Misericórdia da Mealhada promove lançamento de “A Cama do Rei” no Cineteatro Messias
A apresentação do livro realizou-se, ontem, dia 26 de junho, às 17h30, no Cineteatro
O lançamento da obra “A Cama do Rei: Fotobiografia de uma família da Mealhada”, do autor Rui Quaresma de Macedo Cabral, realizou-se, ontem, dia 26 de junho, às 17h30, no Cineteatro Messias. O evento foi organizado pela Santa Casa da Misericórdia da Mealhada (SCMM). A sessão incluiu momentos culturais e musicais com a atuação musical de Rita Resende, na voz, e Rita Rito, na guitarra e um momento de ballet contemporâneo do Clube de Hóquei da Mealhada.
A sessão começou com as intervenções institucionais, segundo o comunicado da SCMM. A vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, Filipa Varela, que realçou a memória histórica da Mealhada, afirmando que, graças ao trabalho de Rui Cabral, “as histórias não se apagarão e permanecerão para sempre na Santa Casa da Misericórdia da Mealhada e na memória de todos os mealhadenses”.
A importância da obra foi salientada pela vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Filomena Pinheiro, que sublinhou o apoio da SCMM no trabalho de Rui Cabral. “Qualquer entidade que se associa e que investe em preservar a memória do nosso território, que promove este legado histórico que depois consegue alimentar a memória das gerações futuras e a nossa identidade. É uma honra para o município ter estes parceiros que nos acompanham e que fazem do território do Município da Mealhada um território de gente que conta a sua história.”
O evento, segundo a mesma fonte, continuou com a contextualização da origem do livro, através das intervenções de Nuno Canilho e António Breda Carvalho.
Durante a apresentação da obra, Nuno Canilho começou a sua intervenção contextualizando a obra. “Este livro ajuda, a partir de determinada altura, a descobrir a nossa identidade, quem somos, porque é que somos, o que aconteceu e a nossa paisagem. É uma paisagem real, com edifícios; porque há um edifício tão grande no centro da Mealhada, quem lá viveu?” Nuno Canilho exemplificou que o livro ajuda à descoberta de factos históricos, exemplificando com questões históricas: “Porque é que uma rua se chama Nóbrega de Araújo e outra se chama Maria Luísa?” Ainda realçou que o doutor Rui Cabral, por intermédio do doutor António Breda Carvalho, “trouxeram um conjunto de personagens da história da Mealhada, e o que os une”.
Neste contexto, António Breda Carvalho também destacou alguns factos históricos, começando por referir a história da Família da Casa do Largo. “A palavra ‘fotobiografia’ carrega o peso da prova material, a fotografia não mente. Os registos documentais fixam o nome, a árvore genealógica traça a cronologia de uma linhagem”. Dirigindo-se aos leitores, António Breda Carvalho sublinhou que a obra não é uma ficção. “Admito a possibilidade de muitos leitores habituados às biografias romanceadas e, perante o título ‘A Cama do Rei’, julgarem que se trata de uma saga familiar da ficção realista. Quero questionar os leitores: pode uma fotobiografia familiar assente numa rigorosa investigação histórica ser apelidada de ficção? A resposta é um redondo não.” Neste sentido, o doutor António Breda Carvalho referiu que o livro é realista e respeita “escrupulosamente” a “verosimilhança” da época.
O autor do livro iniciou a profissão de jornalista em 1970, no jornal “O Século”, onde era repórter quando eclodiu a Revolução de 25 de Abril de 1974. O escritor começou o seu discurso contando ao público presente que regressar à Mealhada é um retorno à sua infância. “Percorri o concelho, fui à Vacariça que já foi sede de freguesia no século XIX.” O autor explicou que o processo de construção do livro foi despoletado pela morte do seu pai. “Começou quando o meu pai faleceu em 5 de janeiro de 2018, aos 95 anos. Foram encontradas muitas arcas, malas, caixas numa garagem da casa da Mealhada e em dois apartamentos de Lisboa. Eram centenas de cartas, documentos e fotografias que remontavam a meados do século XIX.”
Rui Cabral apontou que além do espólio mencionado ainda havia telegramas, postais, recados e desabafos. “Recibos de compras de chapéus no princípio do século XX, processos de justiça, diplomas e até poemas. Depois de intermináveis serões, lendo centenas de documentos e tentando compreender quem eram as pessoas fotografadas, fui compondo uma árvore genealógica e um esboço de uma fotobiografia.”
Em entrevista ao Jornal da Mealhada, Rui Cabral já tinha apontado que Maria da Nóbrega, escritora da terra, é a sua tia-bisavó. “O meu avô paterno, o Capitão Cabral, casou-se com uma senhora nobre de Viseu, que é a minha avó Clara, descendente do rei D. Fernando I, e, portanto, toda essa linhagem está historicamente estabelecida. É uma linhagem que vem do D. Fernando I, de um vice-rei da Índia e de capitães-mores da carreira da Índia”.
O autor também contou que o seu avô, o tal Capitão Cabral, era neto de uma prima do Marquês de Tomar, porque o pai e o avô paterno deles eram de uma aldeia chamada Casais, no Concelho de Mangualde. Aponta que o pai desse Capitão Cabral, Aníbal Costa Cabral, era estudante em Coimbra quando conheceu a irmã da Maria da Nóbrega, a irmã mais velha, Maria Luísa, na Mealhada. “E casou-se com ela, daí a união e o ramo da Mealhada, da minha família”, concluiu.
Com a publicação desta obra, a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada afirmou que “mantém o compromisso com a valorização da cultura, da memória e do património da comunidade, contribuindo para dar a conhecer histórias que atravessam gerações e ajudam a compreender o percurso da região.”
O livro esteve disponível para aquisição no local e pode ser comprado online, no site do Jornal da Mealhada, na Loja do Jornal.
Autor: Jornal da Mealhada



