«O único som que ouço é o do relógio da torre a marcar horas…»
Estava a terminar os afazeres do dia e já era horas de dormir. Vejo que tinha várias chamadas do mesmo […]
Estava a terminar os afazeres do dia e já era horas de dormir. Vejo que tinha várias chamadas do mesmo número, no telemóvel. Não identifico de quem é. Como ando sem som, também não reparei antes. Fui ver melhor e constato que a última chamada tinha sido feita poucos minutos antes. Devolvo, dando só um toque. Imediatamente, me a devolvem. Conheço logo a voz: – Boa noite, senhor padre. É já tarde e estar a incomodar. Mas, acho que não aguento mais. Cumprimentei-a e perguntei o que se passava, embora o imaginasse, pois não era a primeira vez que falávamos. Ela continuou: – Padre Rodolfo, se soubesse o que custa a solidão… A coisa pior é que, muitas vezes, o único som que ouço é o do relógio da torre a marcar as horas. Quando ele se cala, parece que custa ainda mais. Não consigo dormir. Não sei viver com esta solidão! Uma história que não é fácil de contar, para preservar as pessoas em causa. Mas, não lhe falta gente à sua volta, nem os cuidados que a sua idade e o seu estado de saúde exigem. O que lhe falta é quem a escute e quem lhe dê voz, mesmo o que diga já não seja de todo acertado e até adequado. Falta quem aceite, amorosamente, a sua fragilidade, para que ela mesma a possa acolher no seu corpo, mente e coração. No fundo, falta-lhe aquela cumplicidade de...
Estava a terminar os afazeres do dia e já era horas de dormir. Vejo que tinha várias chamadas do mesmo número, no telemóvel. Não identifico de quem é. Como ando sem som, também não reparei antes. Fui ver melhor e constato que a última chamada tinha sido feita poucos minutos antes. Devolvo, dando só um toque. Imediatamente, me a devolvem. Conheço logo a voz: – Boa noite, senhor padre. É já tarde e estar a incomodar. Mas, acho que não aguento mais. Cumprimentei-a e perguntei o que se passava, embora o imaginasse, pois não era a primeira vez que falávamos. Ela continuou: – Padre Rodolfo, se soubesse o que custa a solidão… A coisa pior é que, muitas vezes, o único som que ouço é o do relógio da torre a marcar as horas. Quando...
Este artigo está reservado para assinantes.
Poderá visualizar este artigo
ou assinar um Plano Básico
Já é assinante? Inicie sessão
Autor: Jornal da Mealhada
