Cantanhede recebe debate sobre Intervenção em rede na violência doméstica
Integrado na iniciativa Democracia, Igualdade de Género e Direitos Humanos, o São Nobre da Câmara Municipal de Cantanhede recebeu ontem […]
Integrado na iniciativa Democracia, Igualdade de Género e Direitos Humanos, o São Nobre da Câmara Municipal de Cantanhede recebeu ontem um debate sobre Intervenção em rede na violência doméstica. A iniciativa promovida pelo Núcleo de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica (NAVVD) de Cantanhede, da Associação Fernão Mendes Pinto, em parceria com o Município de Cantanhede, levou responsáveis por instituições e especialistas da área jurídica e psiquiátrica a refletir sobre um crime cujas vítimas continuam a ser, maioritariamente, mulheres.
O debate, no qual marcaram presença a procuradora do DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Coimbra, Paula Garcia, e o médico psiquiatra do Serviço de Violência Familiar do Hospital Sobral Cid (CHUC), João Redondo, teve início com uma intervenção de Marta Santos, coordenadora do NAVVD de Cantanhede, na qual disse que a rede é uma dinâmica que nos suporta a todos para responder a todas as solicitações, onde se trabalha numa lógica de horizontalidade e onde ninguém é mais importante que ninguém. Porém, Marta Santos, defende a necessidade de especialização dos serviços, uma vez que cada situação é específica, tendo em vista a melhoria do atendimento.
Paula Garcia, procuradora do DIAP de Coimbra, recordou que o grupo de intervenção contra a violência, criando na região centro, tem uma história de 18 anos, e que resultou de interesses comuns entre as áreas do Ministério Público, da Saúde e da Segurança Social. Ainda assim a procuradora defendeu que ações desgarradas não trazem respostas, mas sim ações concertadas e oleadas e afirmou a mudança tem de começar em cada um de nós e a aposta tem de começar no terreno.
A procuradora lembrou os presentes de que a violência doméstica é um crime público desde 2000, através de Lei 7/200 de 27 de maio e que só em 2018 morreram 21 pessoas vítimas de violência doméstica, enquanto que em 2017 a diferença era apenas de uma pessoa.
Na mesma sessão, e dirigindo-se aos especialistas que lidam com vítimas de violência doméstica, João Redondo, médico psiquiatra, referiu que um grupo de profissionais é sobretudo um grupo de amigos. O médico referiu-se ainda ao fenómeno da intervenção em rede como sendo também um espaço protetor nosso, não servindo apenas para servir os outros, mas que exigia de cada profissional uma base de apoio para conseguir superar os próprios problemas. É fundamental que apareçam homens a trabalhar estes assuntos ao contrário da tendência atual, onde a maior parte dos grupos de trabalho são constituídos por mulheres, afirmou João Redondo ao explicar que tanto a vítima como o agressor precisam de apoio.
Mais do que apoio efetivo, o médico referiu que é fundamental haver um sítio onde as pessoas possam falar, de forma a evitar casos de extrema violência, cujo desfecho é a morte.
De acordo com os dados avançados pelos palestrantes, 90% das vítimas de violência doméstica são mulheres, sendo que a violência doméstica é a maior causa de morte de mulheres na faixa etária dos 15-44 anos e que uma em cada uma das mortes por violência é em contexto familiar.
A iniciativa Democracia, Igualdade de Género e Direitos Humanos, na qual se inseriu este debate, continua no próximo dia 24 de outubro, a partir das 10h, no Centro Paroquial de S. Pedro, sob a temática Cidadania, Desigualdade(s) e Prevenção da Violência. Nos claustros da Câmara Municipal de Cantanhede está também patente ao público a exposição fotográfica Aqui morreu uma mulher, até ao dia 23. No dia seguinte a exposição transita para o Centro Paroquial de S. Pedro e termina no dia 26 de outubro, na Praça Marquês de Marialva.
Autor: Jornal da Mealhada
