Alfredo Cunha regressou ao Museu do Vinho Bairrada para falar da sua obra
A sessão permitiu aos visitantes conhecer melhor as histórias, as opções técnicas e o olhar que estão por detrás de algumas das fotografias expostas.
Depois de ter estado presente na inauguração da exposição “Alfredo Cunha – Photographo – 1970 I 2025”, Alfredo Cunha regressou ao Museu do Vinho Bairrada, no passado sábado,
desta vez para estar mais próximo do público e falar diretamente sobre a sua obra. A sessão permitiu aos visitantes conhecer melhor as histórias, as opções técnicas e o olhar que estão por detrás de algumas das fotografias expostas.
A presença do fotógrafo teve um significado especial por acontecer no âmbito das celebrações do 23.º aniversário do Museu do Vinho Bairrada, assinalado no passado dia 27 de setembro, e que teve nesta exposição um dos seus momentos de destaque.
Inaugurada a 13 de junho, a mostra reúne mais de cinco décadas do percurso de Alfredo Cunha, desde os primeiros trabalhos profissionais, iniciados em 1970, até à produção mais recente. É uma viagem pela fotografia, mas também pela história contemporânea portuguesa, através do olhar de um dos seus mais reconhecidos fotojornalistas.
Da inauguração ao encontro com o público
O seu regresso assumiu, contudo, uma natureza diferente.
Desta vez, não se tratou apenas de apresentar a mostra, mas de estar perante os visitantes, percorrer com eles algumas das fotografias e explicar o seu trabalho.
De forma simples, direta e acessível, o fotógrafo foi respondendo às questões que lhe foram colocadas, abordando aspetos técnicos, opções estéticas e circunstâncias relacionadas com a
realização de algumas das imagens.
A conversa rapidamente ultrapassou aquilo que poderia ser uma simples visita guiada. Os participantes foram colocando perguntas e Alfredo Cunha respondeu sempre de forma clara e
inteligível, aproximando o público das fotografias e permitindo perceber que, por detrás de cada imagem, existe um conjunto de decisões, circunstâncias e, sobretudo, uma determinada
forma de olhar.
Foi também uma oportunidade para conhecer melhor o homem por detrás da objetiva e perceber como algumas das fotografias que fazem parte da memória coletiva portuguesa
nasceram.
“Uma leitura muito fácil e clara”
Na inauguração, Alfredo Cunha tinha já destacado a forma como a exposição foi organizada, considerando-a “uma exposição com uma leitura muito fácil e clara”, capaz de permitir ao
visitante acompanhar diferentes momentos do seu percurso fotográfico.
No seu regresso ao Museu, voltou igualmente a elogiar a forma como as suas obras foram apresentadas, destacando o rigor e a qualidade da curadoria, bem como a mestria colocada
na construção da exposição.
O fotógrafo fez ainda uma referência particularmente elogiosa ao catálogo da mostra, que considerou um dos melhores, senão mesmo o melhor, dos que foram realizados até hoje
sobre a sua obra.
Segundo Alfredo Cunha, a qualidade da exposição tem também sido reconhecida por profissionais ligados à cultura e ao universo dos museus. A mostra recebeu, entre outros visitantes, a Assessora do Ministério da Cultura do Luxemburgo e vários diretores de museus que, de acordo com o fotógrafo, destacaram de forma unânime a qualidade e o cuidado colocados na conceção e montagem da exposição.
Um percurso que atravessa a história recente de Portugal
Alfredo Cunha nasceu em 1953, em Celorico da Beira. Em 1970 iniciou a sua carreira profissional na fotografia publicitária e comercial e, no ano seguinte, estreou-se como
fotojornalista no jornal Notícias da Amadora.
Ao longo das décadas seguintes colaborou com O Século, O Século Ilustrado, a revista Vida Mundial, a Agência Noticiosa Portuguesa – ANOP, as agências Notícias de Portugal e Lusa,
entre outros órgãos de comunicação social. Foi fotógrafo oficial dos Presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, seu grande amigo e muitas vezes confidente,tendo recebido a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.
Mais de cinco décadas de atividade resultaram num vasto legado fotográfico que documenta acontecimentos, personalidades e transformações profundas da sociedade portuguesa. É esse legado que a exposição apresenta no Museu do Vinho Bairrada, numa organização do Município de Anadia, em parceria com o Museu do Neo-Realismo e o Município de Vila Franca
de Xira.
As fotografias podem ser vistas como documentos históricos, mas também como interpretações de um tempo. O valor da exposição está, precisamente, nessa dupla leitura: a
fotografia enquanto memória e enquanto olhar. E o regresso de Alfredo Cunha ao Museu permitiu acrescentar uma terceira dimensão — a voz do próprio autor, explicando as imagens, respondendo às perguntas e partilhando com o público parte da experiência acumulada ao longo de mais de cinco décadas atrás de uma
máquina fotográfica.
A exposição “Alfredo Cunha – Photographo – 1970 I 2025” pode ser visitada no Museu do Vinho Bairrada, dentro do horário normal de funcionamento, até 18 de outubro.
Autor: Fernando Simões


