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257 - A proteção civil não é o pai natal
09 Jan 2019, 00:00
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Há dois anos foi o desastre total com dezenas de mortes. No ano de 2017 foi o melhor dos males, pouco havia para arder, mas foi uma vitória segundo a partidarite. Este ano entre polémicas e jogos de poder, um Natal trágico faz a morte duma equipa aerotransportada de saúde pública, a que se associa um enredo de anarcas e burocratas que não descobriram o Heli. É o colapso da proteção urdida nos partidos. Ou seja, uns clientes mais a controlar os meios dão nisto. Regras, horários, fichas, chefias, requerimentos, papeis, licenças. Por fim, salvar o próximo. Uma paralisia frustrante, num sub-produto saído de inteligências partidárias, sábias cabeças das margens da corrupção e bancarrota. O oposto da ajuda a quem precisa. O absurdo de se poder legislar qualquer coisa “boy a boy”! Uma gigante unidade de comandos e subes que leva horas a juntar terços para acudir a quem está com a corda na garganta! Duzentos e três homens perdidos no terreno, sessenta e nove a olhar o vale do rio Ferreira, mais cinquenta e cinco carros numas curtas andanças e os galões a seco porque chove.

Sete horas para encontrar em Valongo, freguesia de Valongo, área metropolitana do Porto, um Heli, amarelo vivo, com quatro vítimas dentro. Desfeito, duas dentro e duas fora. A proteção civil não anda à chuva, muito menos em vendavais, garantia para os portugueses numa futura catástrofe. Um tsunami e não se sai das casernas! Não há focos, holofotes, um acidente não é nenhuma festa que dê votos! Mas dá ajudas de custo, ainda que na barraca!

Um patético coronel, gordo, limpo, farda passada a ferro, galões cinzento mate, chega à conferência de imprensa sem nada para dizer. Homem doutro planeta, não sabe nada. Além dos regulamentos, da lei, do protocolo. Guardas de honra, seis de cada lado numa mesa quadrada apoiam o silêncio. Sabem o mesmo nada que sabe o graduado. Há regras a seguir, preceitos, autorizações, sentinelas e continências. Chefias, os bombeiros, o INEM. Das vítimas nada. Mortas ainda não estão. Às vezes há milagres! Nada foi encontrado, ouviu-se. Quase sete horas após o desastre, às portas do Porto, área metropolitana, falam em prolongar o metro de superfície e tudo! E nada. No alto, Santa Justa tem uma ermida. O que esperar da santa assim de supetão?

E grotesco do grotesco, foi preciso meia dúzia de motards do clube local para encontrar os corpos e o aparelho desfeito na noite de breu… Disseram em entrevista. Bateu numa antena de oitenta metros de altura, sem luz, no cimo do monte. E despenhou-se por ali abaixo como não podia deixar de ser. Nem a santinha, lhes valeu! Uma antena sem sinalização. Fui eu, um cidadão que a autorizei e esqueci de iluminar. Não serviram de nada os telemóveis do heli, das vítimas, dos organismos. O GPS muito menos, o Siresp costeiro nem se fala! E depois protocolos e continências não salvam população.

É isto a proteção civil que manipula bombeiros? È isto que querem fazer ao ministério público, controlado pela “boyada” dos partidos? São inocentes que morrem, voluntários sem nome e sem galões. Não são robots. Se alguma das vítimas chegou com vida ao solo, não sabemos, morreu da cura. Como quatro dezenas há dois anos, assadas na estrada de Pedrogão. A mesma inépcia. Semelhante anarquia. A serra de Monchique ou a estrada de Borba! Os mesmos funerais, as mesmas homenagens, iguais figurantes em altas cilindradas. As mesmas palavras e inquéritos sem resultado.

No domingo, quando os grunhos da bola derem uns pontapés, será como antes. Esquecem-se os mortos como os banqueiros que roubam! Cala-se com cinco ou dez euros a tripa do ordenado, a humildade com a cultura pindérica e Portugal com o paraíso europeu!

E o Pai Natal faz a festa!

Esta versão de proximidade é da rede da comunicação social e embora sem uma fita de tempo, é a sucessão dos factos contados. Imagens, palavras, entrevistas, opiniões no seu tempo real. Pêsames às famílias.

Tags: Opinião, Ferraz da Silva
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