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Tudo na Mesma?
31 Out 2018, 00:00
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O 15 de Outubro de 2017 será para sempre um dia infame que ficará indelevelmente gravado na memória de todos os Portugueses e que não podemos nem devemos forçosamente deixar cair no esquecimento, tanto pela enorme expressão do seu significado, como pela necessidade imperiosa que existe de se retirarem todos os possíveis ensinamentos, no sentido de procurar evitar que este tipo de catástrofes se possa repetir. Um ano depois, há uma pergunta que se impõe: ficou tudo na mesma?

É complicado transmitir por palavras a magnitude daquele desastre. A Protecção Civil anunciava nos órgãos de Comunicação Social que aquele era o pior dia de um ano que já de si estava a ser péssimo, com os números de área ardida e de vítimas mortais a suplantar largamente todos os registos que havia até então. A memória do terrível incêndio de Pedrógão, em Junho, ainda estava bem viva, e o de Outubro acabou por queimar muito mais floresta, fábricas e casas… tendo registado, apesar de tudo, um número de vítimas um pouco menor. Uma das mais recorrentes expressões utilizadas para definir o ambiente sentido foi precisamente o do “inferno” a que se assistiu, sendo que parecia que estava de dia e era de noite, com uma temperatura brutal e os ventos fortíssimos do Ophelia a potenciarem toda uma desgraça, por cá nunca antes testemunhada. Na altura, questionei o porquê do flagelo dos incêndios florestais ser tão singularmente recorrente em Portugal, tendo apontado razões relacionadas com as deficiências ao nível do ordenamento da floresta, o incumprimento da lei vigente, uma justiça demasiado branda com criminosos, uma prevenção florestal deficitária ao nível da vigilância, a monocultura como um factor potenciador de fogos em larga escala, a ausência de zonas tampão em posições estratégicas, com espécies de menor inflamabilidade, o cientificamente evidente fenómeno das alterações climáticas, a descoordenação de recursos humanos e materiais, os lobbies da indústria do fogo, etc.. sem esquecer a ausência de um planeamento de fundo para o desenvolvimento rural de um Interior que está cada vez mais envelhecido, abandonado e imperdoavelmente esquecido.

O Governo tem, todavia, procurado fazer alguma coisa. Anunciou medidas arrojadas no sentido de combater a plantação ilegal de eucalipto (cuja multiplicação seminal se tem revelado um problema dentro de outro problema), tendo garantindo ainda que os objectivos traçados para a criação de faixas de interrupção de combustíveis tinham sido alcançados, além da abertura de quase mil quilómetros de novos caminhos florestais. Foi anunciada centena e meia de detenções e a identificação de quase um milhar por suspeita de fogo posto, além de centenas de contraordenações por queimadas e alguns milhares de coimas pela não limpeza dos terrenos, no âmbito do sistema de defesa da floresta contra incêndios. Parece-me, por tudo isto, ser intelectualmente desonesto afirmar que está tudo na mesma. Agora, será que chega? Não creio, até porque esta é uma luta que não cessa.

O maior de todos os entraves continua a ser a falta de capacidade de fiscalização. Existe um conjunto de leis mas estas não são cumpridas, parece-me até que são culturalmente ignoradas pela maioria dos portugueses. Sem dureza na sua aplicação, e o respectivo efeito dissuasor a ela associado, não nos pode restar grandes esperanças de que as coisas efectivamente venham a ser diferentes para melhor.

Não... passado um ano da inesquecível calamidade não está tudo na mesma, mas ainda há um longo caminho pela frente. Resta-nos continuar a trabalhar e acima de tudo não esquecer.

Tags: Opinião, Mauro Tomaz
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