Não vivemos para sempre
Na verdade, a vida é como a neve na montanha, pode derreter a qualquer momento
Um certo dia, um velhinho sábio, sentado à sombra de um choupo centenário, à beira de um caminho, fixou os seus olhos condoídos, num homem da sua aldeia, que ao passar, apenas ergueu uma das mãos, respeitosamente em saudação.
A imensa tristeza, que o acompanha, o aperto no seu coração, por mais que queira esconder, não passa despercebido, ao bom velhinho.
Esse homem carrega a dor, por ter perdido a sua amada, sua companheira de sempre, nos bons e maus momentos, em que a vida nos surpreende.
Então, o velhinho condoído, acenou-lhe para vir junto a ele e diz-lhe: tenho boas e más notícias para te dar!
A má, é que, na verdade, nunca mais voltarás a ser o mesmo, por muita volta que tu dês, nunca mais te sentirás completo, nunca mais transmitirás alegria aos outros, sem teres o coração a chorar e nunca nada, mas mesmo nada, poderá substituir esta realidade.
A boa notícia, é que assim que aceitares isso, te permitires sofrer e te permitires visitá-la na tua mente, vais recordar todo o amor que ela te deu, toda a alegria que ela conheceu junto de ti.
Daí, não podes fugir à dor, se o fizeres, vais roubar-te de todas as recordações dela, da sua lindeza, da sua companhia, do seu último sorriso.
Na verdade, a vida é como a neve na montanha, pode derreter a qualquer momento.
Lá no alto céu, onde moram as estrelas, conforta-nos, ao sabermos, que uma delas, é a que tem quem tanto amamos e, pacientemente, nos espera.
Autor: Hermínio Pires
