Aguarela de Memórias encheu Cineteatro Messias
Depois de um ano dedicado a Anton Tchekov, é chegada a vez de a Aguarela de Memórias, associação teatral sedeada […]
Depois de um ano dedicado a Anton Tchekov, é chegada a vez de a Aguarela de Memórias, associação teatral sedeada no concelho da Mealhada, levar a palco Uma Mulher sem Importância, uma comédia de Oscar Wilde, escrita, em 1892 e estreada, em Londres, no ano seguinte. A peça esteve em cena, na noite do dia 30 de abril, no Cineteatro Municipal Messias, na cidade da Mealhada, que contou com uma plateia praticamente cheia. Preparamos agora a apresentação desta peça em outras salas de teatro da região, declarou, ao Jornal da Mealhada, Gil Ferreira, da Associação Aguarela de Memórias.
Esta comédia de costumes trata de um conjunto de personagens extraordinárias, que se vão revelando ao longo da peça, dando vida a um argumento que se desenrola numa ambiência de frivolidade a raiar, por vezes, o cinismo, mas que se revela profundamente lúcido e crítico.
Em Uma Mulher sem Importância encontramos o que de melhor caracteriza a escrita de Oscar Wilde. Numa linguagem assumidamente frívola, com um humor tão subtil quanto incisivo, o escritor denuncia, num argumento quase trivial, a hipocrisia dos costumes, a vacuidade da elite social do seu tempo, a existência de um duplo padrão de conduta que condena numa mulher aquilo que se aceita num homem, lê-se numa nota explicativa, enviada ao Jornal da Mealhada, que acrescenta: À época, o tema não podia ser mais revolucionário. Todavia a peça desenvolve-se, quase pacificamente, nos salões elegantes e sofisticados da nobreza rural de Inglaterra, ora com momentos de corrosiva ironia ora em situações de grande tensão e dramatismo.
Com uma duração aproximada de duas horas, esta é a mais ambiciosa das produções que a Aguarela de Memórias leva a cabo nos seus cinco anos de existência e conta com a participação de quase todos os elementos desta companhia de teatro e um cuidado guarda-roupa que remete para a época.
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Quem é a encenadora?
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“Ana Lúcia Xavier, natural de Águeda, estudou Interpretação Teatral na Academia Contemporânea de Espectáculo no Porto. Durante a sua formação teve oportunidade de trabalhar com nomes como António Capelo, João Paulo Costa, Joana Providência, Kuniaki Ida, Sérgio Praia, Maria do Céu Ribeiro, Peripécia Teatro, entre outros. Mais recentemente, retomou na dOrfeu- Associação Cultural o desenvolvimento da sua actividade formativa e criativa. Nesse âmbito, durante mais de cinco anos dinamizou o Núcleo Formativo de Teatro para adultos. Nos últimos dois anos tem colaborado de forma mais estreita com a Associação Aguarela de Memórias tanto na encenação do grupo de adultos como na coordenação da recente Escola de Teatro para crianças e jovens.
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Oscar Wilde, o autor
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Oscar Wilde nasceu em 1854, em Dublim, do estranho par que formavam o pai, Sir William Wilde eminente oftalmologista e incorrigível D. Juan, e a mãe, Jane Francesca Elgee, uma mulher dominadora e extravagante, defensora do movimento da Independência Irlandesa e que escrevia.
A morte de Isola, uma adorada irmãzinha com quem muito se identificava, marcou dolorosamente a adolescência de Oscar Wilde, do que resultou uma natureza partilhada entre a nostalgia romântica e a mais original e estimulante lucidez.
Debaixo da sua capa exuberante e exibicionista, Wilde escondia a mágoa de uma profunda solidão, sempre presente, mesmo quando era reconhecido e aclamado. As suas obras cedo lhe garantiram um lugar cimeiro na literatura de língua inglesa. Todavia os seus excessos chocaram a Inglaterra vitoriana do final do século XIX. Processado por ofensas à moral devido à sua homossexualidade, Oscar Wilde esteve preso dois anos, ao fim dos quais se exilou em França, onde morreu, passado pouco tempo, em 1900.
Entre as obras de Oscar Wilde destacam-se títulos como O Retrato de Dorian Gray, A Importância de se chamar Ernesto (também conhecido como A Importância de Ser Prudente), consideradas as suas obras maiores, a que se juntam peças como O Leque de Lady Windermere, O Marido Ideal, Uma mulher sem importância, Salomé, ensaios e poemas.
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Fotografia de Miguel Ferreira
Informações da Aguarela de Memórias
Autor: Jornal da Mealhada
