírito fraco…!

A mãe, ainda, interrompeu:

- Ó filha, que estás tu a dizer!? Estás a ofender a Deus e a faltar a educação ao senhor que me veio visitar.

Confesso que estava surpreendido, não tanto por aquilo que aquela filha me dizia, mas pela violência que destilava ao dizê-lo. Fiquei até um pouco nervoso. Mas, ela não deu tréguas.

- Olhe, eu acho que a mãe está mesmo doente. Andar com estas coisas da religião é uma perda de tempo, é mesmo para quem não tem juízo. Tome é a medicação e faça o que os médicos dizem e o resto são lérias!

Percebi que a mãe estava muito incomodada.

- Olhe, ó mãe, eu vou ali fora e já venho.

Depois, com o sorriso irónico e de troça, acrescentou:

- Fique aqui com este homem, o padre, mas não se deixe enganar!

Saiu sem mais nada dizer e sem dar oportunidade de eu lhe dizer algo. A mãe, deitada na cama, começou a chorar e soluçava de vergonha e de dor. Tentei confortá-la, pegando-lhe na sua mão e pedindo-lhe que se acalmasse. Reparei que toda ela estava a tremer, não pelo frio – era um dia de muito calor –, mas pela cena que se tinha passado.

Após uns breves momentos, dei-lhe um pouco de água. Já mais calma, lá me contou toda a história daquela filha… O pai tinha sido um carrasco para ela e as feridas, as desilusões e os castigos foram uma constante ao longo da sua vida!

- É uma revoltada e muito carente de amor. Não leve a mal, pois não é nada contra si!

Tentei dizer-lhe que não havia problema algum. A missão de ser padre também é saber sofrer o desamor dos outros. Aliás, toda a missão da Igreja, seja onde for, só é possível quando se é capaz de abraçar a «cruz» amorosa e as dores que ela provoca!

- Senhor Padre, ela já sofreu muito… Já foi muito humilhada! Só eu a compreendo. Mas, assim, doente e à espera da morte, que posso fazer por ela!?

Respondi-lhe:

- Reze por ela e nunca a deixa sair do seu coração, faça o que ela fizer! Faça como Deus faz connosco. Ame-a, sempre e cada vez mais, mesmo que tenha de sofrer com ela! Minha querida senhora, por causa do amor, vale a pena sofrer!

De novo se emocionou e disse algo que não percebi. Entretanto, tinha um funeral a seguir e não podia demorar mais. Despedi-me. Ela pediu-me a bênção e assim o fiz. Por fim, beijou-me a mão, não por mim, mas pelo «sinal» da bênção que Deus lhe tinha concedido.

Quando saí, vi a filha, na rua, a fumar nervosamente e com os olhos cheios de lágrimas. Disse-lhe «boa tarde», mas não me respondeu.

Ao fim do dia, quando estava a celebrar a eucaristia, numa das capelas, lembrei-me daquela mãe e daquela filha e, por descuido, emocionei-me! Pedi ao Senhor Jesus, presente no altar, que me desse a capacidade de um «amor maior» para que, através da minha fragilidade, seja remédio para tantas mães, tantas filhas, enfim, tanta gente, que ferida e revoltada por desamor na vida, só precisa de ser amada. Pedi também para ter a fortaleza de suportar o «desabafo» de tantos, mesmo que agressivo e violento, sem julgar, nem condenar, mas sempre acolhendo, no amor.

Depois, senti fazer eco em mim as palavras do Bispo Virgílio: “Jesus que acolhe a todos e tem uma proposta para cada um, independentemente da sua situação, é o nosso modelo de pastores, de cristãos ativos na comunidade cristã e de Igreja…”! Que grande desafio para a nossa fé!

Tags: Pe. Rodolfo, Opinião
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