Terça-Feira, 03 de Março de 2026 às 19:23

Guerra no Irão pode aumentar preço dos combustíveis acima dos 10 cêntimos em Portugal

Guerra no Irão pode aumentar preço dos combustíveis acima dos 10 cêntimos em Portugal

Nacional

Guerra no Irão pode aumentar preço dos combustíveis acima dos 10 cêntimos em Portugal

O preço do barril de petróleo bruto Brent, referência na Europa, acumulou uma subida de mais de 17% desde sexta-feira

O secretário-geral da EPCOL afirmou hoje que a escalada das cotações do petróleo, na sequência do conflito no Irão, deverá ter reflexos nos preços de venda ao público, caso a tendência se mantenha ao longo da semana.

Em declarações à Lusa, António Comprido comentou que as cotações do crude, da gasolina e do gasóleo registaram “um aumento expressivo” nos últimos dias, acompanhando a tensão no Médio Oriente, que poderá refletir-se num “agravamento significativo” no preço dos combustíveis.

“Neste momento, ainda só temos a cotação de ontem [segunda-feira] e hoje, que está a fechar, mas de facto assistimos a um aumento significativo das cotações, quer do crude, quer dos produtos refinados”, afirmou o responsável da entidade que representa as empresas de combustíveis e lubrificantes em Portugal.

O preço do barril de petróleo bruto Brent, referência na Europa, acumulou uma subida de mais de 17% desde sexta-feira, depois de ter ultrapassado hoje os 85 dólares pela primeira vez desde o verão de 2024, embora posteriormente tenha moderado a sua subida ligeiramente acima dos 83 dólares, com uma recuperação de mais de 7% em relação ao fecho de segunda-feira.

O responsável explicou que o mecanismo de fixação dos preços em Portugal segue, regra geral, a média das cotações da semana anterior, pelo que, caso a tendência de subida se mantenha, o impacto deverá refletir-se nos preços de venda ao público.

“Se se mantiver esta alta de preços ao longo desta semana, e infelizmente os acontecimentos no Irão não anteveem nada de bom, inevitavelmente isso vai-se repercutir depois nos preços de venda ao público em Portugal”, disse, sublinhando que o efeito será sentido “em Portugal e no resto do mundo”.

Questionado sobre a dimensão do eventual aumento, António Comprido admitiu não ser possível avançar, para já, com estimativas concretas, mas reconheceu que o impacto poderá ser expressivo.

“Pode ser um agravamento significativo. Olhei hoje para as cotações da gasolina e do gasóleo, que subiram substancialmente, mais até do que o crude, portanto podemos ter aqui um impacto significativo”, referiu.

O secretário-geral da EPCOL frisou, contudo, que ainda é cedo para quantificar, uma vez que o cálculo resulta da média semanal e os dados disponíveis são preliminares. “A amostra não é promissora”, resumiu.

Sobre a possibilidade de agravamento dos custos de transporte e fretes, o responsável reconheceu que essa pressão adicional é expectável, ainda que as cotações de referência na região de Amesterdão-Roterdão-Antuérpia já integrem uma componente de transporte.

“É natural que os fretes também aumentem, porque os combustíveis para os navios também vão aumentar, e portanto tudo isto é um bocadinho em cascata”, explicou, acrescentando que as perspetivas “não são muito positivas” do ponto de vista da economia e dos consumidores, que deverão “sentir quase de certeza no bolso um agravamento dos preços”.

Questionado sobre eventuais medidas do Governo para mitigar a subida, António Comprido recordou que, durante a crise energética associada à invasão da Ucrânia, a União Europeia autorizou medidas excecionais para atenuar o impacto nos Estados-membros.

“A ferramenta existe sempre, que é mexer na carga fiscal, não há outra alternativa. Agora, se o Governo está em condições ou tenciona fazer isso, não tenho minimamente nenhuma indicação para já nesse sentido”, concluiu.

Na segunda-feira, o ministro da Economia admitiu que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia” e assegurou que o executivo irá, se for necessário, tomar as medidas adequadas para que a economia funcione.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

Autor: Jornal da Mealhada

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