Terça-Feira, 19 de Maio de 2026 às 17:04

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais
Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto
Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto
Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais-@Daniela Pinto

Cultura

Quintal em Barcouço revela segredos das plantas medicinais

Em Barcouço vive Joaquim Ramos Silva, que vai celebrar 80 anos, ao longo da sua vida, cuida de diversas espécies de plantas

Em Barcouço vive Joaquim Ramos Silva, que vai celebrar 80 anos. Atualmente, é membro da Banda Filarmónica Lyra Barcoucense e escritor de poesia com livros lançados. Uma das suas grandes inspirações são as plantas, sobre as quais tem um profundo conhecimento adquirido ao longo da sua vida, criando e cuidando de diversas espécies de plantas no quintal da sua casa. No âmbito do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, o JM acompanhou Joaquim Ramos Silva, que apresentou algumas plantas que tem no seu quintal a sua finalidade medicinal.

A sua história com as plantas começou quando ainda era muito jovem. “Antes de ter 14 anos, fiquei a ajudar a minha mãe nos campos. E por isso é que adquiri um conhecimento durante cinco ou seis anos a trabalhar nos campos, aprendi o gosto e o conhecimento da agricultura”, conta. Da agricultura também nasceu o fascínio pela poesia e relata que as pessoas questionavam porque não escrevia um livro sobre ervas. Então decidiu escrever um livro sobre ervas, mas de forma diferente, originando um dos seus lançamentos, onde as plantas são retratadas em verso. “São 42 plantas, sete legumes e sete frutos, que acho mais importantes para a nossa alimentação”, relata.

Afirma que o conhecimento sobre as plantas é essencial porque “algumas curam, outras matam. É o dever de quem gosta da natureza procurar ensinar aos mais novos essas virtudes que as plantas têm. Há um sábio qualquer que disse um dia assim: tudo é veneno, dependendo da quantidade”, expressa.  Joaquim Silva conta que é vegetariano desde jovem, numa altura em que poucos percebiam o significado do regime alimentar, e relembra que chegou a ser chamado de comunista por as outras pessoas acharem-no estranho por escolher excluir a carne da sua dieta.

No seu quintal, mostra ao JM a planta do hibisco, que expressa ser medicinal e aponta haver várias espécies diferentes. De frutas, realça os kiwis, limões, abacates, pêssegos, nozes, feijoeiras, romãs, amoras e alguns maracujazeiros. Joaquim mostra ao JM as suas uvas e explica que no seu quintal não usa inseticidas. “Elas não precisam de levar inseticidas, também tenho cenouras e outras coisas que vou plantando com estilos orgânicos. Só usamos às vezes adubo, por exemplo para milho-do-terço. Mas tudo o que é raiz é feito com extremos orgânicos”, afirma.

Em relação às plantas medicinais, Joaquim Silva caminha pelo quintal, onde possui diversos vasos, sendo notável o perfume no ar. “Tenho várias qualidades de hortelã, malvas, coentros, sálvia, que são nutritivas para as abelhas e os abelhões, especialmente as aromáticas. Tenho algumas selvagens que uso quando vou às escolas, lares ou a jardins de infância fazer divulgação”, aponta.

Aponta para o morangueiro e relata que, além de saborosos, são medicinais, tanto o fruto como a planta. “Tenho uma hortelã-mourisca, talvez a mais saborosa; existem umas seis ou sete qualidades, mas esta tem um sabor fora do comum. Todas as hortelãs são ricas em mentol, sendo aconselhadas para problemas de gripe e digestão. Depois, quando bebo é com um bocadinho de mel das minhas abelhas”, conta Joaquim Silva. Seguidamente, pega noutro vaso e mostra a sálvia que diz “ser indicada para as senhoras, quando chegam à altura da menopausa”, acrescentando ainda que o tomilho é uma “excelente medicina natural para problemas de constipações e um bom tempero para pratos de comida”.

