Sexta-feira, 22 de Agosto de 2025

Manuel Lourenço, o amolador que ainda percorre Portugal de bicicleta

Manuel Lourenço, o amolador que ainda percorre Portugal de bicicleta

Cultura

Manuel Lourenço, o amolador que ainda percorre Portugal de bicicleta

Nas ruas da Mealhada ecoa um som que poucos já reconhecem, mas que ainda desperta curiosidade: o assobio característico do amolador de facas.

Nas ruas da Mealhada ecoa um som que poucos já reconhecem, mas que ainda desperta curiosidade: o assobio característico do amolador de facas. “Olha o amolador!”, ouve-se, como nos tempos de outrora. Ao som do pregão, surge Manuel Lourenço, de Coruche, um dos poucos que ainda mantém viva esta arte itinerante.
Há décadas que Manuel percorre o país de norte a sul, levando na sua carrinha o essencial para o ofício, mas é na bicicleta que ganha maior proximidade com as localidades por onde passa. “Já passei por Soure, Condeixa, Coimbra, e agora estou na Mealhada”, conta ao JM.
Começou a trabalhar ainda adolescente, aos 15 anos, movido pela curiosidade ao ver outros amoladores em ação. “Experimentei por brincadeira, mas gostei. Fui aprendendo e nunca mais parei”, lembra. Hoje, com uma carreira feita a pedalar e a amolar, conhece mais de 80% do território português — e muita gente, garante com um sorriso orgulhoso.
Os clientes mudaram com o tempo. Já lá vai a época em que as donas de casa lhe traziam as facas do quotidiano. “Agora, só passo pelas cidades onde há muitos restaurantes. Antigamente havia mais procura dos particulares, hoje em dia isso já não acontece”, lamenta. Os principais clientes são agora restaurantes, lojas de manicure e costureiras, que dependem de utensílios bem afiados para trabalhar.
O dia de trabalho de Manuel Lourenço não tem hora para acabar. “Trabalho até haver clientes. Às vezes já anoiteceu e ainda estou nas esplanadas dos restaurantes a afiar facas”, revela.
Além de afiar facas, Manuel já trabalhou na apanha de pinhas e na extração de cortiça — profissões duras que também fazem parte do seu percurso. Mas é a arte de amolar que mais o liga às pessoas e ao país.
Após a breve conversa com o nosso jornal, seguiu viagem para Águeda e Oliveira do Bairro, com Espinho como destino seguinte. E é assim que continua, quilómetro após quilómetro, a preservar uma profissão quase extinta.
Apesar do amor pelo que faz, Manuel é realista: “Penso que esta profissão vai acabar dentro de mais alguns anos, porque não há quem lhe dê continuidade.” Até lá, continuará a pedalar com o som do assobio e do eco de uma tradição.

Mealhada

Autor: Jornal da Mealhada

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