Alimentação Coletiva e Obesidade
A propósito do Dia Mundial de Luta contra a Obesidade, nunca é demais recordar que a obesidade é uma doença […]
A propósito do Dia Mundial de Luta contra a Obesidade, nunca é demais recordar que a obesidade é uma doença cuja prevalência continua a crescer, anualmente, em todos os grupos etários.
Hoje, a minha reflexão vai para a importância da, tecnicamente denominada, alimentação coletiva, que inclui refeitórios escolares, cantinas, restaurantes de empresas, entre outros, na promoção da alimentação saudável junto da população em geral. Há mais de um milhão de portugueses, desde crianças, jovens, população ativa e seniores, que fazem, pelo menos, uma refeição por dia servida por uma empresa de restauração coletiva, seja em escolas, empresas, hospitais, centros sociais ou lares. Estes operadores que produzem e/ou fornecem refeições têm a responsabilidade de o fazer, cumprindo os requisitos de uma alimentação saudável e adaptada ao público-alvo. As suas ementas têm que ser previamente pensadas e preparadas, os alimentos adequadamente escolhidos em fornecedores selecionados, havendo também a necessidade de um rigoroso controlo dos pontos críticos da confeção e rigor no empratamento, o que só é possível com o acompanhamento e supervisão de um nutricionista.
Na prática clínica, deparo-me, com bastante frequência, com pessoas que apresentam insatisfação perante as refeições que lhes são fornecidas nestes operadores. Se, por um lado, estou convicta de que a insatisfação é, muitas vezes, por preconceito relativamente às cantinas, outras vezes, e após a análise às ementas em questão, verifico que as mesmas apresentam algumas lacunas e que deveriam/deverão ser sinónimo de francas melhorias. Este incremente de qualidade nutricional pode ser conseguido, com muita frequência, apenas com alterações dos métodos de confeção que, mal selecionados, podem aumentar substancialmente o valor energético da ingestão alimentar. O que acontece, por exemplo, com determinados alimentos cozidos que têm um valor energético menor que os mesmos alimentos e ingredientes guisados.
Este pormenor passa a ser um pormaior se um indivíduo que acompanho estiver a alterar os seus hábitos alimentares no sentido de obter perdas de peso graduais e consistentes, uma vez que um aumento no valor energético ingerido de uma das refeições diárias pode comprometer todo o esforço despendido durante o resto do dia.
Quando falamos de obesidade, da sua prevenção e do seu tratamento, não podemos pensar apenas em doces, fast food ou alimentos densamente energéticos. Devemos, também, focar-nos nos alimentos que diariamente são fornecidos aos portugueses. A obesidade é uma doença grave, sendo que todos os operadores da área alimentar e também todos os profissionais de saúde tem o dever de cumprir o seu papel no combate à obesidade.
xa0
Maria João Campos
Nutricionista no Hospital Misericórdia da Mealhada
Autor: Jornal da Mealhada
