João Pequeno e Virgem Suta animaram noite no Cineteatro Messias
O Cineteatro Messias recebeu João Pequeno e os Virgem Suta, no passado dia 13 de novembro, em dois espetáculos “divertidos” […]
O Cineteatro Messias recebeu João Pequeno e os Virgem Suta, no passado dia 13 de novembro, em dois espetáculos “divertidos” com um público “bastante recetivo”. João Pequeno foi o artista que abriu a noite onde música não faltou e, juntamente com a Secção de Ballet do Hóquei Clube da Mealhada, garantiu um concerto que “correu muito bem”.
“Gostámos imenso de ter estado lá por vários motivos. Primeiro porque para mim é um desafio enorme cantar neste tipo de espaço e para um público que se calhar não está tão habituado a rap porque na minha área de música normalmente não se usa tantos instrumentos, não estamos habituados a tocar assim em cineteatros e para mim está a ser muito bom. Geralmente é em espaço aberto mais com o intuito de fazer dançar do que propriamente de fazer pensar. Eu tenho adorado fazer isto e na Mealhada comprovou-se que realmente consigo fazer chegar a minha música e o meu rap a pessoas que não estão tão habituadas a ouvir, então foi muito bom desde já por isso. Em segundo lugar, e não menos importante, por poder ter em palco pessoas com outras artes como aconteceu com a Academia de Dança, tanto de ballet como a dança Jazz, e ficou muito giro. Eu não imaginava que ficasse tão bonito e que se dedicassem tanto e adorei mesmo”, disse João Pequeno, acrescentando que a “sala estava bastante composta” e que esta foi a sua primeira vez na Mealhada.
Num contexto mais intimista, João Pequeno aproveitou o momento para contar a sua história através das suas músicas, começando pelo seu percurso desde miúdo, que fazia músicas em casa a cantarolar, até ao dia de hoje, que já é pai e adulto. Enquanto rapper e natural do norte, o artista começou pelo tema “Siga”, em homenagem a um delinquente muito conhecido dos bairros do Porto e que foi a partir dele que não só conheceu os bairros, como começou a sua paixão pelo rap, pois na altura era nesses bairros que se ouvia esse género de música. “Depois cantei uma música nova, chama-se “Fotografia”, ainda não saiu, mas basicamente fala sobre o porquê de hoje gostar de música. Normalmente quando somos crianças falamos sempre que queremos ser engenheiros, ou doutor, ou polícia. Normalmente é sempre como o pai e eu nunca quis ser como o meu pai, que era um engenheiro sem interesse aparentemente nenhum, a chegar a casa de fato e gravata. Até ao dia em que eu encontrei na sala uma fotografia dele que descobri que o meu pai antes de nos ter aos 4 filhos tinha sido algures no tempo um baterista de cabelo comprido e aquilo fez luz na minha vida e percebi de onde vinha a minha veia artística. E fala que hoje a minha filha anda pela casa a fazer exatamente aquilo que fazia quando era miúdo e que esta coisa da música passa sucessivamente”, contou o artista.
“Sexto Ano” foi outro tema que João Pequeno levou ao público da Mealhada, que fala sobre a primeira relação no sexto ano de escola, relação essa com uma menina que é hoje sua mulher e mãe da sua filha. Outro dos temas foi “Tu Já Sabias” que fala exatamente sobre os miúdos que estão um dia na fila da frente a ver os seus cantores e um dia podem estar em palco. “O tema “Tu já sabias” tem a ver com o meu gosto pelo rap e bandas aqui do Porto e as bandas que eu gostava de ouvir e que ia aos clubes das cidades ouvi las, com destaque para a minha favorita que é os Dealema e um membro dos Dealema que se chama Mundo Segundo e que eu adorava e que um dia mais tarde consegui fazer uma música com o Mundo Segundo que se chama “Tu Já Sabias”, disse João Pequeno. Escolheu este espetáculo para apresentar o mais recente tema “Último Dia”, uma reflexão feita na pandemia, que fala sobre o que realmente importa.
O artista salientou a importância que tem em explicar as letras das músicas, sobretudo no rap. “Eu acho que não faz sentido chegarmos a uma sala destas e não explicarmos e cantarmos sem contextualização prévia. Eu acho que as pessoas recebem muito melhor e estão com muita mais atenção àquilo que estou a dizer se for conversado assim e também se identificam. E o meu espetáculo fala sobre ter um sonho e ir atrás dele, independentemente de ser na música ou não. No meu caso, é na música2, mencionou o artista, revelando a sua vontade em regressar ao concelho da Mealhada, já que foi “muito bem recebido”, tanto pelo público como pelo Cineteatro que tem ótimas condições. “Foi muito bom principalmente pelos grupos que estiveram lá connosco, foram incansáveis, dedicaram-se imenso e ficou muito giro o resultado”, afirmou.
Autor: Jornal da Mealhada
