“ADN HCM”: entreajuda, formação e ambição na patinagem artística
“Ora bem, o balanço até agora tem sido bastante positivo”, resume Francisco Gil.
A época ainda vai a meio, mas o balanço da secção de patinagem artística do Hóquei Clube da Mealhada (HCM) é marcado por crescimento, resultados e uma estrutura cada vez mais consolidada, segundo Francisco Gil, um dos responsáveis pela secção de patinagem. Em entrevista ao Jornal da Mealhada destacou os resultados alcançados até ao momento e a evolução do número de atletas e a capacidade de criar condições para que mais jovens possam chegar à competição.
“Ora bem, o balanço até agora tem sido bastante positivo”, resume Francisco Gil, recordando que a temporada começou com o festival de patinagem artística do clube, que contou com a presença de Guilherme Correia, vice-campeão mundial júnior, e da Miss Fúria. Para a secção de patinagem, foi uma forma diferente de iniciar o ano, mas também uma oportunidade de proporcionar aos atletas um momento de contacto com referências da modalidade.
Francisco Gil conta que em janeiro, surgiu um dos momentos que mais marcou a temporada: um estágio que juntou duas treinadoras de reconhecido nível internacional. A organização permitiu dividir os atletas por diferentes níveis e trabalhar com treinadoras especializadas, num modelo que considera importante não só para os praticantes, mas também para quem está responsável pelo seu acompanhamento. “O estágio é tipo uma formação para toda a gente, tanto para o atleta como para os treinadores que acompanham os atletas, que apanham ideias novas de trabalho e métodos novos de ensinar”, explica.
A iniciativa acabou por ser também um dos maiores desafios logísticos da época. A preparação envolveu transportes, alojamento, alimentação, pagamentos e logística para receber as treinadoras e os atletas. “O estágio para mim foi o maior desafio”, admite Francisco Gil, sublinhando, que o esforço acabou compensado pela satisfação de toda a equipa. No plano competitivo, Francisco Gil refere que no Grande Prémio de Aveiro, o HCM terminou na segunda posição por equipas, com vários primeiros e segundos lugares individuais.
No Campeonato Distrital, voltou a conquistar o segundo lugar coletivo, tornando-se vice-campeão distrital. A presença de atletas em competições nacionais é outro dos indicadores apontados pelo responsável da secção. Na patinagem livre, o clube tem atletas no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão e outro na 2.ª Divisão. Na vertente de solo dance, também conseguiu colocar atletas nos campeonatos nacionais das diferentes divisões. Para Francisco Gil, o mais importante é perceber que o percurso iniciado na formação está a produzir resultados. “Os resultados são importantes, mas aquilo que nos orgulha mais é cada vez ver atletas competir, passarmos testes e chegar ao jogo para os nacionais, apurar-se para os campeonatos nacionais e ter um atleta pré-convocado, mostra que vamos no caminho certo”, afirma.
A referência à pré-convocatória de André Ferreira é para a Taça da Europa de 2026, competição que poderá levar o jovem atleta à Alemanha. A possibilidade representa um motivo de orgulho para toda a secção e é vista como o reflexo do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. “Quando começámos a época de formar crianças e acabamos a ter um atleta nosso no clube com uma pré-convocatória para o Campeonato da Europa percebemos que todo o trabalho vale a pena”, salienta.
Em relação ao crescimento da secção, Francisco Gil revela que, atualmente, são “quase 90” atletas, um aumento que considera fundamental para garantir a sustentabilidade da modalidade dentro do clube. A captação de novos praticantes tem sido, por isso, uma das prioridades. Durante o verão, a secção promoveu o ATL Verão, iniciativa destinada a crianças da região e que procurou proporcionar um primeiro contacto com a patinagem e com o hóquei em patins. Os próprios atletas da secção participaram nas atividades, incluindo demonstrações e coreografias. “A ideia é trazer as crianças e calçar-lhes os patins”, explica Francisco Gil, que considera este tipo de iniciativas essencial para garantir a renovação da modalidade. O responsável deixa claro que nem todos os atletas têm de chegar à competição para terem importância dentro do clube. “Todos os atletas são importantes, costumo dizer: todos os atletas são importantes”. E acrescenta: “Para mim ter um atleta a aprender a patinar com 15 anos ou ter um atleta com 15 anos a competir, para mim são todos importantes. Sem eles o clube não se faz.”
