Câmara Municipal da Mealhada aciona Plano Municipal de Emergência
À passagem do furacão Leslie poucas paisagens ficaram incólumes. Na Mealhada são visíveis os estragos, com árvores na berma das […]
À passagem do furacão Leslie poucas paisagens ficaram incólumes. Na Mealhada são visíveis os estragos, com árvores na berma das estradas, sinalética destruída, vidros de edifícios partidos, ausência de água e energia elétrica em alguns locais do concelho. Atendendo às ocorrências registadas, a Câmara Municipal da Mealhada decidiu acionar o Plano Municipal de Emergência.
Na noite de dia 14 de outubro, a autarquia decidiu acionar o Plano Municipal de Emergência, fruto das ocorrências registadas na noite da passagem da tempestade Leslie, onde o vento atingiu velocidades na ordem dos 100 km/h. Na noite em que se jogava o último jogo do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins Feminino, interrompido pelas consequências da intempérie, um dos muitos sinais da destruição que estava por vir foi o corte de energia elétrica. Seguidamente também o abastecimento de água esteve cortado em vários pontos do concelho.
Durante a manhã de dia 15 de outubro, as localidades de Carquejo, Póvoa, Arinhos, Silvã, Luso, Barcouço, eram apenas algumas daquelas que ainda não tinham nem luz nem água. As ocorrências e a urgência de lhes fazer face foram o motivo de adiamento da Reunião de Câmara que o executivo tinha agendada para a referida data. Do edifício municipal, o executivo seguiu de imediato para o Quartel dos Bombeiros da Pampilhosa, onde esteve reunido com o comandante Fernando Abrantes.
Estamos a injetar água na rede pública do Carquejo e de Barcouço, Comandante dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, Fernando Abrantes
Em declarações ao Jornal da Mealhada, o Comandante dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, referiu que a principal preocupação era o abastecimento de água da população de Barcouço e do Carquejo, estamos a injetar água na rede pública do Carquejo e de Barcouço, referiu. Fernando Abrantes garantiu ainda ao nosso jornal que neste momento não temos nenhuma via impedida, embora os destroços se mantenham na berma. O comandante dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa referiu ainda que a população deve manter alguns cuidados, tendo em conta a fragilidade das terras e das árvores, uma vez que as condições meteorológicas ainda se mantêm desfavoráveis. Fernando Abrantes termina dizendo que quem puder tentar reparar os seus danos, quem consiga, será muito melhor, porque nós, bombeiros, não conseguimos chegar a todo o lado. Estamos empenhados em várias missões.
Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, referiu, em declarações ao nosso jornal na manhã de dia 15 de outubro, neste momento temos mais de metade do concelho sem água e sem energia elétrica.
Neste momento temos mais de metade do concelho sem água e sem energia elétrica, Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada
Durante a manhã de dia 15 de outubro o executivo esteve em vários pontos do concelho a tentar apurar qual o real impacto da passagem da tempestade Leslie e, Rui Marqueiro, vindo da reunião no Quartel dos Bombeiros da Pampilhosa, falou à comunicação social nos jardins do Palace Hotel do Bussaco, que ainda se mantem interdito à entrada de pessoas e veículos automóveis, por razões de segurança. Estamos no terreno, estamos a tentar concertar coisas privadas e coisas públicas. Temos todo o pessoal da Câmara, neste momento, na rua e os Bombeiros Voluntários da Pampilhosa e da Mealhada estão também no terreno, a fazer aquilo que é humanamente possível, garantiu Rui Marqueiro.
Sobre a inexistência de água e luz em algumas localidades, Rui Marqueiro disse que não há nenhum critério de preferência nem da EDP nem da Câmara Municipal sobre o restabelecimento da energia elétrica ou de água, chamando à atenção da população para o facto de não podemos ser insensíveis ao ponto de não perceber as dificuldades deles (das pessoas que estão no terreno). Concretamente sobre o Luso, o autarca acrescentou ainda que a EDP o informou de que a energia elétrica retomaria às 13h de dia 15 de outubro.
