Morreu Diogo Canilho aos 43 anos
À família enlutada, a Administração, Direção e Redação do Jornal da Mealhada apresentam as mais sentidas condolências, nesta hora de dor e perda.
Morreu Diogo Castela Canilho, aos 43 anos, de doença, informou a família ao Jornal da Mealhada, esta segunda feira, 6 de abril.
O velório realiza-se amanhã, quarta-feira, 8 de abril, a partir das 14h00 na Igreja Paroquial da Mealhada, de onde partirá o funeral às 17h00.
Diogo Canilho deixa uma filha com oito anos de idade e tinha celebrado no passado domingo, dia 5 de abril, dia de Páscoa, o derradeiro aniversário.
Viveu toda a vida na Mealhada, onde foi escuteiro até aos 14 anos. Foi jogador de basquetebol no Anadia Futebol Clube e no Sangalhos Desporto Clube e chegou a ir à seleção nacional da modalidade.
Licenciou-se em história pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, local onde celebrou a vida académica, contam os amigos, entre eles o advogado João Ramalhete, que escreveu um texto sentido de homenagem póstuma ao amigo e colega da universidade.
Diogo Canilho foi gerente do restaurante e residencial Hilário, onde existe o Albergue para peregrinos do Caminho de Santiago. Tornou-se uma figura incontornável da mensagem do Caminho de Santiago na região, por ser o hospitaleiro da Mealhada. Em 2019, em entrevista ao portal Sapo, Canilho afirmava que era “a partir dos testemunhos” dos caminhantes que se apercebia que “um dos principais motivos da peregrinação é o terapêutico”.
Destacamos que na sua juventude, passou muito tempo ligado ao Jornal da Mealhada, do qual a família era proprietária. Num artigo publicado há sete anos no nosso jornal, afirmava que a “redação do Jornal da Mealhada tinha sido a sua “segunda casa”. Diogo Castela Canilho recordava, na entrevista, que ainda não sabia ler quando começou a frequentar o espaço onde a mãe – Isabel Canilho, também conhecida por “Isabel do jornal” – trabalhou durante 25 anos.” Revelava que “acompanhou a evolução do periódico, desde o tempo em que tudo se fazia de forma manual até ao dia em que chegou o primeiro computador.
Ao Jornal da Mealhada nessa altura, Diogo afirmou que fez de tudo um pouco: foi “moço de recados”, escreveu e datilografou textos, dobrou jornais, atendeu telefonemas e, entre outras tarefas, até ajudou a equipa a adaptar-se às novas tecnologias. Já mais crescido, assinou a rubrica “No Jornal da Mealhada há…”, recordando notícias de edições passadas. A rubrica mantém-se no JM.
“Em criança” – afirmava – “o Jornal da Mealhada foi o meu ATL”: era lá que lanchava, brincava e fazia os trabalhos escolares, com a ajuda do professor do 1.º ciclo Armindo Pega, então diretor do jornal, e do padre e professor universitário Abílio Simões, que voluntariamente corrigia as edições da publicação. Na época, tinha-os como meus avós: tanto me repreendiam como me acarinhavam” – recordava Diogo, no artigo de 2019.
Na altura, reconhecia que “teve a sorte de conviver com pessoas extraordinárias, figuras marcantes do concelho da Mealhada, de quem guardava “saudade e uma enorme admiração”. Diogo Canilho, licenciado em História, não tinha dúvidas de que a sua passagem pelo Jornal da Mealhada e o contacto, desde a infância, com “pessoas tão cultas” influenciaram a sua vida.
“Na redação, onde todos os dias se recorria à gramática e ao dicionário, aprendi muito sobre a língua portuguesa e também sobre a história do concelho da Mealhada” – afirmara ao JM no mesmo artigo. Contava ainda ter assistido “a muitas discussões sobre os mais variados temas.” Além de “segunda casa” e ATL, o Jornal da Mealhada foi uma “grande escola”, admitia.
À família enlutada, a Administração, Direção e Redação do Jornal da Mealhada apresentam as mais sentidas condolências, nesta hora de dor e perda de uma pessoa preocupada e participativa nas atividades da comunidade. Deixa um legado na história do Jornal da Mealhada que será sempre lembrado e enaltecido.
Autor: Jornal da Mealhada
