Entrar  |   Registe-se  |   Ajuda
18 Novembro 2018
domingo


Apresentação
Estatuto editorial
Ficha técnica
Newsletter
Publicidade
Contactos
Onde Estou? Página Inicial » Frontal.com » Entrevista
Pesquisar
“O que a Misericórdia da Mealhada quer, e entende que existe necessidade local, regional e nacional, é dar resposta na área da saúde mental”
17 Out 2018, 00:00
Galerias Relacionadas:
  0 video(s)
  0 som(s)
  0 documentos(s)
Visualizações: 503
Acessibilidade:

A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada (SCMM) celebra 112 anos de existência ao serviço da região. João Peres, provedor da referida instituição há 17 anos, recorda qual o primeiro projeto que idealizou, partilha preocupações e projetos futuros para a continuidade de um caminho feito de “entreajuda entre todos”.

JM – Qual é o espirito que define um membro da SCMM?

JP – A entreajuda. A entreajuda que nós temos que ter uns com os outros. Aliás, acho que todos nós temos a obrigação, estando numa Misericórdia ou noutra instituição qualquer, de colaborar para o bem-estar da sociedade. Para além disso, a harmonia que existe nesta instituição entre a mesa administrativa, a administração e as próprias valências. A harmonia é o mais importante em qualquer instituição, em qualquer empresa…Todos falamos entre todos, todos remam para o mesmo lado e isso é muito importante.

JM – A SCMM comemora 112 anos de existência. Está a ser ponderada alguma novidade ao nível das valências disponíveis?

JP – O que a Misericórdia da Mealhada quer, e entende que existe necessidade local, regional e nacional, é dar resposta na saúde mental. Eu já demonstrei essa vontade ao Sr. Presidente (da Câmara da Mealhada) em desenvolver este projeto e umas instalações para desenvolver esta área da saúde. Eu não quero por querer, mas sim por ser uma necessidade a todos os níveis. Na nossa zona ainda não há ninguém que tenha investido nesta área da saúde mental, mas nós, nesta região, centro do país, julgo que somos das instituições ou a instituição mais bem preparada para gerir uma valência dessas, pela nossa experiência e pela nossa capacidade de gestão, nomeadamente, a nível profissional, até porque já temos a área da saúde. Porém, nós não estamos a querer investir na demência porque já temos o Hospital (Misericórdia da Mealhada), é pela necessidade que existe. Por exemplo, nós temos na valência da Terceira Idade 50% de idosos com demência e, portanto, esta é uma realidade que cada vez mais vai aumentar. Neste momento é só uma ideia, mas é por onde se começa!

JM – No ano anterior referiu que a SCMM tinha um projeto para um novo lar. Qual é o ponto de situação desse investimento?

JP – O projeto para o novo lar está na Câmara, com certeza que têm que consultar as entidades competentes para poderem fazer a aprovação do projeto e nós sabemos como é que estas coisas são. Nós queremos isto para ontem, é uma urgência, face às condições que temos, mas nós nunca sabemos quando é que as entidades respondem, como é que respondem e o que é que respondem. Penso que a Câmara está sensibilizada para a nossa necessidade, para a nossa urgência, e julgo que está a fazer com que o processo de aprovação seja o mais célere possível, mas são coisas que levam muito tempo. Não deveriam demorar tanto tempo, não sabemos porque é que demora tanto tempo, deviam ser mais céleres, mas vamos aguardar…O projeto já devia estar aprovado, até porque depois vêm os concursos e, entretanto, as necessidades começam a ser cada vez maiores.

No fundo, o que nós pretendíamos com este novo lar era concentrar numa única unidade, de forma a reduzir custos, os nossos idosos da valência da Terceira Idade, dando-lhes, ao mesmo tempo, melhores condições. Com este projeto, que não tem comparticipação e está a ser desenvolvido com capitais próprios, pretendemos desocupar as instalações do Prolongamento do Lar, também com o objetivo de aumentar as instalações do Hospital, que se está a tornar pequeno para o movimento que temos, para os serviços que prestamos. Efetivamente o nosso hospital está a ficar sem condições físicas.

JM – O HMM foi a primeira valência da SCMM e comemorou também, em agosto deste ano, 112 anos. O hospital está de boa saúde?

JP – Está! Habitualmente quando nos perguntam se está de boa saúde, referem-se à parte financeira, mas para nós não é a mais importante, ainda assim, financeiramente, está equilibrado. Efetivamente, o projeto de reabertura do Hospital está provado que é um bem para as populações. Futuramente, caso o projeto do novo lar seja aprovado, pretendemos mudar para as atuais instalações do Prolongamento do Lar, a unidade de Cuidados Continuados e de Fisioterapia, para darmos melhores condições às duas áreas da saúde.

Agora, em termos de prestação de serviço, de qualidade de serviço está ótimo! É um grupo de trabalho ótimo, com ótimos profissionais, que entendem a nossa missão e, nomeadamente, os médicos e os profissionais de saúde, que trabalham com o mesmo espírito de missão levam o Hospital ao êxito. O Hospital é bastante referenciado a nível regional e nacional, 50% dos utentes que recebemos são efetivamente do concelho e os outros 50% são todos de fora do concelho, vindos de todo o país, pela credibilidade do Hospital e dos serviços que presta.

