Fracos os que só têm força!
Nas redes sociais somos, na maior parte das vezes, mais rufias do que seria de esperar… mas enfim…
“Agora tudo é bullying! Já nada se desculpa!”, ouvi há poucos dias num contexto de conversa informal de adultos sobre o ambiente que se vive nas escolas e nos locais de trabalho, onde a maior parte dos trabalhadores é jovem. Sem com isto legitimar exageros, a verdade é que, de uma forma geral, passámos todos a validar comportamentos de maior violência e humilhação – mesmo entre pares – como atos condenáveis e execráveis, dignos de perseguição e castigo.
Somos, então, absolutamente intolerantes face ao bullying nas escolas, nos locais de trabalho, nos grupos informais, no desporto, no lazer. Poderíamos dizer que também nas redes sociais temos essa atitude de condenação do bullying… mas não é verdade. Nas redes sociais somos, na maior parte das vezes, mais rufias do que seria de esperar… mas enfim…
Muitas campanhas – diretas e sub-reptícias –, muita legislação e alguns programas educativos têm denunciado e combatido comportamentos agressivos, humilhantes ou intimidatórios, promovendo a empatia, o respeito e a inclusão.
No entanto, esta mesma sociedade que se diz tão sensível à violência interpessoal mostra-se, paradoxalmente, permissiva — ou até cúmplice — com líderes políticos que exibem perfis autoritários, agressivos e até mesmo rufias.
Aceitam-se, legitimam-se e até se vota em líderes que recorrem a linguagem ofensiva, a generalizações abusivas, a estratégias de intimidação e manipulação populista. Lideranças que são aplaudidas por terem uma retórica de força. Ser forte (ou mostrar-se forte), de certa maneira intransigente e inflexível passou a ser um ativo político. Nunca pedir desculpa, não admitir ser criticado ou advertido, assumir discursos superlativos – em que tudo o que faz é espetacular, fantástico e inaudito –, ser sensível à bajulação, passou a ser visto como o bom, o ideal.
Enquanto se condena o bullying entre adolescentes, tolera-se o mesmo padrão entre chefes de Estado. Estamos perante uma dissonância que revela uma falha ética grave: Castigamos o rufia da escola, mas elegemo-lo para gerir o que nos é comum. E vai-se a ver, coitado do rufia, a única coisa que ele tem é força (bruta).
Autor: Jornal da Mealhada
