A REBALDARIA
Tudo se conjuga para que nem um banco escape à derrocada. Desde os já históricos casos BPN e BPP, do […]
Tudo se conjuga para que nem um banco escape à derrocada.
Desde os já históricos casos BPN e BPP, do BES e do BANIF, temos agora os tremeliques do BCP e do MONTEPIO e esse terramoto que se chama CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS. Nem mais!
E quando o PSD mais o CDS se apressam a cavalgar na onda, inquirindo o Governo e culpando-o pelo desastre que se aproxima, nós ficamos petrificados com tamanho despudor, tamanha incompetência, tamanha irresponsabilidade de toda a camarilha do famigerado arco da governação que durante todos estes anos de regabofe distribuiu e alternou entre si as cadeiras do poder, das administrações das empresas públicas e, por artes mágicas de tráfico de influências e obscuros favorecimentos, logrou assento nas douradas poltronas dos altos comandos de importantes empresas privadas.
É degradante assistir à dança das cadeiras das chefias e dos quadros intermédios de tudo o que cheira a estado que se segue à entrada em exercício de cada novo governo. A valsa dos boys e das girls, cuja fidelidade, sabujismo e compadrio partidário são bem mais importantes que a competência e o bom senso exigíveis nessas funções.
São milhões, talvez biliões de euros sacados dos bolsos de milhares de depositantes que acreditaram e aforraram nas instituições bancárias deste país e que, no solo pátrio e por essa Europa fora, clamam pela justiça que jamais chegará enquanto os ladrões continuam à solta a arejar o dinheiro que roubaram nas mais complexas e refinadas falcatruas que se possam conceber, nas barbas dos reguladores que nada regularam, dos governantes que de nada sabiam e dum Parlamento que se esteve nas tintas a brincar aos inquéritos enquanto os indícios eram mais que evidentes e as notícias corriam à boca cheia pelos corredores e pelos Passos Perdidos.
Se a conivência deitasse mau cheiro, pelos arredores de São Bento, do Terreiro do Paço e das nobilíssimas artérias pombalinas da baixa lisboeta tresandaria a uma pestilência insuportável. Os portugueses têm informação e provas mais do que suficientes para intuir da responsabilidade e do dolo de muita gente que se pavoneia, que bota faladura em tudo o que é palco ou tribuna, que continua a viajar nas carreiras que conduzem aos tachos suculentos.
É precisamente aqui que vivemos acima das nossas possibilidades: nos vencimentos e outras prebendas escandalosas, quando cada ministro, cada administrador se apossa dum carro topo de gama com motorista privativo, quando se enterram milhões em obras sumptuosas como, o CCB, o edifício-sede da CGD, e em outros megalómanos mamarrachos de fachada que proliferam por esse país, em centenas de pomposas obras públicas sem nexo e sem tino, só entendíveis em gulosos e gravosos negócios e parcerias altamente blindados e dos quais apenas os construtores e financiadores terão aproveitado. E de que maneira!
E é assim que ministros e outros governantes têm dourados tachos à sua espera quando terminam ou abandonam funções.
Uma gigantesca e descabelada rebaldaria!
Pelas cadeiras das administrações dos bancos estatais têm passado gerações de administradores designados pelos governos e cuja escolha tem por detrás os cordelinhos de interesses partidários, teias de muito duvidosos critérios de competência e seriedade. Está à vista o que aconteceu aos bancos falidos: vencimentos e reformas douradas, créditos à balda, depositantes e contribuintes a arderem e os responsáveis repimpados e altamente convencidos de que a montanha da justiça irá parir um rato.
Adivinha-se o que se terá passado na CGD. Malbaratamento de capitais, clamorosos erros de gestão, créditos concedidos aos amigos sem as necessárias garantias e, pasme-se, a iminência duma proposta de abolição do tecto limitativo das chorudas remunerações da administração.
Quatro milhões de euros? Para quê? Com esta política? Com esta gente?
Esta rebaldaria não pode, não deve continuar!
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Opinião de Renato Macedo de Ávila
Autor: Jornal da Mealhada
