A solidão das massas e o apelo do simplismo
Por muito que os contextos históricos se transformem, há ideias que permanecem perturbadoramente atuais. Hannah Arendt, com “As Origens do […]
Por muito que os contextos históricos se transformem, há ideias que permanecem perturbadoramente atuais. Hannah Arendt, com “As Origens do Totalitarismo”, oferece-nos não apenas uma análise do passado, mas um mapa para os desvios da política moderna. As eleições legislativas de 2025 em Portugal – marcadas pela consolidação da extrema-direita como força parlamentar de peso – são, nesse sentido, um sinal de alarme que merece reflexão atenta, e não histeria. Mais do que um desvio súbito da nossa democracia, este resultado é o espelho de processos mais longos e profundos, que não começámos ontem nem terminaremos amanhã.Arendt identifica nos regimes totalitários do século XX a capacidade de mobilizar massas politicamente desenraizadas – indivíduos isolados, desligados das redes cívicas, sem pertença a instituições que os representassem ou escutassem. Estas massas, privadas de estruturas de mediação, tornam-se presas fáceis de narrativas totalizantes, de mitos reconfortantes e da promessa de um inimigo claro. Em 2025, Portugal não vive sob totalitarismo, mas enfrenta sintomas de uma fragilização análoga: a erosão do espaço público como lugar de pertença, e o crescimento de discursos que oferecem identidade e propósito a quem se sente fora da história.O crescimento da extrema-direita nas urnas não foi um acidente. Foi o culminar de uma estratégia meticulosa e eficaz, ancorada em três eixos que Arendt nos ajuda a reconhecer.1. A fratura do tecido cívico. Os eleitores que mais contribuíram para o avanço populista provêm, em larga medida, de zonas periféricas, de...
Por muito que os contextos históricos se transformem, há ideias que permanecem perturbadoramente atuais. Hannah Arendt, com “As Origens do Totalitarismo”, oferece-nos não apenas uma análise do passado, mas um mapa para os desvios da política moderna. As eleições legislativas de 2025 em Portugal – marcadas pela consolidação da extrema-direita como força parlamentar de peso – são, nesse sentido, um sinal de alarme que merece reflexão atenta, e não histeria. Mais do que um desvio súbito da nossa democracia, este resultado é o espelho de processos mais longos e profundos, que não começámos ontem nem terminaremos amanhã.Arendt identifica nos regimes totalitários do século XX a capacidade de mobilizar massas politicamente desenraizadas – indivíduos isolados, desligados das redes cívicas, sem pertença a instituições que os representassem ou escutassem. Estas massas, privadas de estruturas de mediação, tornam-se...
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Autor: Jornal da Mealhada
