Terça-Feira, 13 de Dezembro de 2011

Capitães do GDM falam sobre Amor à Camisola

Capitães do GDM falam sobre Amor à Camisola

Região

Capitães do GDM falam sobre Amor à Camisola

Grupo Desportivo da Mealhada O nosso estímulo só pode vir do apoio dos sócios A disputar um campeonato aguerrido, muito […]

Grupo Desportivo da Mealhada

O nosso estímulo só pode vir do apoio dos sócios

A disputar um campeonato aguerrido, muito forte a 1.ª Divisão Distrital de Aveiro , a equipa sénior do Grupo Desportivo da Mealhada entra em campo todos os domingos com duas certezas: A primeira é a de que o coletivo vai dar o tudo por tudo para fazer um grande jogo. A segunda é que, contrário de todos os seus adversários, os jogadores não receberão qualquer compensação no final do mês. Mas nem por isso o desapego é menor, garantem Godinho, Zé Novo e Marco Breda, os três capitães dos seniores mealhadenses e, na prática, os pilares de uma equipa que se constituiu sob o mote O regresso ao verdadeiro amor à camisola, enunciado pelo porta-voz da Comissão Administrativa que gere os destinos do clube, Licas Luís Oliveira , também ele uma glória do futebol mealhadense e distrital. Foi com os três capitães do GDM que falámos, na sexta-feira, 9 de dezembro, momentos antes do treino da equipa, no final da semana onde os bravos mealhadenses receberam e derrotaram os semi-profissionais de Lourosa para o campeonato e, também, reconheça-se, foram a Lourosa perder por sete golos para a Taça de Aveiro.

Godinho, Zé Novo e Marco Breda falam em conjunto, cada um na sua vez, mas completando as declarações uns dos outros. Como se estivessem, perante o repórter, a delinear uma jogada, em equipa, em uníssono. Essa comunhão de esforços e de objetivos transparece da conversa, mas também de um percurso que começou no final da época passada, quando a comissão administrativa que gere o GDM desde 22 de julho de 2011 lhes pediu que ajudassem a organizar a equipa sénior do clube mealhadense fundado em 1945. O tempo não abundava e os três todos da Mealhada, todos jogadores do GDM, todos peças que já haviam passado por outras equipas, por outras realidades, por outros campeonatos souberam dizer o sim. Assinámos mesmo sem saber quem viria a constituir o resto da equipa, garante Marco Breda, empresário de 35 anos, que com essa assinatura abdicava de uma remuneração de trezentos euros para jogar no Águeda.

Foram os três primeiros a assinar e assim deram o primeiro passo na constituição da espinha dorsal de uma equipa que, já se sabia, por um conjunto de fatores, teria de ser constituída com recurso a muitos jogadores novos e aos que aceitassem jogar pelo tal amor à camisola. A experiência deles aliou-se ao apelo da comissão administrativa do GDM e a equipa constitui-se, disposta a lutar na feroz e histórica 1.ª Divisão aveirense, sem vacilar, mas, somente, com as armas que tinha ao seu dispor.

Foi um desafio. Que aceitámos por paixão ao clube, mas com total noção das grandes dificuldades e dos riscos, garante Godinho, que a seguir, sem passar a Breda, mas lembrando o percurso do seu companheiro de equipa, acrescenta: Para treinar e jogar, Marco Breda tem de pagar a pessoas para que o seu estabelecimento possa estar aberto. É a primeira vez que joga futebol sem receber seja o que for. A bola passa então para Breda, que recebe, com modéstia, para declarar: Há, naturalmente um gosto muito grande em competir Mas não é fácil.

Godinho volta ao assunto da remuneração para garantir: Há, naturalmente, diferenças entre ganhar e não ganhar, num campeonato onde todos ganham, menos os nossos. E isso até poderia, de certa forma, desresponsabilizar-nos, tirar-nos o peso da consciência e fazermos apenas os mínimos. Mas não é isso que acontece. Temos ambição, muita ambição, e da parte dos dirigentes é-nos exigido, apenas, que façamos o melhor que soubermos. E é isso que fazemos, cada domingo!.

