Uma ideia para o jogo da argumentação
É inevitável falar de política sem que, por arrasto, se fale de filosofia. E é impossível discutir filosofia sem tocar […]
É inevitável falar de política sem que, por arrasto, se fale de filosofia. E é impossível discutir filosofia sem tocar no conceito de “argumentação” – uma ideia que remonta aos anos 300 a.C. e que foi brilhantemente destrinchada por Aristóteles. Mas o que é isto da “argumentação”? Aristóteles trouxe três fundamentos essenciais para a “argumentação”: ethos, pathos e logos. O ethos diz respeito à credibilidade do orador; o pathos, à sua capacidade para mobilizar emoções; e o logos à força lógica da dos seus argumentos. No ideal democrático, o logos deveria prevalecer. No mundo real, o ethos e o pathos frequentemente atropelam a lógica e transformam o debate público numa questão de percepções e de personalidades.A ascensão da política-espetáculo tem reforçado esta tendência. Hoje, é mais valorizado o culto da personalidade do político do que as ideias que ele defende. O discurso político já não é apenas o confronto de programas e de princípios, mas antes uma batalha de narrativas, onde a máquina partidária – robusta, organizada e com múltiplos intervenientes – se esconde sob a figura central do líder. O político torna-se uma marca, e essa marca muitas vezes pesa mais do que os factos e os argumentos racionais que deveria apresentar. Vota-se no partido x, não pelo seu programa, mas pela imagem do líder; preferimos o partido y não pelas suas propostas, mas pela estratégia mediática.Esta ênfase na imagem e personalidade do político, em detrimento das ideias ou...
É inevitável falar de política sem que, por arrasto, se fale de filosofia. E é impossível discutir filosofia sem tocar no conceito de “argumentação” – uma ideia que remonta aos anos 300 a.C. e que foi brilhantemente destrinchada por Aristóteles. Mas o que é isto da “argumentação”? Aristóteles trouxe três fundamentos essenciais para a “argumentação”: ethos, pathos e logos. O ethos diz respeito à credibilidade do orador; o pathos, à sua capacidade para mobilizar emoções; e o logos à força lógica da dos seus argumentos. No ideal democrático, o logos deveria prevalecer. No mundo real, o ethos e o pathos frequentemente atropelam a lógica e transformam o debate público numa questão de percepções e de personalidades.A ascensão da política-espetáculo tem reforçado esta tendência. Hoje, é mais valorizado o culto da personalidade do político do que...
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Autor: Jornal da Mealhada
