BA-61 segue para recuperação: Câmara garante regresso à Pampilhosa
A centenária locomotiva BA-61, única no mundo, foi retirada da Estação da Pampilhosa, na Mealhada.
A centenária locomotiva BA-61, única no mundo, foi retirada da Estação da Pampilhosa, na Mealhada, na madrugada de 23 de novembro, com o propósito de ser recuperada. A remoção ocorreu na sequência da demolição do pavilhão onde se encontrava, intervenção necessária para a realização das obras de modernização da Linha da Beira Alta.
Numa primeira fase, a locomotiva foi transportada para um armazém da empresa de rações Valouro, situado na Zona Industrial de Viadores. Posteriormente, seguiu para o Entroncamento.
Segundo o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco, “o objetivo é recuperar a BA-61 para que depois volte ao local onde sempre esteve e a que pertence: a Pampilhosa”. O autarca acrescenta ainda que existe plena articulação entre a Câmara e o Museu Nacional Ferroviário, com vista à criação de condições que permitam integrar a Pampilhosa na rota dos espaços museológicos dedicados à ferrovia.
Também Andreia Morgado, presidente da Junta de Freguesia da Pampilhosa, manifesta o desejo de ver a máquina regressar à freguesia “de forma renovada”. Recorda que a BA-61 “faz parte da história da Pampilhosa e é elemento integrante do nosso brasão”. Para já, não existe ainda uma data definida para o seu regresso.
História da Locomotiva BA-61
Fabricada em 1924, a BA-61 pertenceu a um conjunto de cinco locomotivas da série 60, sendo atualmente a única sobrevivente, após o desaparecimento das restantes. A sua presença teve um grande impacto no crescimento populacional da vila, acompanhando o desenvolvimento associado à Linha da Beira Alta e à criação da Estação da Pampilhosa, que impulsionou o movimento ferroviário e o crescimento das indústrias do barro e da madeira.
Durante a década de 1980, a locomotiva esteve exposta nas proximidades da estação. No entanto, foi posteriormente transferida para um pavilhão dentro do recinto ferroviário para permitir a construção de um imóvel da CP. Ao longo dos anos, foi alvo de atos de vandalismo, tendo perdido várias peças — primeiro componentes metálicos e, mais tarde, elementos em ferro fundido.
Autor: Jornal da Mealhada