Temos boas condições de treino, temos um fisioterapeuta de grande nível e a comissão administrativa não deixa faltar absolutamente nada, assevera Zé Novo para Breda acrescentar: Faltam poucas coisas, mas é preciso gostar disto para aqui estar.

A manutenção na 1.ª Divisão Distrital é o objetivo para esta equipa e para esta época. Será um feito muito grande se conseguirmos a manutenção, afirma Zé Novo para Marco Breda logo acrescentar: Se conseguirmos a manutenção será um feito digno de um festejo como se subíssemos à 3.ª Nacional. A competitividade na 3.ª Nacional não é muito diferente da 1.ª Distrital aveirense, acrescentam os jogadores que falam de um campeonato agressivo com equipas que apostam na subida aos nacionais, como o Estarreja ou o Lourosa. Há diferenças muito grandes entre os clubes da 1.ª distrital. E explicam: Há 3 ou 4 equipas muito fortes, há mais cinco que não chegam a ficar na zona aflita e depois há umas oito que são mais fracas que é no lote onde nos encontramos. E em todas elas os jogadores são remunerados? pergunta o repórter. A resposta surge afirmativa e em uníssono, com um aparte Há um clube que tem jogadores que não queria nem dados!

E é com estas comparações que voltam à equipa sénior da Mealhada: Temos uma equipa muito jovem. Temos três jogadores com 35 e 32 anos, depois temos mais dois com 27 e 25 e todos os restantes têm 18 ou 19. É naturalmente uma equipa que vai crescer, que tem tudo para se tornar competitiva, se soubermos esperar, apoiar, investir nestes jogadores mais jovens. São jovens, são o futuro, mas também o presente, porque sem eles não podia haver equipa, garantem os capitães, que acrescentam: Os adeptos também têm de ter noção disso, se querem continuar a ter equipa sénior no GDM! Sem incentivo financeiro como há em todos os outros clubes e com hostilidade dentro e fora do campo, vai ser muito difícil segurar jogadores.

Aparece na área, então, Zé Novo, mais calado e discreto, mas nem por isso menos certeiro. E remata: O Mealhada é um clube de paixões e nem sempre é fácil gerir uma equipa com jogadores muito jovens que em vez de serem apoiados pela massa associativa, são muitas vezes insultados. É Godinho quem insiste: Há jogadores que já começam a acusar a pressão dos adeptos, que em vez de incentivarem, acabam por fazer desanimar!. Ninguém consegue estar sempre bem, ajuda Breda, que utiliza a comparação com outros terrenos para confessar: Há clubes em que os jogadores podem fazer os maiores disparates, mas os adeptos estão sempre a puxar por eles e é quando o atleta se vai abaixo que mais puxam por ele, gritando, apoiando, incentivando. No fundo a nossa remuneração podia ser o apoio dos sócios. Era esse o verdadeiro pagamento de que precisamos!, conclui Godinho.

O testemunho surge da parte de Godinho que declara: Às vezes, em campo, ouvimos coisas inacreditáveis, da parte de vizinhos e de amigos dos nossos familiares. Pessoas que, depois, até nos cumprimentam na rua e nos batem nas costas, mas que às vezes perdem a noção de que nós somos de cá e estamos a ouvir os insultos que nos estão a dirigir!. Há coisas que magoam. Que até podem ser verdade, mas que magoam, e desmoralizam os jogadores mais novos, que precisam de apoio e de incentivo!, acrescenta Marco Breda.

Estamos nisto por amor à camisola, não temos cão, caçamos com gato. Damos o melhor, conclui Marco Breda. Não temos o estímulo do dinheiro. Logo, o nosso estímulo só pode vir do apoio dos sócios, termina Godinho.

Os três capitães têm noção clara do passado do clube em que jogam. O GDM é um clube histórico, com muito peso, e que já esteve no alto. E nós temos consciência disso. Por sabermos isso, por sermos da Mealhada, por termos começado aqui a jogar futebol, é que aceitamos estas condições. E é também por isso que pedimos aos sócios uma coisa tão simples como: Sejam mealhadenses., pedem Godinho, Breda e Zé Novo.

Nuno Castela Canilho

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Autor: Jornal da Mealhada

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