Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026

Não vivemos para sempre

Não vivemos para sempre

Opinião

Não vivemos para sempre

Na verdade, a vida é como a neve na montanha, pode derreter a qualquer momento

Um certo dia, um velhinho sábio, sentado à sombra de um choupo centenário, à beira de um caminho, fixou os seus olhos condoídos, num homem da sua aldeia, que ao passar, apenas ergueu uma das mãos, respeitosamente em saudação.

A imensa tristeza, que o acompanha, o aperto no seu coração, por mais que queira esconder, não passa despercebido, ao bom velhinho.

Esse homem carrega a dor, por ter perdido a sua amada, sua companheira de sempre, nos bons e maus momentos, em que a vida nos surpreende.

Então, o velhinho condoído, acenou-lhe para vir junto a ele e diz-lhe: tenho boas e más notícias para te dar!

A má, é que, na verdade, nunca mais voltarás a ser o mesmo, por muita volta que tu dês, nunca mais te sentirás completo, nunca mais transmitirás alegria aos outros, sem teres o coração a chorar e nunca nada, mas mesmo nada, poderá substituir esta realidade.

A boa notícia, é que assim que aceitares isso, te permitires sofrer e te permitires visitá-la na tua mente, vais recordar todo o amor que ela te deu, toda a alegria que ela conheceu junto de ti.

Daí, não podes fugir à dor, se o fizeres, vais roubar-te de todas as recordações dela, da sua lindeza, da sua companhia, do seu último sorriso.

Na verdade, a vida é como a neve na montanha, pode derreter a qualquer momento.

Lá no alto céu, onde moram as estrelas, conforta-nos, ao sabermos, que uma delas, é a que tem quem tanto amamos e, pacientemente, nos espera.

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Autor: Hermínio Pires

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