Nelson Cerveira: Capítulos de Uma Vida Inteira
Há vidas que parecem feitas de capítulos. A de Nelson Henriques Cerveira começa em 1951, em Anadia
Memória, disciplina e imaginação na construção de uma obra enraizada na realidade Há vidas que parecem feitas de capítulos. A de Nelson Henriques Cerveira começa em 1951, em Anadia, atravessa a guerra na Guiné, passa pelo comércio familiar, cruza-se com Angola e desemboca, com naturalidade, na escrita. Hoje, em Vale da Mó, onde conversámos longas horas, começa por referir: “Sou um contador de histórias que parte sempre da realidade para a transformar em reflexão humana.” Recebe-nos com serenidade, fala pausadamente e com segurança, e tem o olhar de quem guarda muitas histórias. Algumas viveu; outras inventou. Mas todas nascem do mesmo lugar: “a observação da vida”. Das margens da infância à guerra Nasceu em Anadia, cresceu numa família com boa situação económica e estudou no Colégio Nacional até 1971. Faltavam- lhe apenas duas disciplinas para concluir o sétimo ano quando tomou uma decisão pouco comum: “Abandonei os estudos. Senti que o meu caminho era outro. Fui trabalhar com o meu pai. A vida também ensina.” O estabelecimento comercial da família ficava em frente ao Campo dos Olivais. “Ali aprendi o trato com as pessoas, a responsabilidade e o valor do esforço” — aprendizagens que mais tarde haveriam de ecoar na sua escrita. Pouco depois, foi mobilizado para a Guiné. Em Santa Margarida, enquanto recebia instrução para o Ultramar, viveu de perto os acontecimentos da Revolução de 25 de Abril de 1974. Como é agora recordada essa madrugada? “Na véspera, desmobilizara-nos...
Memória, disciplina e imaginação na construção de uma obra enraizada na realidade Há vidas que parecem feitas de capítulos. A de Nelson Henriques Cerveira começa em 1951, em Anadia, atravessa a guerra na Guiné, passa pelo comércio familiar, cruza-se com Angola e desemboca, com naturalidade, na escrita. Hoje, em Vale da Mó, onde conversámos longas horas, começa por referir: “Sou um contador de histórias que parte sempre da realidade para a transformar em reflexão humana.” Recebe-nos com serenidade, fala pausadamente e com segurança, e tem o olhar de quem guarda muitas histórias. Algumas viveu; outras inventou. Mas todas nascem do mesmo lugar: “a observação da vida”. Das margens da infância à guerra Nasceu em Anadia, cresceu numa família com boa situação económica e estudou no Colégio Nacional até 1971. Faltavam- lhe apenas duas disciplinas para...
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Autor: Fernando Simões
