Entre Budapeste e Mealhada
Estive recentemente em Budapeste. Sabia ao que ia — o que se passa na Hungria, um dos países menos democráticos […]
Estive recentemente em Budapeste. Sabia ao que ia — o que se passa na Hungria, um dos países menos democráticos da Europa, não é novidade alguma. Sob a batuta de Viktor Orbán, vive-se hoje neste país uma autocracia de fachada democrática. Sem botas cardadas, mas com pezinhos de lã, trata-se de uma erosão lenta, contínua e minuciosamente arquitetada das instituições. A imprensa independente foi sendo comprada ou silenciada. A justiça não é imparcial. O ensino, a cultura e até a investigação científica são hoje tutelados com zelo político. Orbán governa há mais de uma década com uma maioria confortável, alimentado por um sistema eleitoral distorcido, propaganda constante e um nacionalismo radical. Andar pelas ruas de Budapeste é, por isso, significado de experimentar um estranho desconforto: a cidade é bela, a comida é boa, as pessoas são calorosas, mas paira a sensação de estar num sítio diferente. No meio de toda esta experiência, uma das virtudes da tecnologia contemporânea fez-se sentir: a possibilidade de estar conectado, mesmo longe, à minha terra e às minhas pessoas. E foi assim que, enquanto explorava praças húngaras e espreitava as margens do Danúbio, recebi notícias da Mealhada. Uma delas fez-me pensar. Um documento, produzido com financiamento público e apontado como o órgão camarário para a divulgação de novidades, em pleno período eleitoral, inclui o seguinte trecho:“— O que gosta mais na Câmara?— Do meu trabalho e do senhor presidente da Câmara. Ele é cinco estrelas....
Estive recentemente em Budapeste. Sabia ao que ia — o que se passa na Hungria, um dos países menos democráticos da Europa, não é novidade alguma. Sob a batuta de Viktor Orbán, vive-se hoje neste país uma autocracia de fachada democrática. Sem botas cardadas, mas com pezinhos de lã, trata-se de uma erosão lenta, contínua e minuciosamente arquitetada das instituições. A imprensa independente foi sendo comprada ou silenciada. A justiça não é imparcial. O ensino, a cultura e até a investigação científica são hoje tutelados com zelo político. Orbán governa há mais de uma década com uma maioria confortável, alimentado por um sistema eleitoral distorcido, propaganda constante e um nacionalismo radical. Andar pelas ruas de Budapeste é, por isso, significado de experimentar um estranho desconforto: a cidade é bela, a comida é boa, as pessoas...
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Autor: Jornal da Mealhada
