Sábado, 16 de Agosto de 2025 às 10:32

“Piolhos & Atores” e Nós

“Piolhos & Atores” e Nós

Opinião

“Piolhos & Atores” e Nós

Dois atores em palco. Sozinhos. Famintos. Gastos. Agarrados às palavras, à rotina de representar, ao eco incerto de um público […]

Dois atores em palco. Sozinhos. Famintos. Gastos. Agarrados às palavras, à rotina de representar, ao eco incerto de um público ali sentado que talvez os escute — ou não. Porque, como referem, são os atores que vão ao teatro; o público, esse desconhecido envolto na penumbra da sala, já lá está à espera “sentado”. Assim se constrói a história de Ñaque, uma obra-prima sobre a condição do artista e a fragilidade do ato teatral. Em Piolhos & Atores, espetáculo que tive o privilégio de fotografar a convite do ator e encenador Guilherme de Bastos Lima, esses dois personagens da comédia clássica — Solano e Rios — emergem como símbolos não apenas de um teatro do passado, mas de uma realidade muito presente. Porque, na verdade, quem são também hoje estes atores? São, por exemplo, os freelancers, os precários, os invisíveis. Os que saltam de projeto em projeto, sem garantias, sem rede, com o talento como única arma e a paixão como única certeza. A peça é uma travessia inquieta entre a fome e o riso (que contagia o público), entre o esquecimento e a teimosia de continuar. Um espelho desconcertante da nossa própria sociedade, onde tanta gente — fora do palco — representa papéis que ninguém valoriza, enquanto luta para existir com dignidade. Enquanto outros os esperam, porque precisam deles. Piolhos & Atores, levado a cena pela companhia Teatro do Bigode, mistura humor e melancolia, cansaço e resistência, e carrega...

Dois atores em palco. Sozinhos. Famintos. Gastos. Agarrados às palavras, à rotina de representar, ao eco incerto de um público ali sentado que talvez os escute — ou não. Porque, como referem, são os atores que vão ao teatro; o público, esse desconhecido envolto na penumbra da sala, já lá está à espera “sentado”. Assim se constrói a história de Ñaque, uma obra-prima sobre a condição do artista e a fragilidade do ato teatral. Em Piolhos & Atores, espetáculo que tive o privilégio de fotografar a convite do ator e encenador Guilherme de Bastos Lima, esses dois personagens da comédia clássica — Solano e Rios — emergem como símbolos não apenas de um teatro do passado, mas de uma realidade muito presente. Porque, na verdade, quem são também hoje estes atores? São, por exemplo, os...

Autor: Jornal da Mealhada

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