Análise da CERTIEL conclui que acidentes de origem elétrica provocaram 20 mortos e 47 feridos em 2011
Um estudo realizado pela CERTIEL Associação Certificadora de Instalações Elétricas, durante o ano de 2011, concluiu que no ano passado […]
Um estudo realizado pela CERTIEL Associação Certificadora de Instalações Elétricas, durante o ano de 2011, concluiu que no ano passado ocorreram 123 acidentes relacionados com origem elétrica, dos quais 103 foram causadores de incêndio. Dos incidentes registados resultaram 20 mortos, incluído duas crianças, 47 feridos, dos quais 12 com queimaduras graves, e 138 desalojados.
Este estudo resulta da análise do registo dos acidentes de origem elétrica noticiados na imprensa online durante o ano de 2011 e, conforme explica Carlos Ferreira Botelho, diretor-geral da CERTIEL, «pretende consciencializar a opinião pública para uma situação que existe e que, por vezes, não é suficientemente valorizada, mas que tem consequências humanas e materiais significativas». E, acrescenta, «é preocupante constatar que, considerando apenas os casos de acidentes com origem elétrica que foram notícia nos meios digitais, se registaram elevadas perdas humanas e materiais, sendo que os 123 incidentes tiveram impacto direto em mais de duas centenas de pessoas, entre óbitos, feridos e desalojados».
No estudo em causa, foram apenas considerados acidentes que foram notícia nos meios de comunicação social, e cujo texto indica como causa um fenómeno relacionado diretamente com a utilização de eletricidade, como curto-circuito, sobrecarga da instalação elétrica, contactos diretos ou indiretos com a instalação elétrica, avaria de equipamentos e utilização incorreta dos aparelhos elétricos ligados à instalação elétrica (excluem-se os acidentes resultantes do furto de cobre e equipamentos das instalações elétricas).
A utilização deste método, análise de notícias da imprensa, deve-se ao facto de não existir em Portugal nenhum registo dos incidentes relacionados com eletricidade. Este método implica que os resultados apurados representem apenas por defeito a realidade, na medida em que muitos dos acidentes relacionados com a eletricidade não são noticiados como tendo origem elétrica, quando essa origem ainda não foi apurada, «o que acontecerá a maior parte das vezes», ou seja, «a realidade ultrapassará, infelizmente, estes números», conclui Carlos Botelho.
Carlos Botelho explica a causa do elevado número de acidentes elétricos em 2011 com a não obrigação de fiscalização, após a entrada em vigor da instalação elétrica, o que pode levar a que «uma instalação elétrica funcione durante 20, 30, 40 anos ou mais sem qualquer tipo de intervenção, sendo que, com os anos e com o uso, esta se vai degradando, representando um risco real para os seus utilizadores, especialmente quando envolve crianças». «Este é um cenário preocupante mas também revelador, uma vez que se estima existirem em Portugal cerca de 3,9 milhões de habitações cujas instalações elétricas são antigas, e que previsivelmente estarão degradadas».
A este facto acresce a desadequação das instalações elétricas mais antigas às exigências de conforto atuais: «na altura da sua construção não foram previstos os elevados consumos de energia, associados à utilização de diferentes eletrodomésticos como forno, arca frigorífica, aparelhos de climatização, máquinas de lavar e secar, etc., que exigem muito da instalação elétrica, pelo que se ela não for concebida de forma adequada, poderá ser insegura e ineficiente». E, conclui, «a inovação exige-nos instalações elétricas capazes e de qualidade».
Dos 103 incêndios registados, 58 ocorreram em habitações, sendo que destes 17 resultaram na destruição total da habitação, 34 em destruição parcial, e sete em destruição localizada (destruição localizada reporta-se à destruição apenas do local de origem do incêndio, permitindo, após maior ou menor reparação, a continuidade de utilização do local).
Em termos de distribuição dos acidentes no território nacional, a região Norte é a que conta com maior número de registos, com 55 acidentes elétricos facto que se explica com a distribuição das instalações elétricas, já que esta região é a que conta com maior parque habitacional construído , o Centro conta com 24, Lisboa e Vale do Tejo com 16, o Alentejo com nove, o Algarve com 12, e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira com sete.
Os acidentes elétricos registados em 2011 distribuem-se ao longo do ano, sendo que nos meses de junho e dezembro se registam aumentos significativos das ocorrências face aos meses anteriores. As causas dos acidentes dividem-se entre contacto direto ou falha de isolamento, curto-circuito, sobrecarga da instalação elétrica, e erro de utilização. O curto-circuito é o que regista maior número de casos, com 69 ocorrências, seguindo-se a sobrecarga, com 31, o contacto direto ou falha de isolamento com 13, e o erro de utilização com 10 casos.
Dos acidentes registados, a maioria, 50,4 por cento, aconteceu em moradias e apartamentos, seguindo-se os acidentes em estabelecimentos abertos ao público e serviços públicos, com 30,9 por cento do total de acidentes. Também se registaram acidentes com origem elétrica em edifícios escolares, industriais e agrícolas.
«No seguimento do desconhecimento que vamos detetando na população em geral, e também da constatação de inúmeros acidentes elétricos que podem pôr em causa a segurança das pessoas e bens, a CERTIEL lançou em janeiro passado uma campanha de sensibilização para alertar para a questão da segurança e da eficiência nas instalações elétricas das habituações portuguesas com o mote Usar bem a energia é um dever de cidadania», acrescenta Carlos Botelho.
«No website da iniciativa, disponível em http://www.certiel.pt/usarbemaenergia/, qualquer pessoa pode procurar mais informação sobre a segurança e eficiência elétricas, assim como visualizar o filme da campanha que apresenta, de uma forma prática, alguns exemplos de mau uso da energia elétrica e situações de insegurança». Paralelamente «também o atendimento telefónico da CERTIEL está à disposição para esclarecimento de eventuais dúvidas, assim como a página de Facebook da campanha Usar bem a energia é um dever de cidadania» conclui o responsável.
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Autor: Jornal da Mealhada
