No Ringue da Verdade
Cheguei com a câmara na mão, preparado para captar imagens fortes, movimento, intensidade.
No passado sábado, dia 5 de julho, entrei na secção de boxe do Futebol Clube do Porto no âmbito de uma maratona fotográfica,cujo tema era precisamente o boxe. Cheguei com a câmara na mão, preparado para captar imagens fortes, movimento, intensidade.E comecei logo por me fixar nos pés — quase esquecidos no meio da tensão. Havia neles uma cadência precisa, quase coreografada, como um bailado silencioso sobre a lona. A elegância dura dos passos, dos recuos e avanços, dizia tanto quanto os rostos ou os golpes.Mas saí de lá com algo mais profundo: uma reflexão que ainda hoje me acompanha.Ali, no ringue, não se disfarça nada. Dois corpos, dois rostos, duas vontades frente a frente. A luta é real, mas também é justa. Há regras, há respeito, há preparação. E há também um gesto silencioso e carregado de significado: a toalha branca, lançada quando é hora de parar. Um gesto que diz tudo — há dignidade em reconhecer o limite, e nobreza em proteger quem se expôs com coragem.Chamam-lhe, com razão, arte nobre. E há momentos em que se percebe porquê.Pelo contraste, não pude deixar de pensar nas lutas que vemos todos os dias fora do ringue. Nas redes sociais, nos corredores do poder, até nas conversas banais que se tornam trincheiras. Aí, ataca-se sem rosto, sem regra, sem travão. Não há árbitro, não há honra, e ninguém parece disposto a atirar a toalha — mesmo quando já se perdeu...
No passado sábado, dia 5 de julho, entrei na secção de boxe do Futebol Clube do Porto no âmbito de uma maratona fotográfica,cujo tema era precisamente o boxe. Cheguei com a câmara na mão, preparado para captar imagens fortes, movimento, intensidade.E comecei logo por me fixar nos pés — quase esquecidos no meio da tensão. Havia neles uma cadência precisa, quase coreografada, como um bailado silencioso sobre a lona. A elegância dura dos passos, dos recuos e avanços, dizia tanto quanto os rostos ou os golpes.Mas saí de lá com algo mais profundo: uma reflexão que ainda hoje me acompanha.Ali, no ringue, não se disfarça nada. Dois corpos, dois rostos, duas vontades frente a frente. A luta é real, mas também é justa. Há regras, há respeito, há preparação. E há também um gesto silencioso...
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Autor: Jornal da Mealhada
