Sábado, 06 de Dezembro de 2025

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali
Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali
Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali
Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Desporto

Raul Aguiar: O rigor e a dedicação de um piloto apaixonado pelo rali

Natural de Luso, Raul Aguiar é uma figura conhecida do desporto automóvel regional e nacional.

Natural de Luso, Raul Aguiar é uma figura conhecida do desporto automóvel regional e nacional. Desde muito jovem que se apaixonou pelos ralis — uma paixão que o acompanhou ao longo de toda a vida e o levou a construir um percurso marcado pela dedicação e pela adrenalina da competição.
Fora das pistas, Raul Aguiar é um homem de múltiplos interesses: aprecia a boa gastronomia e, em tempos, chegou a trocar o volante por uma bola de futebol. Atualmente, trabalha na Escola de Condução da Mealhada, onde há quatro anos partilha o seu conhecimento e experiência ao serviço da formação de novos condutores.
Nesta entrevista ao Jornal da Mealhada, o piloto recorda os momentos mais marcantes da sua carreira, reflete sobre a evolução do desporto automóvel e destaca a importância do Rally Legends, um evento que tem contribuído para dinamizar a vila de Luso e projetar a região no panorama nacional dos ralis.

Como começou esta paixão pelo desporto automóvel?
(Risos) Quando eu era criança. O meu pai trabalhava no Palace Hotel do Bussaco, as equipas do desporto automóvel pernoitavam lá, isto no fim da década de 70 e inicio dos anos 80. Lembro-me que a equipa da Lancia vinha com 15 dias de antecedência para testar os carros e os pneus. Pelo Palace passaram grandes campeões do desporto automóvel, aliás em casa guardo autógrafos de cada um deles. E quando eu via tudo isto acontecer ficava muito entusiasmado. Tirei a carta e depois tudo teve uma evolução natural…

Qual foi primeiro carro que conduziu para fazer rali?
Comecei a conduzir num Datson 1200 do meu avô e adorava o troço da classificativa do Bussaco que liga os Cinco Caminhos às Portas de Sula. Depois estriei-me nas competições, em 1993 com um Opel Manta GTE, onde disputei quatro ralis com este carro.

Sendo assim essa é a “evolução natural” de que falava?
Sim, inicialmente comecei a nível individual, depois comecei a ter alguma projeção e a ter o apoio da Salvador Caetano do departamento de competição de Gaia, o que foi ótimo e considero que foram anos bestiais. Participei em provas de Troféu Rally Regional do Centro, onde existe um elevado nível de competitividade e desportivismo, nessa altura corri com um Toyota Torola AE 86. Ainda no final dos anos 90, participei no Rally Vasco da Gama onde consegui alcançar a vitória. Também corri com um Toyota Celica GT4 em Arganil, Gois, Oliveira do Hospital, todos eles foram vitórias com bons resultados. Portanto, em 1997, 98 e 99, fui três vezes campeão regional.

Então, sendo assim, já participou em vários ralis?
Sim, havia sempre à volta de 10 provas por ano, o que fazia quase estatuto profissional em relação ao desporto automóvel. O meu dia era a fazer treinos, ir a oficinas, provas, e novamente a mesma rotina, era uma intensidade louca pra fazer tanto trabalho na altura. Confesso que a experiência foi muito boa!

Depois destas experiências como é que os carros da marca Mitsubishi aparecem na sua carreira desportiva?
Entretanto, o departamento de competição de Gaia foi desativado e troquei as «máquinas» (refere com entusiasmo). Comecei com a Mitsubishi, e mantenho-me a correr com esta marca até aos dias de hoje. Neste momento conduzo um Mitsubishi Lancer Evo 9. Mas já conduzi o Mitsubishi Lancer 4,6,8 e o 9, na minha opinião este último é o melhor de todos, ainda existe o 10, contudo o melhor é o 9.

Quem é o seu copiloto?
É o meu irmão, José Aguiar, também fazia algumas provas de regularidade, e rapidamente foi cativado para esta para esta parte de copiloto. As provas de regularidade acontecem num percurso secreto, médias de velocidade relativamente baixas, 50/60 kms por hora, e temos que passar ao segundo no quilômetro certo.

Correr em Rallys financeiramente tem um custo elevado?
Sim, é considerado um deporto de elite! O facto de ser dispendioso trava o acesso a quem é mais jovem.

Atualmente em que ralis participa?
Desde 2000 até agora já só faço rali que gostava e gosto de fazer. Hoje em dia já só participo no Rally Legends em Luso, é o rally da minha terra e não o dispenso por nada. Adorava fazer a mítica rampa do Bussaco, mas hoje em dia essa prova já não se realiza. Sou o sócio nº7 do clube do Rally Legends e tenho imenso orgulho nisso.

