Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

Carta ao Rúben

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Nas redes sociais muitas são as manifestações de solidariedade para com o Ruben. Ao Jornal da Mealhada, chegou um dos […]

Nas redes sociais muitas são as manifestações de solidariedade para com o Ruben. Ao Jornal da Mealhada, chegou um dos desses apoios, que não quis contudo identificar-se no texto que segue:

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No início de um bom livro, começam-se por destacar os bons momentos, apresentam-se os personagens que farão parte da história e todos aqueles pormenores que de alguma forma irão dar vida ao elenco. Quando nascemos, embora não o tenhamos solicitado, alguém na vida nos concebeu, dando origem assim a um personagem na história, na história de vida que passou a ser a nossa.

Ao aparecemos no primeiro ato, é-nos entregue uma armadura, percebendo aí que a partir daquele momento passaremos a ser guerreiros, onde o nosso objetivo principal nunca será infligir sofrimento em terceiros, mas sim lutar pela vida e pela sobrevivência. A cada página que é virada desta história passa uma época, será um dia, uma semana ou ano, isso de todo não sabemos, mas entendemos que de uma época se trata.

Quando nos vimos com esta estranha armadura sentimos um peso em nós, o peso que iremos carregar no decorrer desta história, mas cedo percebemos que sem ela estaríamos de alguma forma frágeis e vulneráveis a qualquer agressão exterior. Decididos a percorrer cada estrada e ultrapassar cada barreira que se sobrepõe no nosso caminho, seguimos motivados e de cabeça erguida sempre com a disposição de vencer.

Acontece que as histórias nem sempre são assim, por melhor que iniciem, nem sempre o final é o final feliz tão aguardado, pois num momento ou outro, os personagens desta que seria mais uma bela história, vêem-se angustiados por tormentos que não pediram. A certa altura da história, ou melhor, a certa altura da sua vida, ficam sem a armadura – aquela armadura que serviria de escudo protetor e que sempre deveria fazer parte do dia-a-dia de um guerreiro, deixa de estar presente na vida deste que seria um lutador.

Este guerreiro a quem hoje me refiro é o Ruben. O Ruben nasceu, passando a integrar uma bela história, sendo o personagem a quem nunca chegou a ser entregue a armadura, esta defesa tão valiosa, e sem ela é impossível viver. Hoje o Ruben continua a ver-se sem este utensílio tão útil à vida e continua a lutar pela sua sobrevivência, como tão bem sabe fazer, pois a sua história escreve-se há onze anos. Onze anos! Seria suposto tratar-se de uma etapa linda na vida, mas veio a revelar-se uma etapa dolorosa, cansativa e dos maiores tormentos, para este menino. Onde estão as páginas onde consta as diversões pelas quais algum dia passou e viveu? Onde estão as páginas que descrevem aquele jogo ao berlinde, ou o jogo de futebol, jogado no intervalo da escola em que a nossa equipa vence? Onde estão afinal todas estas páginas? Estas foram arrancadas, não deste livro, não desta história, mas da vida deste moço, da vida do Ruben.

É à custa de muita dor e sofrimento que este guerreiro tem lutado pela vida, este combatente de Águia ao peito tem lutado em vão, como que uma luta travada contra o vento, onde se tem esgotado as forças mais poderosas, aquelas que algum dia este jovem terá ido buscar ao interior mais recôndito do seu ser, mas que hoje tendem a não mais existir.

Porquê, talvez perguntem os demais. Porque temos de fazer parte de uma história onde o personagem principal sofre a cada dia e sofre cada vez mais. Não deveria ser assim! Algo está mal!

Muitos de nós, assim como eu, só por estes dias fomos confrontados por uma realidade à nossa porta. Passámos a conhecer esta verdadeira história de vida, tão real e tão dolorosa. Talvez a única coisa a fazer ao nosso alcance seja promover alguma estabilidade ao Ruben, algum conforto ou meio de subsistência, uma vez que depende atualmente de uma dieta específica e dispendiosa, onde como bem entendemos, uma ajuda é sempre bem vinda.

Podemos ajudar a fazer a diferença ao nos juntarmos à Associação Bairrada Solidária que dá vida ao rosto deste personagem ou ao se juntar no dia 1 de dezembro nas atividades previstas para angariar fundos, que visa ajudar o nosso Ruben.

Para o Ruben aquele abraço, com os mais sinceros votos de que a página desta história vire para dias que se avizinhem melhores. Para a família que de perto tão bem tem cuidado deste pequeno homem, votos de muita força e bem-haja. A todos que de alguma forma se tem dedicado a esta causa, votos que assim continuem empenhados.

Todos pelo Ruben, certos de que a nossa ajuda fará a diferença.

Autor: Jornal da Mealhada

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