Ao que chegámos
“Que tipo de gente, em que situação e com que pensamento, acorrera ao chamado do chefe…” escreveu Bertolt Brecht sobre […]
“Que tipo de gente, em que situação e com que pensamento, acorrera ao chamado do chefe…” escreveu Bertolt Brecht sobre a multidão pálida que marcha sob a bandeira de um líder autoproclamado salvador, sem perceber a manipulação e o vazio por trás das promessas. (“A grande parada militar alemã” in Terror e miséria do Terceiro Reich, 2005)E é isto que me ocorre tendo em conta os resultados eleitorais: onde estava a moral, o senso crítico dos cidadãos que votaram? Falhámos enquanto nação, embora o nível de abstenção tenha sido dos mais baixos dos últimos 30 anos. Mais cidadãos votaram e o crescimento do Chega demonstra que estamos a falhar coletivamente.Para esta escalada impensável, são absolutamente responsáveis todos os partidos que têm governado o País nos últimos anos, com os seus dirigentes nascidos nas estruturas partidárias, centrados na sua própria sobrevivência na política e na manutenção de poderes pessoais e compadrios. A corrupção e o tráfico de influências prenderam-nos numa teia que surgiu quando começaram a chegar os primeiros fundos da então CEE, secundarizando as necessidades do povo e o desenvolvimento do País, de forma integral e harmoniosa. Agora, assobiam para o lado e acusam-se mutuamente como se não tivessem culpa, sem apresentar soluções dignas, provocando o total descrédito das instituições, dos pilares da democracia e do sentido de Estado. Enquanto isto, o Chega apregoa, cada vez mais alto, que pretende acabar com a bandalheira e está a uma unha negra...
“Que tipo de gente, em que situação e com que pensamento, acorrera ao chamado do chefe…” escreveu Bertolt Brecht sobre a multidão pálida que marcha sob a bandeira de um líder autoproclamado salvador, sem perceber a manipulação e o vazio por trás das promessas. (“A grande parada militar alemã” in Terror e miséria do Terceiro Reich, 2005)E é isto que me ocorre tendo em conta os resultados eleitorais: onde estava a moral, o senso crítico dos cidadãos que votaram? Falhámos enquanto nação, embora o nível de abstenção tenha sido dos mais baixos dos últimos 30 anos. Mais cidadãos votaram e o crescimento do Chega demonstra que estamos a falhar coletivamente.Para esta escalada impensável, são absolutamente responsáveis todos os partidos que têm governado o País nos últimos anos, com os seus dirigentes nascidos nas estruturas partidárias,...
Este artigo está reservado para assinantes.
Poderá visualizar este artigo
ou assinar um Plano Básico
Já é assinante? Inicie sessão
Autor: Jornal da Mealhada
