Câmara da Mealhada foi atingida pela crise? Foi, mas tínhamos o trabalho feito!, garante Cabral
Durante mais de três horas Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, falou para o auditório da Biblioteca Municipal […]
Durante mais de três horas Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, falou para o auditório da Biblioteca Municipal da Mealhada, praticamente cheio, sobre o impacto da crise no concelho da Mealhada. Aliás, esse seria, provavelmente, o objectivo mas a conferência organizada pela Associação de Aposentados da Bairrada, e que se realizou na quarta-feira, 8 de fevereiro, acabou por ir além disso. Então o que acabou por ser? A resposta a esta pergunta poderá encontrar-se entre o que se poderia chamar uma presidência aberta e um balanço de mandato ou apresentação de contas.
“A Posição do Município da Mealhada face à crise económica que o país atualmente atravessa e o eventual condicionamento das suas atividades perante a comunidade local concelhia resultante de tal realidade” era o tema a apresentar por Carlos Cabral, sendo moderadores Nuno Salgado e Mário Saraiva. Mas o rumo da conversa acabou por ir além do tema. O presidente da Câmara da Mealhada começou por tecer duras críticas ao excesso de legislação contraditória a regular a vida e o funcionamento das autarquias e a asseverar: Aí sim há reformas a fazer. Mas aí não se fazem!.
Seguidamente abordou a temática e salientou o rigor na gestão financeira do município da Mealhada e no facto de isso ter dado à autarquia ferramentas que facilitaram a vida durante a crise. Carlos Cabral salientou os cortes no financiamento da administração central, referiu as áreas em que a Câmara da Mealhada reduziu e fez cortes e sublinhou a área social como a que mais o preocupa e onde o esforço do Município tem sido maior e mais acentuado. Quanto a obras Cabral referiu que o facto de a Câmara ter feito muitas candidaturas ao QREN e ter aplicado bem o financiamento permite à autarquia o acesso a mais financiamento e salientou a compra das antigas instalações do Instituto da Vinha e do Vinho a pronto para não pagar mais de 210 mil euros de juro ao fim de seis anos e da Cerâmica das Devezas, na Pampilhosa, como um esforço e um sinal de investimento mesmo em tempo de crise. (Veja o vídeo do presidente da Câmara Municipal da Mealhada sobre esta temática).
O presidente da Câmara Municipal falou de zonas industriais nomeadamente sobre a instalação de uma empresa francesa na Pedrulha e sobre a zona industrial de Barrô e da plataforma rodoferroviária da Pampilhosa, manifestou-se sobre a Reforma da Administração Local declarando que a Câmara se oporá à extinção de freguesias e não embarca nisso ouviu (e concordou) com a sugestão de compra pela autarquia do Chalet Suisso, na Pampilhosa, explicou o processo que levou à venda das acções e a toda a disputa jurídica entre a Câmara da Mealhada e a Sociedade das Águas de Luso, na década de 90 do século passado, falou sobre a não tolerância de ponto aos funcionários da administração central, falou sobre o processo da recuperação do cineteatro da Pampilhosa e declarou que, mesmo que pudesse, jamais se candidataria a uma Câmara Municipal de um concelho vizinho Porque tenho vergonha!, afirmou.
Cabral ouviu muitos elogios aos seus trinta e dois anos de desempenho autárquico na Câmara da Mealhada (como vereador da oposição, de 1980 a 1990, como número dois da autarquia, de 1990 a 1999 e como presidente, desde 1999) e à forma como geriu o município. A última pergunta que lhe foi dirigida, pedia-lhe que enunciasse, em fim de mandato, o que é que gostaria de ter feito r não fez. Carlos Cabral começou a resposta com um tanta coisa. E prosseguiu, iniciando a lista pela construção do Campo de Golfe da Pampilhosa, a obra do IVV, o Centro Educativo da Pampilhosa, a Zona industrial de Barcouço, e a revisão do PDM altura em que teceu duras criticas à forma como funcionários da administração central têm obstaculizado o processo que já dura 11 anos.
Autor: Jornal da Mealhada