Além das hortelãs que referiu, Joaquim Silva explica que existe a hortelã selvagem, popularmente chamada de hortelã-de-burro, referindo que é mais forte e relembra que “em garoto tinha dores de barriga, e os pais e avós davam chá desta hortelã, que é mais forte.” Entre as plantas que Joaquim Silva expressa serem as mais úteis que a natureza proporciona ao ser humano está a tanchagem. Apontando haver três espécies, as “folhas são comestíveis quando estão tenrinhas, atuando sobre todo o organismo. É quase um milagre da natureza”, destaca.

O verbasco-branco, segundo Joaquim Silva, dá uma haste grande com as flores amarelas muito bonitas, cresce quase à altura de uma pessoa e aponta ter “poderes emolientes”. Ajuda os pulmões afetados, cheios de muco, para que este se dissolva e saia com facilidade. De seguida, Joaquim Silva mostra ao JM o que caracteriza como uma “ervinha engraçada, mas com um poder muito grande”, a erva-de-são-roberto. “É boa para tudo, mas há outra muito parecida que é venenosa. Por isso é que a gente faz duas ou três caminhadas por ano, e vai explicando qual é a diferença entre as que fazem bem e as que fazem mal às pessoas”, alerta, realçando as atividades em que participa da Associação Planalto.

Retornando à sua apresentação ao JM, aponta para o abacateiro “jovem” que explica estar à espera de ir para um sítio definitivo. “Os abacates são extraordinários para a saúde. É uma fruta gordurosa e as folhas combatem o inchaço, o colesterol e ajudam a baixar a tensão.” Perto do abacateiro está o funcho, que diz ser uma planta muito comum nesta zona. “As folhas tenrinhas, cortadas muito fininhas, misturadas nas saladas, dão um sabor muito agradável. Há médicos que já receitam o chá destas ervas às mães que estão a amamentar e os bebés têm gases. As sementes têm um óleo muito rico que combate os gases. Podem-se moer as sementes, fazer chá delas, ou comprar o óleo já feito. Além de que também serve para fazer aquela bebida forte, o anis.”

No seu quintal, Joaquim Silva também tem uma alface-brava e conta uma curiosidade: os pecíolos dela são usados para fazer medicamentos naturais para o sono. Relata que se tira uma folha e começa a vir um líquido branco, que se chama látex, que é muito amargo e tem propriedades que fazem o organismo relaxar. Mas Joaquim Silva alerta que se deve beber com a ajuda de um profissional. Joaquim Silva faz uma demonstração ao JM e apresenta a celidónia; partindo um dos caules, mostra um líquido amarelo que sai da planta, a que se refere como sendo “o betadine dos povos”. Joaquim Silva coloca no seu braço a ponta por onde sai o líquido amarelo e explica que, se tivesse uma ferida, o betadine natural da planta iria desinfetar, descrevendo que arde muito porque queima, sendo cauterizante. “É utilizada para verrugas, mas não se pode consumir”, avisa.

Com a visita do JM a chegar ao fim, Joaquim Silva monta na sua garagem uma mesa de degustação, começando por apresentar um favo cheio de mel, cortado recentemente. “Quando vou a uma escola, levo para distribuir aos meninos”, acrescenta. A acompanhar o favo, Joaquim Silva dá a provar ao JM um chá feito com ervas naturais, criadas no seu quintal, que afirma ter um efeito relaxante. Por último, oferece o pão de abelha. “O pólen que levam para a colmeia e depositam dentro dos alvéolos e misturam um bocadinho de saliva delas, as suas enzimas, carregam isto lá para dentro. Aqui está solto, ali já está dentro dos favos.” Para o chá oferecido ao JM, Joaquim Silva descreve que tem hortelã com um bocadinho de alecrim, canela em pau e pau-d’arco, uma planta brasileira, que acrescenta ser uma árvore da qual os índios faziam os arcos para as flechas. “Um dia, um deles, que preparava os paus, tinha uma ferida grande e caiu na ferida aquela cera dura e sarou rapidamente. Então descobriram que o pau-d’arco tem valor.”

Barcouço

Autor: Jornal da Mealhada

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