De que te ris, idiota?
No tempo estranho das redes sociais, a linha entre o espetáculo e a ética esbate-se a cada dia. Tudo pode […]
No tempo estranho das redes sociais, a linha entre o espetáculo e a ética esbate-se a cada dia. Tudo pode ser conteúdo, e qualquer pessoa pode autoproclamar-se criadora – sem precisar de formação, sem precisar de inteligência, sem precisar de noção. Um exemplo perfeito? Tiago Grila, o pseudo-influencer que recentemente admitiu a culpa num atropelamento. A história é simples. Grotesca, bizarra, revoltante – mas simples. Conduzia distraído com o telemóvel, ignorou um sinal vermelho e atropelou uma pessoa. Só isto já bastava para o caso ser grave o suficiente, mas há mais: não se deu ao trabalho de verificar o estado da vítima. Pelo contrário, tratou o assunto com uma indiferença perturbadora, garantindo que ela estava bem – “até se levantou”. Safa-nos desta mentira uma muitíssimo pertinente entrevista ao Expresso: um ano depois, a vítima ainda não conseguiu regressar ao trabalho. Terá desmaiado, perdido dentes e fraturado múltiplos ossos. Tem a vida do avesso, a alma desfeita. E muitas dúvidas sobre o valor humano de quem a deixou neste estado. Hoje por hoje, conhecendo todos os detalhes da coisa, Grila continua a desvalorizar o que aconteceu. Aborda o assunto com o mais incomum dos desprendimentos, o mais histérico dos risos, a mais assustadora das despreocupações. Levanto algumas questões: até quando vamos permitir que este tipo de indiferença seja tratado como piada? Trata-se da necessidade de chocar, da fome insaciável por atenção ou da total ausência de empatia? O que vai...
No tempo estranho das redes sociais, a linha entre o espetáculo e a ética esbate-se a cada dia. Tudo pode ser conteúdo, e qualquer pessoa pode autoproclamar-se criadora – sem precisar de formação, sem precisar de inteligência, sem precisar de noção. Um exemplo perfeito? Tiago Grila, o pseudo-influencer que recentemente admitiu a culpa num atropelamento. A história é simples. Grotesca, bizarra, revoltante – mas simples. Conduzia distraído com o telemóvel, ignorou um sinal vermelho e atropelou uma pessoa. Só isto já bastava para o caso ser grave o suficiente, mas há mais: não se deu ao trabalho de verificar o estado da vítima. Pelo contrário, tratou o assunto com uma indiferença perturbadora, garantindo que ela estava bem – “até se levantou”. Safa-nos desta mentira uma muitíssimo pertinente entrevista ao Expresso: um ano depois, a vítima...
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Autor: Jornal da Mealhada
