“Feminismo para tod*s” destaca papel das mulheres na arte em nova Roda de Conversa
Promover o diálogo e desconstruir preconceitos são alguns dos pilares do projeto.
Promover o diálogo, desconstruir preconceitos e dar visibilidade às mulheres na sociedade são alguns dos pilares do projeto “Feminismo Para Tod*s”, que continua a dinamizar momentos de reflexão no concelho de Cantanhede. A mais recente iniciativa, a Roda de Conversa “Ser Artista, Ser Mulher”, trouxe para o centro do debate a relação entre arte, memória e igualdade, cruzando percursos de diferentes gerações de mulheres artistas.
Feminismo Para Tod*s
Projeto Feminismo Para Tod*s é um movimento da sociedade civil criado em 2022 por quatro amigas — Ana, Célia, Sofia e Tânia — com o objetivo de promover espaços de diálogo e reflexão para uma sociedade mais consciente, inclusiva e participativa.
No concelho de Cantanhede, dinamiza mensalmente Rodas de Conversa que incentivam a partilha de experiências e o debate informado sobre feminismo, justiça social e participação cívica, contando com convidadas e convidados ligados aos temas em destaque.
O projeto reconhece que o feminismo continua a ser alvo de equívocos, esclarecendo que não defende a superioridade de um género, mas sim a igualdade de direitos e oportunidades, combatendo a discriminação e a exclusão.
De natureza voluntária, independente e sem fins lucrativos, o Feminismo Para Tod*s é aberto a toda a comunidade e tem participação gratuita.
Roda de Conversa “Ser Artista, Ser Mulher”
No dia 21 de fevereiro, no Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede, realizou-se a sessão “Ser Artista, Ser Mulher”, que marcou o arranque do 4.º ciclo de Rodas de Conversa promovidas pelo projeto Feminismo Para Tod*s.
A iniciativa integrou a 4.ª edição do projeto cultural “Gente da Nossa Terra”, dedicada a Maria Amélia de Magalhães Carneiro (1883–1970), pintora naturalista inspirada pelas aldeias gandaresas do concelho, fundadora da primeira escola de arte de Cantanhede e uma das primeiras mulheres a frequentar a Academia Portuense de Belas Artes.
A conversa contou com a participação da artista plástica Dina Lopes e de Maria Manuel Magalhães Carneiro, sobrinha-neta da pintora, atualmente envolvida na divulgação da sua vida e obra.
O diálogo partiu da relação entre arte, vida e feminismo para refletir sobre visibilidade, reconhecimento e memória das mulheres nas artes. Foram traçados paralelos entre o percurso de Maria Amélia, no início do século XX — quando o acesso das mulheres à formação artística era limitado — e o de Dina Lopes, já no final do século XX, numa época em que, apesar de maior presença feminina nas escolas de arte, persistia a invisibilidade das mulheres artistas na História da Arte.
Separadas por quase um século, ambas evidenciam que determinação, confiança e apoio familiar foram determinantes para afirmar o seu lugar no mundo artístico. A sessão reforçou a importância de preservar a memória das mulheres nas artes e de valorizar a obra pelo seu mérito, independentemente de quem a cria.
Várias obras de Maria Amélia estão patentes ao público no Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede até 10 de maio.
Fotografias : Fernando Simões
Autor: Fernando Simões