JM – Existe alguma valência que mereça maior atenção da parte da SCMM?

JP – É a valência da infância. É uma área que nos preocupa, com a qual estamos na expectativa com o que vai acontecer com as novas regras que lhe estão associadas, com a entrega da educação às autarquias. É uma valência em que se verifica, efetivamente, que há bastante necessidade, não de funcionários, mas de utentes. É uma valência que não é rentável, que é deficitária, que será sempre deficitária, para nós e para qualquer entidade. Como é que nós vamos resolver o assunto? Temos que remodelar o modelo. Temos que melhorá-lo, obviamente, vendo as melhores condições com menor custo. Remodelar instalações para criar condições… no fundo, cumprir o que está legislado.

 

 

JM – As mudanças de que fala na valência da infância estão previstas para quando?

JP – Primeiro, estamos na expectativa. Penso que esta reestruturação passará por alguns acordos, no nosso caso, entre o Município e a própria Misericórdia, porque quando a educação é implantada por instituições de solidariedade social, como a nossa, se não tiverem apoio, como é que vão suportar o prejuízo?

Esta é uma questão que com o tempo se vai resolvendo, se vai melhorando… não é “olhar para a bola de cristal e soprar-lhe”!

JM – É provedor da SCMM há 17 anos. Que projetos começou por idealizar e que ainda não conseguiu concretizar?

JP – Muitos. Claro que as necessidades vão mudando, a sociedade vai alterando e nós termos que ir atrás das necessidades, mas um dos projetos iniciais que eu tinha era uma valência para apoio a mães solteiras…para mulheres maltratadas. Ainda antes de ser Provedor, antes de ser mesário, eu era apenas um voluntário e, nessa altura, eu via e ouvia muitas mulheres lamentarem-se que tinham que cuidar dos filhos, tinham que trabalhar e que ao final do dia, depois de tratar dos filhos e de fazer a lida da casa, ainda levavam porrada dos maridos. No outro dia de manhã tinham que ir trabalhar e algumas não iam porque ficavam negras e tinham vergonha de ir trabalhar assim. Isto acontece muito e acontece mais do que aquilo que se divulga, porque as pessoas têm vergonha, eu já não digo que têm medo, têm vergonha! E há muitas mulheres que não fogem porque não têm meios para fugir. Vão para onde? Não têm casa, não têm nada…e era nessa área que eu queria fazer serviço… Queria criar uma comunidade de mães solteiras e maltratadas e dar-lhes condições de habitação e, obviamente, de trabalho.

Quando falo num projeto para mães solteiras e maltratadas, falo também de um projeto para jovens. Há muitos jovens dos dois sexos que são abandonados, mas já com uma certa idade, ou porque os pais se separaram, ou porque fugiram, ou porque morreram e depois andam por aí aos caídos, acabando por se estragar.

Este é um projeto que, efetivamente, tenho há muitos anos, mas não sei se vou conseguir concretizar.

JM – A ligação da SCMM com a Igreja já está concretizada desde a fundação. Tem sido uma relação profícua?

JP – A Igreja, para com as Misericórdias, e em especialmente a nossa diocese (de Coimbra), tem contribuído sempre para o nosso desenvolvimento. A Igreja está sempre aberta a contribuir, a colaborar connosco nas ações que desenvolvemos. Noto que, às vezes, algumas Misericórdias, talvez tenham medo que os padres se intrometam nos assuntos das Misericórdias… Eu não vejo mal nenhum em o Sr. Padre ou Sr. Bispo se intrometerem nos assuntos da Misericórdia, desde que seja por bem… E a Igreja está sempre por bem.

JM – Em outubro do ano passado convidou o Pe. Rodolfo Leite para Capelão da SCMM. Que balanço faz deste ano que passou?

JP – Tem sido ótimo. Penso que foi a primeira vez que a instituição convidou oficialmente o Pároco para ser Capelão. Obrigatoriamente a Misericórdia devia ter um Capelão, mas nós nunca tivemos um Capelão nomeado. Agora, o Padre Rodolfo é um padre bastante ativo, um homem simples, bondoso e sempre pronto para colaborar. 

Aliás, a Missa dos Avós, na Capela de Santa Ana, foi uma intromissão, no bom sentido do Padre Rodolfo. O Padre Rodolfo é que se lembrou, não foi o Provedor nem a Misericórdia, de celebrar a Missa dos Avós e ela encaixa perfeitamente numa instituição como a nossa.

Tags: Provedor, 112 Anos, SCMM
Documentos para Download
Notícias Relacionadas
Classifique esta notícia:  Sem classificação
0 Comentário(s)
Videos
Mais comentadas
Mais lidas
Pesquisa de imóveis »
 
Terreno Rústico
Venda -
Coimbra
Tábua, Covas e Vila Nova de Oliveirinha
Consultar Imóvel »
Moradia Isolada T3
Venda - Usado
Coimbra
Figueira da Foz, Vila Verde
Consultar Imóvel »
Quartos   
© 2011 Jornal da Mealhada. Todos os direitos reservados. Política de privacidade Desenvolvido por  Marques Associados Digital Lda.