A formação é, assim, segundo Francisco Gil encarada como um processo que deve respeitar diferentes ritmos e objetivos. “Há quem procure a competição e quem permaneça apenas na vertente formativa, mas todos contribuem para o crescimento da secção. Uma equipa feita de voluntários”, aponta.
Por detrás dos resultados está também uma estrutura de oito seccionistas que assegura grande parte do trabalho de organização. Francisco Gil refere que a equipa é formada por Dalila Costa,
Jéssica Ferreira, Carla Santos, Sandra Batista, Lurdes Malta, Vanessa Laranjeira e Sandra Pinheiro. Na equipa técnica conta com a coordenadora e treinadora de Patinagem Livre, Rafaela Frade e com Adriana Neves e Bruna Jorge. Na vertente da Solo Dance, está a treinadora Beatriz Vendas
E o preparador Físico, Rafael Santos.
Em relação à equipa de seccionistas, Francisco Gil conta que são voluntários, muitos deles pais de atletas, que acompanham treinos, provas, torneios e deslocações e funcionam como elo entre as famílias, os treinadores e a direção do clube. “Gostamos de ser voluntários qualquer clube vive de voluntários. Sem eles não é possível”, sublinha Francisco Gil.
O trabalho implica muitas horas fora de casa e exige uma organização familiar que nem sempre é fácil. “Não é fácil. É preciso muita paciência em casa”, reconhece o responsável da secção de patinagem, destacando o apoio das famílias dos próprios voluntários.
A equipa tem vindo também a renovar-se ao longo dos anos, acompanhando os diferentes ciclos dos atletas. Para Francisco Gil, a dedicação daqueles que trabalham na secção é uma das razões que explicam a evolução. O mesmo reconhecimento é dirigido às treinadoras e ao preparador físico que Francisco Gil considera fundamentais no desenvolvimento dos atletas.
O responsável da secção de patinagem do HCM revela que estão previstos novos torneios, incluindo o do próprio HCM, em setembro, e uma prova da Associação de Patinagem de Aveiro, que deverá decorrer na Mealhada em novembro.
A principal dificuldade continua, contudo, a ser a disponibilidade de pavilhões. Com várias modalidades a utilizarem os mesmos espaços, a gestão dos horários é um desafio, segundo Francisco Gil. Acrescenta que a secção também conta, neste âmbito, com o apoio da Câmara Municipal da Mealhada e da Junta de Freguesia de Casal Comba, que permitiu aumentar o número de deslocações para treinos e garantir mais tempo de pavilhão. “Queremos crescer, mas precisamos de espaço para melhorar”, realça Francisco Gil.
A secção trabalha atualmente três vertentes: patinagem livre, solo dance e pares de dança, sendo a patinagem livre aquela em que o HCM apresenta maior presença competitiva. O objetivo passa também por continuar a desenvolver o solo dance, embora a distância e os custos associados à contratação de treinadores especializados constituam um obstáculo. Para o responsável, a ambição não passa apenas por conquistar resultados, mas por construir uma estrutura sustentável e capaz de formar atletas. E é precisamente no espírito de equipa que Francisco Gil encontra a melhor definição para o percurso da secção. Entre os atletas tornou-se habitual a expressão “ADN HCM”, associada à entreajuda e ao sentimento de pertença. “Entreajuda, puxar uns com os outros, andar para a frente, o acreditar, acho que se há uma palavra que possa resumir este trabalho, pelo menos destes três anos, é o ADN HCM”, afirma.
Uma identidade que, para além das pistas, se tem manifestado também fora delas. Os próprios atletas têm participado na organização de eventos, ajudando nas bancas e no bar e envolvendo-se nas iniciativas promovidas pelo clube. É nesse espírito que a secção pretende continuar a crescer: “com resultados, mas sobretudo com formação, voluntariado e sentido de comunidade”. Para Francisco Gil, o verdadeiro retorno de todo este trabalho não está apenas nos pódios. “O sorriso das crianças é o que nos paga. Literalmente acho que é isso.”
Autor: Jornal da Mealhada



