Consultas a Tempo e Horas atrasadas por causa das ´peripécias´ governativas
O Relatório de Gestão e Contas da Gerência, no exercício de 2015, da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada foi […]
O Relatório de Gestão e Contas da Gerência, no exercício de 2015, da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada foi aprovado, por unanimidade, em assembleia geral, que se realizou na manhã do dia 17 de abril. A instituição transitou de ano com um valor positivo superior a oitocentos mil euros.
Os resultados foram bons, mas não foram os que prevíamos. Apesar disto não compromete, em nada, a instituição em termos financeiros, começou por dizer João Peres, provedor da Misericórdia da Mealhada, que agradeceu a colaboração de todos. Sem os trabalhadores, prestadores de serviços, elementos dos órgãos sociais e entidades que colaboram connosco não havia êxito na instituição, agradeceu.
Bruno Peres, diretor geral da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, garantiu que houve uma grande diminuição de receita face ao ano anterior, mas muito se deve também ao facto do ano de 2014 ter sido excecionalmente bom.
O ano de 2015 teve um conjunto de peripécias, nomeadamente, na questão governativa que tornou a gestão difícil na área da Saúde, sem a autorização dos acordos por parte do Estado, continuou o dirigente.
Tem sido difícil de dizer à Administração Regional de Saúde do Centro que estamos aqui para colaborar com as populações. Por outro lado, estas não entendem porque é que o médico de família as enviou para o Hospital Misericórdia da Mealhada e esperam meses por uma consulta. Mas a verdade é que sem plafond nos acordos não podemos fazer consultas e/ou exames, continuou Bruno Peres, que alerta: Isto tem graves prejuízos para a saúde pública. As pessoas pensam que somos incompetentes, mas muitas das nossas dificuldades advêm da gestão do programa Consulta a Tempo e Horas (CTH) e tem-nos feito gastar muitas energias, em detrimento de deixarmos de pensar em outras áreas.
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O Portugal 2020 é um balão cheio de ar, fraco e prestes a rebentar
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Na área da Terceira Idade houve uma poupança de cerca de cinquenta e três mil euros. É uma área difícil de gerir e queríamos dar aos nossos utentes muito mais do que cuidados de subsistência, declarou Bruno Peres, que enfatizou: A Segurança Social quer aumento de qualidade e exige cuidados, mas não aumenta o apoio.
Acerca do que apelida de resultado simpático, o diretor geral da instituição explica que em breve haverá obras de fundo a fazer nesta valência e não podemos estar a contar com os apoios comunitários, até porque o Portugal 2020 é um balão cheio de ar, fraco e prestes a rebentar a qualquer momento. Na verdade, este resultado está a ser gerado porque precisaremos dele, e muito mais, para obras e assim poder prestar um serviço de qualidade, aos utentes, acrescentou.
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Valência da Infância tem que ser repensada
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Já em relação à área da Infância, que obteve um resultado negativo de trinta e três mil euros, Bruno Peres explicou: Há poucos nascimentos e, no caso concreto da Mealhada, temos sorte de estarmos num concelho com muita atividade que vai fixando os casais por cá.
Segundo o dirigente, à baixa natalidade alia-se uma política pública no mínimo incompreensível, que transfere as crianças para as Câmaras Municipais, concretamente para os Centros Escolares. Estão a esvaziar o trabalho que temos vindo a fazer ao longo dos últimos anos e partir de agora temos que perceber o que as entidades públicas querem fazer e do que as populações, concretamente precisam. Caso não precisem dos nossos serviços, então a situação é grave, disse.
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Sem os serviços da Misericórdia se calhar a Mealhada não era tão atrativa
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Bruno Peres fez ainda questão de elogiar o trabalho da mesa administrativa da instituição nos últimos vinte anos. Se estivessem há espera do Estado não tinham feito obra nenhuma, disse o dirigente, que concluiu: Trabalharam muito, nos últimos vinte anos, em prol da população e sem estes serviços que criaram, se calhar a Mealhada não era um Município tão atrativo.
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Instituição está no Conselho Estratégico do Grupo de Misericórdias de Saúde
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João Peres informou ainda que o Grupo de Misericórdias de Saúde criou um Conselho Estratégico no qual a Santa Casa da Mealhada estará representada pelo seu diretor geral.
A tomada de posse aconteceu, no passado dia 18 de abril, no Porto.
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Mónica Sofia Lopes
Autor: Jornal da Mealhada
