Sobre a democracia e os seus inimigos
Vivemos tempos perigosos. Tempos em que se banaliza, com uma leviandade inquietante, o discurso contra os partidos políticos e contra […]
Vivemos tempos perigosos. Tempos em que se banaliza, com uma leviandade inquietante, o discurso contra os partidos políticos e contra o próprio ato de ir a votos. Para muitos, tornou-se quase um símbolo de modernidade dizer que “são todos iguais”, que “a política não interessa” ou que “as eleições são só para inglês ver”. Desengane-se quem acha que esta crítica superficial é apenas um desabafo inofensivo. O que está em marcha é uma erosão lenta e silenciosa daquilo que sustenta qualquer sociedade democrática: a confiança na participação cívica e nas instituições políticas.Cas Mudde, no seu livro O Regresso da Ultradireita, lembra-nos que a política é o único método pacífico de reconciliação de interesses numa sociedade plural. A alternativa, como a História já mostrou vezes demais, é a imposição pela força, o silenciamento da diversidade e a supressão das liberdades fundamentais. Retirar legitimidade à política – seja atacando os partidos, seja desvalorizando o voto – é abrir caminho à degradação democrática. Ou, no mínimo, fomentar uma indiferença onde prosperam a opacidade e a concentração de poder sem escrutínio.Os partidos políticos estão longe de ser perfeitos. Mas convém lembrar que são eles as únicas estruturas organizadas que respondem perante o eleitorado por programas, por equipas e por ideias de médio e longo prazo. São os partidos que permitem alternativas, renovação democrática e debate público. Sem eles, a política vira um jogo de vontades individuais, sem responsabilidade coletiva nem compromisso democrático. E as...
Vivemos tempos perigosos. Tempos em que se banaliza, com uma leviandade inquietante, o discurso contra os partidos políticos e contra o próprio ato de ir a votos. Para muitos, tornou-se quase um símbolo de modernidade dizer que “são todos iguais”, que “a política não interessa” ou que “as eleições são só para inglês ver”. Desengane-se quem acha que esta crítica superficial é apenas um desabafo inofensivo. O que está em marcha é uma erosão lenta e silenciosa daquilo que sustenta qualquer sociedade democrática: a confiança na participação cívica e nas instituições políticas.Cas Mudde, no seu livro O Regresso da Ultradireita, lembra-nos que a política é o único método pacífico de reconciliação de interesses numa sociedade plural. A alternativa, como a História já mostrou vezes demais, é a imposição pela força, o silenciamento da diversidade e...
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Autor: Jornal da Mealhada
