Quanto pesam as palavras?
A Revolução dos Cravos pôs fim a um regime autocrático e abriu caminho para uma sociedade assente em valores democráticos. […]
A Revolução dos Cravos pôs fim a um regime autocrático e abriu caminho para uma sociedade assente em valores democráticos. Entre eles, há um que salta à vista: a liberdade. Sem ela, a democracia torna-se incompleta e vulnerável, sujeita à manipulação e ao silenciamento das vozes dissonantes.Tenho 21 anos. Nunca vivi num ambiente onde a liberdade de expressão estivesse ameaçada. Nunca fui silenciado por indivíduos, instituições ou órgãos de poder. Nunca me foi negado o direito de expressar uma opinião, independentemente do seu conteúdo ou validade. Mas sei que esta realidade, que hoje tomo como certa, contrasta radicalmente com o que se vivia antes da Revolução. Durante o Estado Novo, se pensar de forma independente era arriscado, verbalizar esse pensamento podia ser fatal. A censura controlava jornais, livros… até conversas privadas! O medo era uma constante – e discordar do regime podia traduzir-se em severas represálias.Em pleno século XXI, é reconfortante pensar que ninguém nos impede de escrever um artigo crítico sobre o governo. Que nenhuma manchete é rasurada antes de chegar às bancas. Mas seria ingénuo acreditar que a liberdade de expressão está definitivamente assegurada, ou que não enfrenta, hoje, novos e subtis desafios. Se outrora a ameaça era o Estado, hoje pode emanar das próprias dinâmicas sociais. A chamada cultura do cancelamento tornou-se um fenómeno global: opiniões impopulares ou controversas podem conduzir ao ostracismo social e profissional. As redes sociais, que democratizaram a comunicação, transformaram-se também em arenas...
A Revolução dos Cravos pôs fim a um regime autocrático e abriu caminho para uma sociedade assente em valores democráticos. Entre eles, há um que salta à vista: a liberdade. Sem ela, a democracia torna-se incompleta e vulnerável, sujeita à manipulação e ao silenciamento das vozes dissonantes.Tenho 21 anos. Nunca vivi num ambiente onde a liberdade de expressão estivesse ameaçada. Nunca fui silenciado por indivíduos, instituições ou órgãos de poder. Nunca me foi negado o direito de expressar uma opinião, independentemente do seu conteúdo ou validade. Mas sei que esta realidade, que hoje tomo como certa, contrasta radicalmente com o que se vivia antes da Revolução. Durante o Estado Novo, se pensar de forma independente era arriscado, verbalizar esse pensamento podia ser fatal. A censura controlava jornais, livros… até conversas privadas! O medo era uma...
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Autor: Jornal da Mealhada