Ao longo da entrevista feita ao presidente da Câmara Municipal da Mealhada, eram visíveis os trabalhos de remoção dos destroços que Leslie causou, em torno do jardim do Palace do Bussaco e junto à loja da Fundação Mata do Bussaco.
Mata Nacional do Bussaco encerrada até data incerta
Neste momento, a Mata Nacional do Bussaco permanece encerrada, por decreto da Proteção Civil da Câmara Municipal da Mealhada, não havendo ainda data de reabertura, eu gostaria de ter uma data precisa, mas neste momento não há. Há a possibilidade de estarmos mais uns dias fechados, porque do ponto de vista da Proteção Civil trata-se de defender vidas, de defender as pessoas de algum perigo eventual, afirmou Rui Marqueiro. Ao longo dos próximos dias vão continuar a decorrer trabalhos de limpeza dos troncos que obstruíam entradas e vias de acesso à mata, sendo essa uma das principais razões para que se mantenha a interdição de acesso pedestre ou motorizado à mata. Porém esta não é a única razão da interdição de acessos, Rui Marqueiro advertiu para o facto de, neste momento, ainda ser perigoso circular na mata, porque a qualquer momento pode cair uma árvore, devido às condições climáticas atuais.
Quanto ao balanço dos prejuízos causados pela tempestade Leslie na Mata Nacional do Bussaco, Rui Marqueiro foi perentório, foram brutais, admitindo que a situação é pior do que aquela que eu ontem (dia 14 de outubro) pude perceber na primeira passagem aqui pelo Bussaco.
Tendo em conta os vários pontos do concelho que se mostram bastante afetados pela passagem da tempestade Leslie, foi decretado o Plano Municipal de Emergência, ao abrigo do qual será viável ter acesso ao fundo de emergência municipal mediante autorização do Governo, estou à espera do resultado de uma reunião que está a haver entre a CIM (Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra) e o Senhor Ministro da Administração Interna para poder perceber quando é que nós podemos fazer prova dos prejuízos, quando é que nós podemos pedir acesso ao fundo de emergência municipal, referiu Rui Marqueiro.
Autarquia solicita a munícipes e empresários registo de prejuízos
Ainda a fazer um balanço dos prejuízos somados no concelho, Rui Marqueiro apela a toda a população que teve prejuízos que nos faça chegar, por escrito, informação. Entretanto, a este propósito, a Câmara Municipal da Mealhada, emitiu um comunicado de imprensa no qual se refere que os munícipes e empresas do concelho da Mealhada que tenham registado prejuízos na sequência da tempestade Leslie, devem comunicar tais factos ao Gabinete da Presidência da Câmara Municipal (gabpresidencia@cm-mealhada.pt), descrevendo os danos e, se assim o entender, juntando orçamento de reparação dos mesmos. No mesmo comunicado refere-se que a Câmara da Mealhada decidiu apoiar a população e os empresários na organização de dossiês com vista a submeter os pedidos de apoio à apreciação/validação do organismo do Estado com poderes para o efeito.
Nitidamente fustigado pela passagem de Leslie, o concelho da Mealhada ainda está sobre vigilância apertada, por questões de segurança. Por isso, o Município da Mealhada e a Proteção Civil Municipal alertam a população para a necessidade de redobrar os cuidados de segurança. Rui Marqueiro adverte a população, nomeadamente, para a necessidade de não estarem junto de terrenos altos que tenham taludes, porque pode haver desmoronamento de terras, não estarem junto de árvores, porque a qualquer momento uma pequena rajada de vento pode provocar uma queda e terem cuidado na circulação automóvel, circulando com a mínima velocidade possível, porque a velocidade é inimiga da segurança.
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Crédito Fotográfico: Miguel Midões
Autor: Jornal da Mealhada
