Autarcas querem desagregar freguesias, onde o trabalho (até) funcionou bem
Na última edição impressa do Jornal da Mealhada demos conta da aprovação, por unanimidade, do executivo da Câmara Municipal, para […]
Na última edição impressa do Jornal da Mealhada demos conta da aprovação, por unanimidade, do executivo da Câmara Municipal, para se dar início ao processo que poderá conduzir à desagregação de freguesias. As opiniões dos principais intervenientes políticos na questão são também uníssonas no apoio a esta medida, contudo, não é esquecido o trabalho feito nos últimos três anos que correu bem.
Politicamente não podia estar contra a desagregação, declarou, ao nosso jornal, João Santos, presidente da Junta da União das Freguesias da Mealhada, Ventosa do Bairro e Antes, que, contudo, confessa que serão criados alguns constrangimentos. Foram três anos de trabalho para organizar uma mega freguesia a partir do zero, orientar-se pessoal, ampliar Estaleiros e sede da Junta. Foi feito muito trabalho que agora se poderá ver voltar para trás, lamentou o autarca, que garante que caso o processo da desagregação vá em frente haverá ainda mais trabalho. De três freguesias criar-se uma é bem mais fácil do que de uma se dividir por três, acrescenta.
João Santos enfatiza ainda, conforme o disse na última Assembleia Municipal da Mealhada, que pode haver pessoas insatisfeitas, mas também há as que por elas já não se mexia em nada porque como está, está bem!. Para o autarca o mais importante é cumprir o mandato: Candidatei-me pelas pessoas e é por elas que vou continuar a trabalhar.
Presidente, durante quatro mandatos, da Junta da extinta freguesia da Antes, Benjamin Almeida, tesoureiro da autarquia da União, mantém a posição de há três anos contra a agregação, que está em vigor. Não funciona. Cada povo tem os seus hábitos e a sua maneira de ser. Como se costuma dizer cada terra tem os seus costumes, cada roca os seus fusos, afirmou-nos o autarca, que garante: A grande maioria da população não aceita esta agregação e estará a favor da desagregação.
O secretário da Junta da União de Freguesias, Fernando Parreira, fez sempre parte dos anteriores executivos da Junta de Ventosa do Bairro e afirma que mantém a opinião: Fomos sempre contra esta União e chegámos a levar o caso a Tribunal, que não deu provimento à nossa questão, considerando-a um caso político. Apesar disto, o autarca esclarece que o trabalho de toda a equipa tem funcionado bem, com muita organização e orientação, mas que certamente será preferível ter uma freguesia mais pequena para se chegar mais depressa a todo o lado.
António Breda, vogal do executivo da Junta da União de Freguesias e membro da CDU, também assume que a agregação funcionou bem e se trabalhou bem, mas a CDU sempre lutou contra a agregação. É melhor as três freguesias separadas e o povo assim o pretende!, acrescentou.
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O fundamental é ouvir-se as populações para se avaliar o trabalho dos autarcas
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Para este trabalho quisemos também ouvir a posição de Bruno Coimbra, presidente da Comissão Política da Secção da Mealhada do Partido Social Democrata, sobre todo este assunto. Não obstante a Reforma em que a agregação das freguesias esteve inserida ser recente e precisar de tempo para que possa ser devidamente avaliada, o debate é sempre importante para qualquer assunto. Os ecos que vão chegando até agora dão nota de casos de sucesso e também de casos menos conseguidos para as situações em que as freguesias foram agregadas. É importante perceber, se no caso das freguesias agregadas no concelho da Mealhada, as pessoas estão ou não satisfeitas com os resultados dessa agregação… se sentem diferenças positivas ou negativas e que diferenças. A opinião dos autarcas e das autarquias é muito importante – para percebermos o que funciona pior ou melhor -, mas o que é realmente fundamental é a opinião das populações que são servidas por esses autarcas e que sabem avaliar o seu trabalho e os serviços que têm à sua disposição, esclarece o também deputado na Assembleia da República, que percebe a intenção da Câmara de querer trazer o assunto a discussão. É compreensível que o Município da Mealhada queira promover essa reflexão e que faça um caminho que vá ao encontro do resultado dessa mesma reflexão, da qual o PSD Mealhada não se exclui.
Para Bruno Coimbra é natural que depois do Governo do PSD/CDS nos ter libertado do espartilho da Troika, possamos fazer essa ponderação, pois estamos livres de outros compromissos para tomar decisões, e porque o mesmo Partido Socialista que colocou a agregação de freguesias no memorando com a Troika e que anos antes queria agregar todas as freguesias com menos de mil eleitores, independentemente das suas características, é o mesmo partido que disse que quando governasse iria reverter esta agregação de freguesias, e que hoje é Governo.
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Está aberta uma janela de oportunidade que temos de aproveitar, diz Marqueiro
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Agora, e depois da proposta do executivo camarário da Mealhada, o assunto segue para Assembleia Municipal, onde se espera que seja aprovada a contestação pública ao projeto de União imposto pelo Governo em 2013. Com isto, Rui Marqueiro, presidente da autarquia espera voltar a ter as oito freguesias no município: Antes, Barcouço, Casal Comba, Luso, Mealhada, Pampilhosa, Vacariça e Ventosa do Bairro.
Não temos ainda a certeza do que será feito, mas está aqui aberta uma janela de oportunidade que temos de aproveitar. Pelo menos transmitir que a vontade das populações é esta e depois cabe ao Governo decidir se reverte o processo ou não, explica, num comunicado de imprensa, o autarca.
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Mónica Sofia Lopes
Autor: Jornal da Mealhada