A logística necessária para organizar um rali, hoje em dia, é muito diferente da de antigamente?
Sim, completamente diferente. Na minha opinião antigamente era tudo simples, hoje é tudo complicado. Para fechar a estrada para treinar é preciso polícia, bombeiros, existe uma série de requisitos legais que é necessário cumprir. Contudo reconheço que existe mais segurança necessária aos pilotos e ao público.

Qual a importância do Rally Legends no panorama local?
O Rally Legends tem uma enorme importância para o Luso. Este tipo de evento dinamiza toda a vila — desde as unidades hoteleiras à restauração, passando pelos bares e cafés. Durante esses dias, pode dizer-se que «todo Luso respira Legends.»
Além disso, o evento distingue-se por uma particularidade única em Portugal: a capacidade de combinar carros clássicos, veículos de competição e uma forte componente social. Essa mistura cria uma envolvência especial e muito atrativa.
Tivemos a participação de pilotos de renome, como o Frank Kelly, vindo do Reino Unido, e, em edições anteriores, competidores do Egipto e de Itália — o que dá uma projeção internacional significativa ao evento.
A principal intenção do Legends é reunir pessoas que partilham a paixão pelos automóveis e proporcionar momentos de convivência e partilha. Na minha opinião, a nível nacional, o Rally Legends é pioneiro nesta fusão entre o espírito dos carros clássicos e o convívio social — e posso dizer com convicção que, no capítulo da socialização, somos verdadeiramente pioneiros.

Qual a sua rotina de treinos?
Os meus treinos físicos são em ginásios cerca de três ou quatro vezes por semana, já os treinos com o carro, treino todos os dias a andar devagar. Aliás, a minha profissão de instrutor de condução tem a ver com a minha paixão automóvel. Sem ir para faixa oposta treino na minha via, a trajetória do carro, a troca da caixa, a precisão de condução. Destaco que a 50 hora eu posso fazer treino! Saliento que um piloto tem de ser seguro na sua condução e depois é que vai aumentar os índices de velocidade.

Participa no Rally Legends para se divertir ou para competir?
Eu vejo sempre as coisas com profissionalismo de topo. De facto, ouço muitas vezes pessoas a dizerem para nos divertirmos, mas não vejo as coisas assim. Dificilmente me divirto nas corridas. Vejamos, existe aqui uma ligação com patrocinadores, com as fábricas. Por exemplo, a “Art of Speed”, sediada em Coimbra, é a empresa que me faz a preparação do carro. Considero que são “brutais” na área de motorsport, e são de uma competência extraordinária! Ao longo da prova do Rally Legends a equipa da “Art of Speed” conseguiu que eu tivesse sempre o carro em bom estado. O que é certo é que no último dia, fiz o segundo tempo na geral, o que foi ótimo, quer dizer, todo o trabalho que se desenvolveu foi no sentido certo. Portanto, se há esta responsabilidade por parte de quem me acompanha também tenho de ser o máximo profissional nas corridas.

Então há algum momento durante os ralis em que se divirta?
Só me divirto no fim das provas, quando existe convívio!

Sente-se apoiado pela comunidade Lusense?
Luso é uma terra sui generis, toda a gente se conhece, adoro espírito. E claro que que sinto o apoio das pessoas, é muito bom, aliás posso dizer que estou em casa!

Em 2026 será a 10º edição do Rally Legends, o que é que acha que se pode melhorar?
A fasquia já está muito alta, ou seja, é difícil melhorar o que já está muito bom. O que poderia ser melhor, que não tem que ver com a organização, é o estado do tempo. A chuva, que foi o caso deste ano, faz com que as pessoas não saiam de casa para ver o Rally.

O que mudou em termos de segurança, tecnologia e espírito da competição ao longo dos anos?
Houve uma evolução constante na tecnologia dos carros. A nível mecânico, têm sido introduzidos novos materiais, como o carbono e o titânio, que há uns anos eram praticamente exclusivos da indústria aeronáutica. Também destaco as melhorias nos sistemas de travagem, nas suspensões e nos pneus, que hoje garantem desempenhos e níveis de segurança muito superiores.
Em termos de segurança, as mudanças foram igualmente significativas. Já não se verificam tantos acidentes como antigamente, muito graças à utilização de capacetes mais resistentes, fatos adequados, cintos de segurança mais eficazes e todo o conjunto de medidas que integram a chamada segurança passiva.
Nas classificativas, a segurança também é hoje muito mais rigorosa: há comissários e policias a controlar as zonas de risco, e uma presença constante de equipas de saúde prontos a intervir rapidamente se for necessário.

 

 

LusoRally

Autor: Jornal da Mealhada

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