Entre vozes e vibrafone: Coral da Bairrada assinalou aniversário
O Coral da Bairrada realizou um concerto comemorativo que assinalou o seu 13.º aniversário no dia 30 de maio de 2026,
O Coral da Bairrada realizou um concerto comemorativo que assinalou o seu 13.º aniversário no dia 30 de maio de 2026, às 21 horas, no Cineteatro de Anadia.
A presidente da direção da Associação Coral da Bairrada, Patrícia Alegre, contou ao Jornal da Mealhada (JM) que o aniversário da associação foi em fevereiro, mas por questões logísticas fizeram um evento mais direcionado para os sócios, um almoço de aniversário; desta forma, decidiram realizar o concerto comemorativo no mês de maio.
O espetáculo contou com a participação do Coro Misto da Universidade de Coimbra, dos músicos João Nuno Teixeira e Rodrigo Paredes, integrando diversos momentos de especial significado para a Associação, nomeadamente uma homenagem póstuma a Custódio Pereira e a atribuição de um Voto de Louvor a Rosário Forte. O programa da celebração reuniu diferentes abordagens musicais, desde a interpretação a cappella até à participação instrumental de guitarra e vibrafone.
“Tivemos alguns temas acompanhados à guitarra e também com um vibrafone, que é algo único. São temas que foram pensados para coro. E em parceria com o nosso maestro e com os instrumentistas, incluímos este plus. O vibrafone é um instrumento de percussão que não é muito comum, há poucas pessoas que conhecem, e deu um toque ainda mais especial”, ilustrou a presidente.
Ao longo da noite, o Coral da Bairrada apresentou um alinhamento que refletiu o percurso artístico e a identidade do grupo ao longo dos últimos anos. O concerto culminou com a interpretação conjunta da obra “Acordai”, de Fernando Lopes-Graça, reunindo em palco os dois coros participantes. Outro momento marcante do concerto foi a homenagem póstuma a Custódio Pereira, figura incontornável da história do Coral da Bairrada, através da interpretação do tema “Por Quem Não Esqueci”, especialmente preparado para esta ocasião pelo Maestro Eduardo Almeida e por João Nuno Teixeira. O momento culminou com a entrega de um Voto de Louvor Póstumo à família do homenageado. A Associação prestou igualmente um público Voto de Louvor a Rosário Forte, reconhecendo o seu percurso, dedicação e contributo humano e associativo ao longo dos anos.
Sob direção artística do Maestro Eduardo Almeida, “o espetáculo procurou afirmar uma visão renovada do canto coral, aliando exigência musical, diversidade estética e proximidade ao público, num concerto que celebrou não apenas os 13 anos de história da instituição, mas também o seu presente e as suas ambições para o futuro”, realçou Patrícia Alegre.
Para além do concerto, a presidente da direção afirmou que as comemorações prolongaram-se num momento de convívio entre coralistas, convidados, familiares e amigos, reforçando a dimensão humana e comunitária que caracteriza o Coral da Bairrada desde a sua fundação. O feedback recebido por parte do público, convidados e entidades presentes “foi extremamente positivo”, destacando a qualidade artística do espetáculo, a originalidade do formato apresentado e a emoção transmitida ao longo da noite.
Segundo a presidente da direção, a associação originou-se com cinco sócios fundadores, que quiseram colmatar um nicho que, na altura, não existia com esta dimensão na zona de Anadia. “Com o amor que tinham à música, decidiram dar início a esta associação. A maior fatia é realmente a parte coral, embora tenha existido também a ideia de uma escola de música associada à atividade regular da associação”, relata. Patrícia Alegre contou ao JM que, no início, houve um núcleo “muito grande de coralistas”.
Atualmente, o coro conta com cerca de 40 coralistas ativos, embora agora tenham entrado novos elementos. Em termos de sócios inscritos, a presidente aponta que são 167. “Temos uma menina de 15 anos e um rapaz de 18 ou 19 anos. Depois as idades começam nos 30 e muitos anos”. A maioria está acima dos 60 anos, havendo elementos com mais de 80 anos, alguns deles presentes desde a origem da associação.
A sede fica localizada numa antiga escola básica de Famalicão, cedida através de protocolo com o município. O maior desafio, segundo a presidente, foi, no pós-Covid, a captação de novos elementos. “O Covid veio agravar uma fase de declínio, porque não podia haver ensaios e, num coro a cappella, esse afastamento é muito complicado.”
Desde a entrada do maestro Eduardo, a presidente realça que houve uma grande mudança no Coral da Bairrada. “Trouxe uma nova energia e abordagem artística. Esta direção é mais jovem e trouxe uma visão diferente daquilo que pode ser a cultura, a música e o espetáculo”, sublinha.
Patrícia Alegre expressou ao JM que há um projeto que ainda não pode ser divulgado, mas que o Coral espera concretizar no próximo ano. Para o futuro permanecem os sonhos, que, segundo a presidente, “seria participar em concursos internacionais de coros”. “Poderia enriquecer muito a experiência do grupo e mostrar que conseguimos ir mais longe do que aquilo que às vezes imaginamos”, afirmou Patrícia Alegre.
Autor: Jornal da Mealhada



